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Comemorando o dia nacional da poesia

14/03/2017

Hoje, 14 de março, é comemorado o dia do livreiro e, por ser a data em que nasceu ANTÔNIO FREDERICO DE CASTRO ALVES, é celebrado o DIA NACIONAL DA POESIA.

Apesar de uma vida breve, pois viveu apenas 24 anos, o poeta Castro Alves teve uma intensa produção literária. Aos 17 anos fez suas primeiras poesias, linguagem na qual se tornou mestre com seus poemas líricos e heroicos. Foi consagrado aos 21 anos com a apresentação pública de Tragédia no Mar, que mais tarde ganhou o nome de Navio Negreiro. Seu trabalho literário defendia as causas morais, sociais, a abolição da escravatura e a república. 

Para comemorar e lembrar este dia, convido a todos para ouvir Caetano Veloso e uma parte do longo poema NAVIO NEGREIRO:

Mas…o que é poesia?

Segundo o Wikipédia “é uma das sete artes tradicionais, pela qual a linguagem humana é utilizada com fins estéticos ou críticos”.

Para mim é um modo de sentir a vida, com suas alegrias e seus pesares. A poesia está em todos os lugares, quer seja de forma luminosa ou lúgubre. Desde  minha adolescência,  vivo e sinto estas duas formas de poesia com  intensidade, que podem ser representadas no poema de Carlos Drummond: O amor bate na aorta

Cantiga de amor sem eira nem beira,
Vira o mundo de cabeça para baixo,
Suspende a saia das mulheres,
Tira os óculos dos homens,
O amor, seja como for, é o amor.
Meu bem, não chores, hoje tem filme de Carlito.
O amor bate na porta, amor bate na aorta,
Fui abrir e me constipei.
Cardíaco e melancólico, o amor ronca na horta entre pés de laranjeira
Entre uvas meio verdes e desejos já maduros.
Entre uvas meio verdes,  meu amor, não te atormentes.
Certos ácidos adoçam a boca murcha dos velhos
E quando os dentes não mordem e quando os braços não prendem
O amor faz uma cócega, o amor desenha uma curva e propõe uma geometria.
Amor é bicho instruído.
Olha: o amor pulou o muro,o amor subiu na árvore em tempo de se estrepar.
Pronto, o amor se estrepou.
Daqui estou vendo o sangue que corre do corpo andrógeno.
Essa ferida, meu bem às vezes não sara nunca, às vezes sara amanhã.
Daqui estou vendo o amor irritado, desapontado, mas também vejo outras coisas:
Vejo beijos que se beijam, ouço mãos que se conversam e que viajam sem mapa.
Vejo muitas outras coisas que não ouso compreender…

Carlos Drummond de Andrade

Destaco aqui dois poetas contemporâneos: José Ivanilson e Marco Haurélio.

De José Ivanilson:  Alma da palavra

 

Palavra

Noiva do vento

Vai aonde almeja ir

 

Fio da palavra

Perseguir

Labirinto

Rumo certo

Descobrir

 

Mistério da criação

Do coração

 

O mistério do amor

E da paixão

 

Se a dor de viver

É de matar

Monstro do labirinto

Vencerá

 

Conquistar o amor

Reaver bem-querer

 

A quimera

Que era outrora

Imaginária

 

Ora é fera

Que devora

Toda a era

 

Nova Era

Vem da Era

Que evapora

 

Toda espera

Gera o coração

Do agora

 

Ao verão

A primavera

Chora

 

Ao outono

Entrega o céu

E vai embora

 

Ao inverno

A primavera

Espera

 

Ao outono

O inverno é

abandono

 

A palavra salva alma

Quando a aura é clara

 

A palavra clara salva a aura d’alma

Aura clara salva alma da palavra

 

Salva alma clara aura da palavra

A palavra alma salva aura clara

 

A palavra salva alma clara aura

Aura da palavra salva alma clara

 

Alma da palavra clara salva aura


José Ivanilson

 

Do poeta Marco Haurélio: Alegoria

 

Por uma estrada comprida

Vão a Verdade e a Mentira.

Uma afirma e a outra nega,

Uma põe e a outra tira.

 

Ao lado de ambas caminha

Uma intrusa, a Falsidade.

Esta, apontando a Mentira

Diz se tratar da Verdade.

 

A Justiça ainda tenta

A Verdade defender,

Mas, com os olhos vendados,

Bem pouco pode fazer.

 

A Razão também procura

Algum esclarecimento,

Porém Razão sem Justiça

É mesa sem alimento.

 

A Verdade, atordoada,

Segue o estranho comboio.

Assim joio vira trigo,

E trigo torna-se joio.

 

Só mesmo o Tempo responde

Algumas velhas questões,

Porém o tempo do Tempo

Não cede às vãs ilusões.

 

Quem, sem Razão, não dissipa

As névoas da Falsidade

Vê na Verdade a Mentira

E na mentira a Verdade.

 

E assim, na Estrada da Vida,

Seguem, sem achar o chão,

A Falsidade, a Mentira,

A Justiça e a Razão.

 

Para terminar, me atrevo a compartilhar o meu acróstico:

 

Meu dia começa

Assim com

Risos, cores

Gotas de alegria

Acontecendo pela poesia

Rondando minha vida

Encantando

Tudo o que vivemos

Elevando nossa alma.

 

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Hoje a festa é para São João

24/06/2016

estandarte-sao-joao-batista-menino

São João é tempo de festa
Alegria, animação
Onde o povo faz fogueira
E já é uma tradição
Comer muito milho verde,
Ver quadrilha no salão.

(Francisco Diniz no cordel: “A grande festa do Nordeste”)

 

Hoje é dia de São João e em todos os lugares desse nosso Brasil se rememora e celebra com festas.

Me recordo que na cidade em que nasci, Anadia, em Alagoas, comcemorei muito com fogueira, milho verde assado na brasa, fogos e muita música ao som do forró de Luiz Gonzaga e diversas marchinhas juninas. A marchinha: São João na Roça, de Zé Dantas e Luiz Gonzaga, é uma das minhas preferidas:

A fogueira ta queimando
Em homenagem a São João
O forró já começou
Vamos gente, rapa-pé nesse salão

 

Nas cidades do interior, se comemora na noite do dia 23 para o 24 de junho com muita fogueira e fogos. A fogueira era montada na frente das casas com a imagem de São João muitas vezes ao fundo da casa.

fogueira-de-são-joão-

imagem do Google

 

Poetas, artistas plásticos, músicos, cordelistas e admiradores reverenciam a São João neste dia.

Aqui uma homenagem do artista plástico pernambucano Militão dos Santos para a festa de  São João:

obra de Militão dos Santos

Militão dos Santos-Festa de São João

Finalizo minha homenagen com a canção de Caetano Veloso: São João Xangô Menino, na voz de Maria Bethânia:

VIVA SÃO JOÃO!

13 de junho: dia de Santo Antônio

13/06/2016
Santo-Antônio-de-Pádua-com-o-Menino-Jesus

Santo Antônio de Pádua com o Menino Jesus

 

Junho é um mês de festa. E hoje, 13 de junho é o dia de Santo Antônio.

Aqui, compartilho e republico uma postagem do Blog Cordel Atemporal, de meu amigo Marco Haurélio:

Bendito em louvor de Santo 

Santo Antonio

 

Socorre, Antônio, socorre,
Depressa, incontinenti,
Vai livrar seu pai da forca,
Que vai morrer inocente.

— Você fica aqui em Pádua,
Que eu vou lá em Portugal.
Vou livrar meu pai da forca,
Que sem culpa vai pagar.

Tenha, moço, a justiça,
Daí não consiga mais
E olhe que não é esse
O homem que vós pensais.

Veja que não sou Justino
Nem também falando torto.
Vim aqui justificar
Pela boca de um morto.

Te alevanta, corpo morto,
Vem aqui justificar
Se esse homem te matou
Ou sem culpa vai pagar.

— Esse homem não me matou
Nem por mim ele pecou.
Na hora da minha morte,
Mas ante’ ele me ajudou.

— Ô meu padre Santo Antônio,
Vossa glória é de reis.
Sei que é o padre santo Antônio,
Vencedor de todas leis.

Ô meu padre santo Antônio,
Me diga onde foi morar.
Embora eu não lhe conheça,
Mas mando lhe visitar.

— Oh meu pai, eu sinto muito
De você desconhecido.
Eu sendo seu filho Antônio,
Que de vós eu fui nascido.

Eu me chamava Fernando,
Mudei meu nome pra Antônio
Pra livrar as criaturas
Da tentação do demônio.

Eu de vós não quero nada,
Só quero a vossa benção.
Que eu vou para a Itália
Terminar o meu sermão.

 

Nota: Santo Antônio, segundo o relato tradicional, estava em Pádua, e teve de se deslocar até Lisboa para livrar seu pai, acusado de homicídio, da forca. A lenda descreve dois milagres: a bilocação, capacidade de estar em dois lugares ao mesmo tempo; e a ressurreição do jovem assassinado, que inocentou o pai de Santo Antônio.

A lenda está presente nesta quadra popular:

Santo Antônio é tão santo
Que livrou seu pai da morte
Bem podia Santo Antônio
dar-me uma bonita sorte

(Fernando de Castro Pires de Lima. Um milagre de Santo Antônio. Em LIRA, Marisa. Estudos de folclore luso-brasileiro).

Fonte: Seu Heliodoro (Dorão), já falecido.

Serra do Ramalho, Bahia.

E viva Santo Antônio!

Literatura de Cordel: memória, afetividade e contação de histórias

21/03/2016

Faz muito tempo que aprecio e divulgo, sempre que há oportunidade, a Literatura de Cordel, a poesia e contação de histórias. Nestes últimos dias, percebi que as artes literárias tiveram algumas comemorações: o dia Internacional do Contador de Histórias, no dia 20 de março, e o dia 21 de março é o dia mundial da poesia.

O dia Internacional do Contador de Histórias, 20 de março, foi criado em 1991, na Suécia, e tem como principal objetivo reunir os contadores e promover a prática em todo mundo. Já o dia Mundial da poesia foi  criado em 1999 pela UNESCO,  com o objetivo de estimular a produção e celebrar a poesia como forma de arte em todo o mundo.

No último sábado, dia 19 de março, tive a honra de ser convidada pelo amigo, pesquisador, cordelista e escritor Marco Haurélio para assistir sua palestra: Literatura de Cordel: memória e afetividade. A palestra integrou o I Colóquio  A Contação de Histórias como contribuição à Neuroeducação, que aconteceu no Colégio Passionista, na Zona Norte de São Paulo.

Palestra Marco Haurelio

Palestra Marco Haurélio no Colégio Passionista

Durante sua apresentação, que foi permeada de histórias contadas por meio do cordel, tive vários flashes de memória de quando conheci o Marco Haurélio e do período vivido como estudante de Pedagogia. Naquele período, principalmente no ano de 2008, eu estava pesquisando  para elaborar meu Trabalho de Conclusão de Curso, que teve o tema: Literatura de Cordel – percorrendo os caminhos da poesia.

Como servidora municipal tive a oportunidade de trabalhar nos espaços do Bosque da Leitura e assistir a diversas apresentações de  contadores de histórias, poetas, músicos, cordelistas e  repentistas.

Vanessa Castro - Out/ 2007-Bosque da Leitura Pq.Jd.da Luz

   Vanessa Castro – Out/ 2007-Bosque da Leitura Pq.Jd.da Luz

 

Débora kikuti-maio/ 2009- Bosque da Leitura Parque Jardim da Luz

   Débora Kikuti-maio 2009- Bosque da Leitura Pq Jd. da Luz

 

Elaine Gomes-OUT/2010- no Bosque da Leitura Pq Cidade Toronto

Elaine Gomes-OUT/2010- no Bosque da Leitura Pq Cidade Toronto

 

Repentista Sebastião Marinho no Bosque da Leitura do Parque do Trote -Julho/2012

Repentista Sebastião Marinho no Bosque da Leitura do Parque do Trote -Julho/2012

 

Cordelista João Gomes de Sá-SET 2012-Bosque da Leitura Parque Toronto

Cordelista João Gomes de Sá -SET/2012-Bosque da Leitura Parque Cidade de  Toronto

Tive a oportunidade de ouvir a incrível contadora de histórias Andrea Sousa, contando e encantando  histórias para crianças crescidas, na Semana do Servidor Público, em outubro de 2014, na Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo.

Andrea Sousa - out/2014 Semana do Servidor

       Andrea Sousa – out/2014-Semana do Servidor-SMDHC

Atualmente algumas livrarias promovem contação de histórias, como é o caso da Livraria Cortez, no bairro de Perdizes, e a  Livraria Nove Sete, na Vila Mariana.

A Livraria Cortez, dentre outras atividades, abre suas portas para encontros com poetas, escritores, contadores de histórias, além de periodicamente promover no mês de agosto o evento Cordel na Cortez. Aqui, um pequeno registro por ocasião do lançamento do livro infanto juvenil, de Marco Hauélio: Os doze trabalhos de Hércules, com belíssimas ilustrações de Luciano Tasso. Neste dia, 12 de abril de 2012, também aconteceu uma bonita contação de histórias com o TEATRO DE GAIA .

Os 12 trabalhos de Hércules por Marco Haurélio e ilustrado por Luciano Tasso

Os 12 trabalhos de Hércules por Marco Haurélio e ilustrado por Luciano Tasso

Contação de história na livraria cortez 04-2014

            Contação de história na Livraria Cortez 12/04/2014

No ano passado, em abril de 2015, estive na Livraria Nove Sete no lançamento  do livro infantil: Nem borboleta, nem cobra, de autoria de Marco Haurélio. Naquela ocasião, a contadora de história Lucélia Borges prendeu a atenção de crianças de todas as idades ao contar a história que dá nome ao livro.

Lucélia Borges - contadora de histórias -abril/2015

Lucélia Borges – contadora de histórias -abril/2015

Percebi que ao narrar poeticamente a história, cria-se um laço  mágico entre o contador e os ouvintes, de modo a mantê-los unidos na palavra. Me atrevo a dizer que é a palavra a gênese da transformação em quem fala e, também naquele que ouve, ou seja: na comunicação de coração a coração por meio da história, da poesia que necessita da memória e do afeto para fazer e manter as conexões harmônicas entre as pessoas.

Observando cada um em seu estilo, se percebe que todos têm histórias para contar: quer sejam em forma de narrativas, canções, cantorias ou poesia. Cada um de nós é um contador de histórias e cada um traz uma carga de memória e afetividade na arte da comunicação humana.

Para finalizar e comemorar o DIA INTERNACIONAL DA POESIA recorro à página do Facebook do amigo Pedro Monteiro e tomo emprestado os versos  que ele fez para celebrar nesta data, e sua imagem entre os livros e os cordéis.

Em cada curva da estrada
Um balaio de alegria,
Ou abordo de um veleiro
No mar da sabedoria,
Pelo remanso da calma
Faz-lhe um afago na alma,
Erudição e poesia.

Pedro Monteiro -Poeta e Cordelista

Pedro Monteiro -Poeta e Cordelista

 

Acredito que é muito importante desenvolver o espírito poético e mantê-lo vivo frente às condições históricas atuais.  A Arte é o que nos mantém vivos e humanos.

Um super abraço!