01-ODISSEIA de Homero (by Jolanda Gentilezza)

Compartilho com vocês um maravilhoso resumo da Odisseia que recebi de Jolanda Gentilezza.

ODISSEIA de Homero

(Jolanda Gentilezza)

Odisseia é a sequência de Ilíada e ambos são poemas épicos da  Grécia Antiga, atribuídos a Homero (1) e historicamente considerados a 1ª  (Ilíada) e 2ª (Odisseia) obras existentes da literatura ocidental, escritas no chamado grego homérico, provavelmente no fim do século VIII a.C., em um lugar não definido da Jônia, (região da costa da Ásia Menor – atual parte da Turquia). Seguindo originalmente a tradição oral, os poemas eram contados por um aedo, ou rapsodo (2) e destinados mais a serem cantados do que lidos.

A Odisseia foi escrita num dialeto poético que não pertence a qualquer região definida, sendo composta por 12.110 versos no hexâmetro dactílico (3) e conta as aventuras  do herói grego Odisseu (ou Ulisses, pela mitologia romana), rei de Ítaca (no sul do Mar Adriático) na longa viagem de volta para casa, após a guerra de Troia (que faz parte da Ilíada).

O texto tem características muito modernas, tais como:

  • trama não linear;
  • sucessão de histórias dentro da história;
  • os eventos contados não dependem apenas do capricho dos deuses e da vontade dos guerreiros, conforme as histórias da época, mas também das ações de livre escolha feitas por mulheres, criados e escravos.

 A palavra odisseia passou a significar, na maioria das línguas, qualquer viagem longa e difícil, com características épicas.

 No ponto em que a obra se inicia, já se passaram dez anos após o fim da guerra de Troia,que também durara dez anos. Portanto, há vinte anos Penélope, esposa de Odisseu, vinha esperando fielmente pela volta do marido. Muitos pretendentes tinham-se reunido e exigido que ela se casasse novamente, recusando-se a ir embora até que ela escolhesse um deles. Instalados no palácio de Ítaca, comportavam-se pessimamente e dissipavam o tesouro de Odisseu. Penélope ia adiando a decisão, colocando como prazo terminar de tecer um manto que ela estava preparando para o idoso Laertes, pai de Odisseu. Tratava-se de um trabalho interminável, pois ela mesma desmanchava durante a noite o que havia tecido à luz do dia.

Os deuses do Olimpo, na ausência de  Poseidon, deus do mar, estão discutindo o destino de Odisseu, há sete anos prisoneiro da ninfa Calipso (4). Odisseu havia ofendido Poseidon  (destruindo Tróia, sua protegida, e depois cegando-lhe o filho, o ciclope Polifemo, e o deus furioso tinha mandado terríveis tempestades para afastar suas naus da rota. A deusa Atena, protetora de Odisseu, acha que é chegada a hora de ajudá-lo a voltar para casa. Zeus, o mais poderoso dos deuses, concorda.

 Atena vai para Ítaca, disfarçada de Mentor, chefe táfio, e visita Telêmaco, filho de Odisseu, que tinha poucos meses de idade quando o pai partira. Aconselha-o a convocar uma assembleia e conseguir apoio dos cidadãos para se opor aos pretendentes, e o encoraja a partir em busca de notícias do pai. Atena também presencia o comportamento inapropriado dos pretendentes, jantando no meio de arruaças enquanto  Fêmio (2) interpreta um poema narrativo.

 Telêmaco reúne a assembleia mas não consegue apoio. Com a ajuda de Atena encontra uma nau e uma tripulação e parte para a Grécia continental. A primeira parada é em Pilo, reino de Nestor, que tendo estado na guerra de Troia, conhecia bem Odisseu. Porém, após recepções e muitas histórias contadas, nada de concreto aparece sobre o destino do pai.

 Acompanhado pelo filho de Nestor, Telêmaco viaja por terra até Esparta para encontrar o rei Menelau, outro companheiro de armas do pai, e sua esposa Helena(5).. Festejos são dados em sua homanagem e várias histórias são contadas sobre o cerco de Troia, a viagem de retorno para casa,  passando pelo Egito e depois pela ilha mágica de Faros e  o encontro com o vidente Proteu (6) que,  tudo sabendo sobre o destino dos heróis gregos, revelou o paradeiro de Odisseu, prisoneiro de Calipso (4).

Chega-se, então, à história de Odisseu, há sete anos na ilha de Ogígia. Hermes, o mensageiro dos deuses, chega com a ordem de Zeus para Calipso libertar o amante. Odisseu constroi uma jangada e zarpa, mas logo naufraga pela infererência do ainda zangado Poseidon. Nada até a ilha de Esquéria, terra dos feácios, onde, nu e exausto, se esconde numa pilha de folhas e adormece. Na manhã seguinte, é acordado pelas risos de garotas que se aproximam: a jovem Nausícaa veio com suas criadas lavar roupas à beira do mar. Odisseu pede ajuda e ela que, encantada pelo desconhecido, leva-o até o palácio onde seus país, Aretê e Alcínoo, lhe oferecem hospitalidade. Inicialmente sem se identificar, permanece no local por diversos dias, participa de um pentatlo, dando provas de ótimo preparo físico, e ouve o cego Demódoco (2) cantar os lendários feitos heróicos da guerra de Troia. Odisseu emociona-se ao ouvir o episódio do cavalo de Troia (7)  pois ele fora um dos principais protagonistas. Revela, assim, sua identidade e conta a fantástica história de sua viagem de volta.

 Diz que, após derrotar Troia,  ele e sua tripulação de 12 naus zarparam rumo à costa sul da Trácia. Chegando de surpresa em Ismara, onde viviam os cicones, saquearam a cidade. Muitos cicones foram mortos, assim como suas mulheres, a tripulação dividiu o botim e começou a festejar, apesar dos avisos de Odisseu para irem logo embora. Pela manhã chegaram grandes reforços. Após perder muito homens, Odisseu conseguiu fugir, mas as naus foram desviadas do curso por nove dias, por causa de uma tempestade violenta.

Chegaram assim à ilha dos letárgicos Comedores de Lótus(8), um povo fantástico que vivia próximo às regiões da Líbia, na África, alimentando-se somente das flores e dos frutos do lotus. Essas plantas eram narcóticas, causam um sono pacífico e provocavam o esquecimento. Foram enviados três homens para investigar a ilha, mas eles começaram a fazer exatamente o que os nativos faziam: comer o fruto do lótus e esquecer de tudo.  Odisseu conseguiu resgatá-los e zarpar rapidamente com os três homens amarrados aos seus assentos para impedi-los de retornar à ilha e ao lótus.

Chegaram depois à ilha dos ciclopes, gigantes barbudos com um único olho na testa e orelhas ponteagudas como sátiros. Entraram numa gruta onde acharam comida, sem saber que ali morava Polifemo, filho de Poseidon e da ninfa Toosa. Ao voltar, Polifemo deu de cara com os intrusos, colocou uma enorme pedra na entrada da gruta para que não fugissem e começou a devorá-los. Odisseu, porém, tinha um plano: entreteve Polifemo oferecendo-lhe um vinho que havia trazido para oferecer aos gigantes; o vinho era muito forte e Polifemo, que não conhecia a bebida, gostou tanto que pedia cada vez mais, prometendo que em recompensa deixaria para devorá-lo por último. Odisseu contou chamar-se Outis (um nome  que significa “nenhum homem” ou “ninguém”) e quando o gigante adormeceu bêbado, fincou-lhe uma estaca de oliveira de ponta afiada no único olho. Polifemo começou a gritar: “Ninguém está me machucando”.  Os  outros  ciclopes, impedidos de entrar por causa da pedra na entrada da gruta, acharam que Polifemo tinha ficado louco: “Se sozinho como está, ninguém usa violência contra ele, ora, não há como escapar do mal enviado pelo grande Zeus; então melhor é rezar a seu pai, o senhor Poseidon” e, assim, foram embora. Pela manhã, Odisseu amarrou seus homens e a si mesmo ao ventre das ovelhas e quando Polifemo removeu a pedra da entrada da gruta para levar as ovelhas ao pasto, como estava cego e não podia ver, apalpou seus lombos para se assegurar de que os homens não as montavam, mas não apalpou seus ventres e assim os prisoneiros conseguiram fugir, voltar às suas naus e zarpar.

 Foram então visitar Éolo, deus dos ventos, que vivia numa ilha flutuante da Eólia com a esposa e seus 12 filhos. Odisseu foi recebido como convidado de honra e recebeu de presente um saco de couro contendo todos os ventos necessários  para garantir a viagem de volta a Ítaca.  Após zarpar novamente, os marinheiros abriram o saco, enquanto Odisseu dormia, pensando encontrar ouro e soltaram inadvertidamente todos os ventos. Isso provocou uma enorme tempestade que empurrou as naus de volta ao ponto de partida, justamente quando Ítaca estava aparecendo no horizonte.

 Depois de pedir inutilmene  a ajuda de Éolo, ficaram vagando pelo mar sem destino durante seis dias e seis noites, até que chegaram à ilha dos Lestrigões (9). Três homens percorreram a ilha em reconhecimento e cruzaram com a filha gigante de Antífates, o chefe do povo lestrigão. Ela os levou até a casa da mãe, uma figura monstruosa, que rapidamente chamou Antífanes, que  mais do que depressa devorou dois deles. O terceiro fugiu para avisar Odisseu, mas as naus foram atacadas imediatamente com enormes pedras jogadas do alto dos penhascos e os homens que caiam ao mar eram fisgados como peixes e devorados pelos gigantes canibais. Só a nau de Odisseu, que tinha atracado num lugar mais afastado, conseguiu escapar.

Alcançaram enfim a ilha de Eana, morada da deusa-feiticeira Circe,  localizada no litoral oeste da Itália. O grupo que desceu à terra foi convidados pela própria Circe a entrar no palácio e comer queijo e beber vinho, mas depois disso foram todos transformados em porcos.  Hermes  havia alertado Odisseu a respeito de Circe dando-lhe o broto da planta chamada móli, dotada de enorme poder para resistir às bruxarias  (ver nota (8)) e assim Odisseu tornou-se resistente à magia da feiticeira.  Só que essa resistência acabou por despertar a paixão de Circe que devolveu a forma humana àqueles que tinham sido transformados em porcos e reteve a todos  na ilha por um ano, entre festejos e banquetes. Pressionado pela tripulação, finalmente Odisseu pediu licença para partir e a deusa atendeu ao  seu pedido, aconselhando-o,  antes,  a  ir ao mundo inferior, o Hades(10), para consultar o advinho tebano Tirésias sobre o caminho  mais seguro de retorno a Ítaca.

 O Hades é descrito como situado em uma margem do rio Oceano no extremo Ocidente, fim do mundo dos vivos, onde Odisseu, após oferecer sacrifícios aos mortos, invocou o espírito do velho profeta Tirésias que veio aconselhá-lo. Encontrou também os companheiros mortos em guerra e sua própria mãe. Ela contou como tinha morrido de desgosto durante a longa ausência  do filho e fez um triste relato do estado lamentável do velho Laerte, pai de Odisseu,  e dos bravos esforços de Penélope para repelir seus pretendentes.  A seguir veio Agamenon (ver nota (5)) comandante supremo dos gregos na guerra de Troia, irmão de  Menelau, para contar como fora assassinado pela mulher Clitemnestra e o amante dela, Egisto, ao voltar para Micenas. Aquiles (ver nota (5))  também se aproximou, sendo saudado por Odisseu como o homem mais afortunado que já havia vivido, um poderoso príncipe entre os vivos e os mortos, ao que Aquiles respondeu que preferiria ser um escravo vivo do que um rei morto.

Iniciada a viagem de volta, Odisseu e sua tripulação passaram pelas costas da Sicília,  terra das sereias, filhas da musa Calíope e de Aquelou. As sereias eram ninfas marinhas que tinham o poder de enfeitiçar com seu canto todos que o ouvissem, de modo que os infortunados marinheiros sentiam-se irresistivelmente impelidos a correr para elas atirando-se no mar, onde encontravam a morte. Instruído por Circe, Odisseu ordenou que todos tapassem os ouvidos com cera. Curioso em ouvir o canto das sereias, mas não querendo correr perigo, pediu que o amarrassem no mastro, proibindo-os de soltá-lo sob qualquer pretexto, nem que ele próprio pedisse, até terem passado pela ilha. Essas instruções não foram inúteis, pois ao ouvir as doces vozes e as promessas  sedutoras das sereias ele ordenou várias vezes que o soltassem; felizmente, os marinheiros não o fizeram. E assim todos conseguiram resistir, embora não facilmente, às tentações do canto das sereias.

 Tiveram ainda que navegar entre o redemoinho e o rochedo, personificados pelos nomes de Cila (11) e Caríbdes (12), que eram dois monstros marinhos que moravam nos lados opostos do estreito de Messina, entre a Sicília e a Itália,  representando os perigos da navegação perto de rochas e redemoinhos. Quando a nau de Odisseu passou junto à gruta onde Cila se escondia,  os cães ladraram e seis tripulantes foram devorados.

 Seguiram viagem e a nau aproximou-se da ilha de Trinácia, local de pasto farto onde Hipérion, filho de Zeus,  mantinha seu rebanho de gado gordo. Odisseu havia sido alertado, tanto por Circe como por Tirésias, para evitar esse local e que, em hipótese alguma, tocassem no gado sagrado. Explicou isto a seus homens que, cansados e deprimidos pela perda de mais seis companheiros, insistiram  em  lançar âncora e  passar  a  noite  na  praia. Odisseu concordou, desde que jurassem  deixar o gado em paz. Naquela noite formou-se uma  forte tempestade e por todo um mês o vento soprou do sul, sendo impossível continuar viagem. Enquanto duraram as provisões, os homens mantiveram sua promessa e não tocaram no gado. Porém, quando a comida acabou, movidos pela fome e aproveitando-se de uma ausência temporária de Odisseu, abateram algumas reses,  achando que se as sacrificassem em honra dos deuses, esses deuses não ficariam zangados.

Esse sacrilégio trouxe como punição um naufrágio, logo após zarparem, e todos morreram afogados, com  exceção de Odisseu, que conseguiu agarrar-se aos destroços do mastro e da quilha, permanecendo por dez dias ao sabor das ondas até ser jogado nas areias da ilha de Ogígia, morada da linda ninfa Calipso , que não só o acolheu em seu palácio, como se apaixonou por ele e não o deixou mais ir embora. Calipso ofereceu-lhe até a imortalidade desde que aceitasse ficar com ela para sempre, mas Odisseu nunca aceitou, pois seu pensamento estava em Ítaca, com a esposa e com o filho. Mesmo assim teve que tornar-se seu amante e permanecer na ilha por sete anos, sem nenhuma possibilidade de fuga.

Depois de ouvir a história de Odisseu, os feácios, que eram hábeis marinheiros, oferecem sua ajuda e partem em direção à Ítaca desembarcando-o  à noite num porto escondido da ilha. Atena disfarça-o de mendigo idoso para que ele possa se locomover livremente pela ilha. Odisseu procura um de seus antigos escravos, o guardador de porcos Eumeu, que não o reconhece, contando uma história fictícia sobre si. Eumeu oferece hospitalidade ao desconhecido e lhe dá sua capa.

 Enquanto isso, Telêmaco estivera navegando para casa, vindo de Esparta. Avisado por Atena, acaba de fugir de uma emboscada preparada pelos pretendentes.  Desembarca na costa de Ítaca e dirige-se à casa de Eumeu; lá, pai e filho se encontram e Odisseu revela-lhe sua identidade e ambos decidem que os pretendentes devem ser mortos. Telêmaco volta para casa acompanhado por Eumeu, seguido mais tarde por Odisseu que, ainda disfarçado, finge mendigar. Seu fiel cão Argos é o único a reconhecê-lo e logo depois morre de velhice. Antínoo, um dos principais pretendentes de Penélope, insulta  Odisseu e arremessa um banquinho nas costas dele. Os pretendentes fazem Odisseu lutar com um mendigo verdadeiro para seu divertimento. Ele vence, mas continua a sofrer humilhações. Vários presságios acontecem – trovões e o voos de aves de rapina –  indicando a ira dos deuses com o comportamento ímpio dos pretendentes.

Ao banhar os pés do “mendigo”, a criada Euricléia reconhece Odisseu por uma velha cicatriz no pé, resultante de um antigo ferimento de caça, mas guarda segredo. Mais tarde Odisseu encontra Penélope e, sem se dar a conhecer, conta-lhe que o marido ainda vive e está voltando para casa.

Penélope está muito preocupada, porque seu estratagema do manto tinha sido descoberto e não dava mais para adiar a escolha de um novo marido. Instigada por Atena, Penélope convence os pretendentes a disputar sua mão, numa competição de arco-e-flecha, utilizando o arco de Odisseu. Mais presságios anunciam desastres.

Odisseu revela sua identidade a Eumeu, que promete lutar com seu mestre e Telêmaco contra os pretendentes. Manda avisar Euricléia para retirar todas as armas do pátio interno do palácio e, ao seu sinal, levar embora as mulheres e trancar as portas.

A prova começa. Um a um, os pretendentes tentam o arco mas nenhum consegue sequer retesá-lo, quanto mais lançar setas. Por fim Odisseu pede para tentar. Os pretendentes protestam, mas Telêmaco autoriza. Odisseu retesa o arco com facilidade e lança a seta, vencendo assim a prova.  Anuncia, então, aos estupefatos pretendentes sua identidade e seu desejo de vingança. Com a ajuda de Atena disfarçada, Telêmaco, Eumeu e Filoteu, um pastor, passa a disparar flechas contra os pretendentes que descobrem, apavorados,  que estão presos no pátio e indefesos. O pastor Melâncio salta um muro e consegue trazer armas para eles. Mesmo assim, não conseguem se defender da fúria de Odisseu e seus aliados e todos são mortos. A deslealdade de Melâncio é punida com tortura e mutilação. Doze criadas que haviam se mancomunado com os falecidos também são executadas. Por fim, o pátio é lavado e purificado. Os pretendentes mortos juntam-se às almas errantes no mundo subterrâneo.

Odisseu é devolvido à sua verdadeira forma.  Penélope fica muito emocionada, mas também desconfiada. Para convencê-la de sua identidade, Odisseu responde a uma sua pergunta capciosa a respeito da cama que ele mesmo havia entalhado no tronco de uma enorme oliveira crescida num páteo da casa, em volta da qual fora construído o quarto nupcial.

No dia seguinte Odisseu e Telêmaco visitam o velho pai, Laertes, que tampouco o reconhece até Odisseu descrever corretamente um pomar  que certa vez recebera dele.

Os parentes dos pretendentes se armam e exigem vingança, alegando que Odisseu havia causado a morte de duas gerações de homens de Ítaca: seus tripulantes (nenhum dos quais havia sobrevivido à viagem de volta)  e os pretendentes (que ele havia acabado de executar). Na luta que se segue, Laerte mata o pai de Antínoo. Um raio lançado por Zeus e a intervenção de Atena interrompem o combate, trazem a paz final e e a Odisseia é concluída.

Até o fim do século XIX, os estudiosos europeus da antiguidade consideraram as narrativas homéricas como lendárias, alegando que a guerra de Troia nunca existira. Mas quando o alemão Heinrich Schliemann, um apaixonado pelas obras de Homero, descobriu as ruínas de Troia e de Micenas, foi preciso reformular esses conceitos.

Notas & des-notas:

  • A mulher de Schliemann apareceu em diversas fotos em jornais e revistas usando as jóias encontradas pelo marido nas escavações.
  • Tais jóias teriam pertencido à rainha Écuba, esposa de Príamo, rei de Tróia, que foi morto por Pirro após o estragema do Cavalo de Tróia, acontecimento narrado pelos atores mambembes em  visita ao castelo de Elsinor,  na  peça “Hamlet” de  Shakespeare.
  • Os nomes gregos apresentam diferentes grafias nas várias traduções para o português, dependendo do tradutor.

Notas no Texto

­­­­­­­­

(1)  Homero – considerado o maior poeta da Grécia Antiga teria vivido entre os séc. 8 e 9 a.C. Sua origem é incerta, mas seus estudiosos consideram provável que ele tenha nascido em Esmirna ou na Ilha de Quios, na Grécia.

(2)   Aaedo – artista da Grécia antiga que cantava as epopeias acompanhando-se de um instrumento musical. Os aedos percorriam a Grécia cantando um repertório composto de lendas e tradições populares. O rapsodo, mais tardio, compunha as próprias obras. O poeta cantava perante uma assembleia de aristocratas reunidos num banquete, desfilando  uma vasta colecção de temas bem conhecidos, que ele próprio escolhia; outras vezes a escolha era do público.

(3) Hexâmetro dactílico – na poesia grega a forma preferida era a do hexâmetro dactílio, de efeito lento e solene; composto de 6 pés dactílicos, cada um com um elemento bem marcado (o “tempo” longo e forte que correspondia sempre a uma sílaba longa) e outro menos marcado (o tempo“ fraco” com uma sílaba longa ou duas breves) com uma pausa no meio do verso para respiração, o que criava um ritmo específico.

(4)  Calipso –  ninfa do mar, filha de Oceano e de Tétis, que vivia nas encostas de uma montanha na ilha de Ogígia, numa gruta cercada por um bosque sagrado, onde havia uma fonte, também sagrada. Sendo uma das deusas fiandeiras, era uma poderosa feiticeira que detinha o poder da vida e da morte.

(5) Helena – belíssima esposa de Menelau, rei de Esparta, que tendo fugido com Páris, filho do rei Príamo, de Troia, acabou por provocar a Guerra de Troia (também narrado como o rapto de Helena). Menelau juntou os chefes gregos, entre eles Agamenon, Aquiles, Odisseu, etc. (ao todo 69 príncipes das várias nações gregas) com 1186 barcos e 50.000 guerreiros e manteve a cidade de Troia sitiada por dez anos, até destrui-la completamente e resgatar Helena.

(6)  Proteu – deus marinho, reverenciado como profeta pois tinha o dom da premonição, mas não gostava de ser procurado pelos humanos que queriam conhecer o futuro, então fugia transformando-se num monstro assustador. Só os corajosos que conseguiam passar por isso é que eram atendidos. Porém sua filha, a ninfa Eidotéia, ensinou a Menelau, rei de Esparta, como obrigar Proteu a contar o caminho de volta para Esparta, após a guerra de Troia.

(7)  Cavalo de Troia – a guerra de Troia terminou por mérito de um plano de Odisseu: após construir um enorme cavalo de madeira, informaram aos inimigos que estavam desistindo do cerco e que o cavalo era um presente de paz. Os troianos aceitaram aliviados, e felizes levaram o enorme presente para dentro dos muros da cidade. Após uma noite de muita comemoração, quando os troianos adormeceram exaustos, vários guerreiros saíram de dentro do cavalo de madeira e abriram as portas da cidade para os demais guerreiros entrarem e destruírem a cidade.

(8) Lótus – essa flor é apenas uma das tantas ervas mágicas que abundam na Odisseia: Helena tem um droga calmante, trazida do Egito, que faz parar o sofrimento e a dor;  Circe tem uma poção que transforma os homens em porcos; e contra os seus efeitos Hermes dá a Odisseu o móli, a planta de raiz negra e de flor branca, muito difícil de arrancar do solo,  que deve preservá-lo de todos os sortilégios (muitas vezes comparada à mandrágora).

(9)       Lestrigões – tribo de gigantes canibais que viviam em Telépio, a capital da Lestrigônia.

(10)     Hades – terra dos mortos. Os mortos entravam no Hades cruzando o Aqueronte com a ajuda do barqueiro Caronte, que cobrava um óbolo, uma pequena moeda posta na boca dos mortos pelos parentes. Aqueles que não traziam a moeda juntavam-se por cem anos na margem. O outro lado do rio era guardado por Cérbero, o cão de três cabeças. Depois de passar por ele, as sombras entravam na terra dos mortos para serem julgados. Os cinco rios do Reino de Hades eram: o Aqueronte (dor), Cocito (lamentação), Flegetonte (fogo), Lete (esquecimento), e Estige (ódio), que formava a fronteira entre os mundos superior e inferior. No Lete (esquecimento), as almas comuns se juntavam para apagar a memória da vida e na Mnemósine (memória – da qual bebiam os iniciados nos mistérios antes de reencarnar). Em frente ao palácio de Hades e Perséfone sentavam-se os três juízes do Submundo: Minos, Radamanto e Eaco, em uma encruzilhada consagrada a Hécate, onde as almas eram julgadas para retornar aos Campos de Asfódelos, se não tinham sido nem más nem virtuosas; ou à estrada do Tártaro, se não tinham sido ímpias ou más; ou enviadas ao Elísio para se juntarem aos heróis irrepreensíveis.   

(11)     Cila – linda ninfa, filha da deusa Cratéis, que foi transformada num aterrorizante monstro marinho com o torso de uma bela mulher, mas tendo em volta da cintura seis cabeças de serpente com três fileiras de dentes e um círculo de doze cães ladradores. Os cães a alertavam quando um navio estava passando, de forma que ela pudesse capturar os navegantes.

(12)     Caríbdis filha de Posidon e Gaia: mulher de apetite voraz que foi transformada por Zeus em um monstro disforme aprisionado no fundo do mar, de onde ela abria a boca e sugava as águas em imensos redemoinhos. No rochedo mais baixo do estreito havia uma figueira de muitas folhagens, debaixo da qual se escondia Caríbde para reabsorver a água do mar três vezes por dia.

BIBLIOGRAFIA

São Paulo, 18/11/2010.

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Uma resposta to “01-ODISSEIA de Homero (by Jolanda Gentilezza)”

  1. Ulisses: a presença do mito « Blog da Margarete Barbosa Says:

    […] muito rico da obra A Odisseia e, muito gentilmente, está compartilhando conosco o seu texto. É só clicar aqui, na seção Páginas, para ler e se deliciar com o […]

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