Archive for the ‘REFLEXÃO’ Category

E a Vida?

12/06/2019

” E a vida?
E a vida o que é?
Diga lá, meu irmão
Ela é a batida de um coração
Ela é uma doce ilusão, ê, ô…” (Gonzaguinha)

E é com os versos de Gonzaguinha, que pego emprestado, para retomar a escrita neste blog.

Iniciei este blog em março de 2009. Há dez anos ‘marquei’ meu território no mundo virtual e busquei expressar-me um pouco e deixar dicas e nutrir um pouco este vasto mundo virtual com conteúdos que para mim foram e são significativos.

Na minha última postagem falei do Encontro com o Cordel, no Sesc 24 de Maio, com diversos nomes da poesia popular. Pessoas queridas e temas que para mim são caros e me levam às minhas origens.

Durante este ano pude viver outros encontros: com vários amigos e amigas, com familiares, com companheiros de trabalho, em cursos e palestras e em vários eventos artísticos. E em cada encontro a vida se refazia e se reinventava.

E o tema ‘Encontro’ tem diversas faces, fases, situações e também reencontros.São incontáveis os encontros e reencontros que temos em nossas vidas. Mas, com toda certeza, aprendemos muito e crescemos com cada um deles. Nos encontros renovamos nossas energias, realimentamos o nosso coração que bate mais forte com e disposição para desfrutar de cada momento.

Nesses gratos encontros que a vida me proporcionou, tive a oportunidade de conhecer a psicóloga e coaching Barbara Hilsenbeck . Além do encontro físico, também a encontro nas ondas do mar virtual, por meio de seu canal no You Tube: A Vida é Barbara. Em um dos programas, ouvi a leitura de um texto, que muito me chamou a atenção, cujo título é: Pelos seus olhos. Este texto também se encontra em seu Blog: A Vida é Barbara.

Compartilho aqui o programa apresentado no canal, com o tema: A criança interior, e convido vocês a assistirem:

O texto me encontrou e reavivou outros sentidos que estavam guardados em mim. Desse encontro, surgiu um singelo poema e compartilho aqui:

A VIDA É BARBARA

(de: Barbara Hilsenbeck e Margarete Barbosa)

 

Minha criança,

Não se engane!

O tempo, a idade: 36, 45, 54, 63 …

Pode ser apenas um número.

A vida é reflexo do seu humor

do seu Amor,

do seu coração,

dos seus olhos.

 

Tudo na Vida é bom:

o breu

a luz

a  alegria

a  tristeza.

O seu coração

emana vibrações.

Todas.

 

O Universo habita em ti

e de sua boca saem palavras

que podem elevar o seu Ser,

e dos demais seres.

Reserve as melhores,

e  as espalhe como sementes.

 

Aceite a Luz e a Sombra.

A sua essência transcende

a dualidade.

Você é poesia e

é única vivendo

a Vida que é divina,

que é Presença, porque

a Vida é bárbara!

E a Vida se manifesta nos vários momentos: dos mais simples aos mais complexos, com intensidade e profundidade. E diante dessa abundância e generosidade divina, que o único sentimento que tenho e expresso é o de profunda gratidão.

Um super abraço!

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O Trenzinho do Caipira e do Nicolau

15/10/2015

Ainda na temática infantil, no dia das crianças me lembrei de um episódio que aconteceu  em maio de 2014, quando o Ulisses trouxe um livro do CCI (Centro de Convivência Infantil) 13 de Maio, no Projeto de Leitura.

No Projeto de Leitura, que tinha a orientação e condução da professora Ana Flávia, as crianças  escolhiam um livro, que era lido em sala para elas. Depois o livro escolhido é levado para casa pela criança para que aconteça uma interação com a família, ou seja: a criança ‘conta’, à sua maneira,  a história para seus pais/responsáveis e ou irmãos,  ou ainda os pais podem ler com e para a criança.

Em maio o Ulisses escolheu o livro: O Trenzinho do Nicolau, de Ruth Rocha. Ulisses estava tão empolgado que começou a ler no caminho da escola para casa.  Chegando em casa o pequeno Ulisses pediu para que eu  lesse/contasse a história.

Livro: O trenzinho do Nicolau, de Ruth Rocha

Livro: O trenzinho do Nicolau, de Ruth Rocha

Enquanto eu lia, muitas imagens e lembranças passavam na minha cabeça. Lembrei da música: O trenzinho do Caipira,nas suas versões orquestrada, pois é a Bachiana nº 2 de Villa Lobos; depois,  a versão cantada que tem como letra o poema de Ferreira Gullar. Na versão cantada, existem várias interpretações com grandes e bons intérpretes da MPB.

Depois da leitura, foi a vez apresentar a letra, o som e o vídeo ao pequeno  heroi.  Inicialmente, declamei o poema de Ferreira Gullar , escrito em 1976:

Lá vai o trem com o menino
Lá vai a vida a rodar
Lá vai ciranda e destino
Cidade e noite a girar
Lá vai o trem sem destino
Pro dia novo encontrar
Correndo vai pela terra
Vai pela serra, vai pelo mar
Cantando pela serra do luar
Correndo entre as estrelas a voar
No ar, no ar

Depois da poesia do Ferreira Gullar, chegou o momento de apresentar a música. Procurei no You Tube e achei um vídeo muito simples e artesanal, com a música orquestrada:

Em seguida, mostrei  um vídeo em preto e branco, bem singelo, com a versão cantada por Adriana Calcanhoto:

Depois  de ver o vídeo algumas várias vezes, Ulisses resgatou um pequeno trenzinho que estava ‘escondido’ no fundo do seu  baú de brinquedos, e por algum tempo, ficou curtindo seu brinquedo, esquecendo um pouco os ‘tradicionais’ carrinhos.

Ulisses e o trenzinho

Ulisses e seu trenzinho

Vocês não conhecem  “O Trenzinho do Nicolau” ?
Então escutem uma criança contar a história:

Ainda nesta viagem de trem, lembrei da interpretação de Maria Bethania do Trenzinho Caipira, onde ela faz uma inserção de poesia ” Trem de Alagoas”, do pernanbucano Ascenso Ferreira.
Convido a todos a conhecer esta poesia por meio da bela declamação do grande Paulo Autran:

 O mais interessante nessa viagem  é poder perceber que a escolha de um livro pela criança, pode nos possibilitar outros voos:  na música, na poesia e na história.É interessante notar que tudo isso acontece no universo da educação infantil, que conta com o  profissionalismo e planejamento de bons professores.
Aqui fica o agradecimento de uma mãe no dia dos Professores, ao profissionais que conseguem,  a partir de um livro, de uma leitura,  inserir  e oferecer outros contextos e linguagens às crianças.

No Centro de Convivência Infantil que o pequeno Ulisses frequentou, no bairro da Bela Vista, desde o primeiro ano de vida até os 3 anos e meio, contou com professores atenciosos e dedicados. Profissionais de primeira grandeza, que merecem respeito e reconhecimento de todos e, principalmente, das autoridades/gestores municipais que têm uma grande dívida para com os Professores.

A todos os Professores fica nosso carinho e nossos agradecimentos neste e em todos os dias!

Um super abraço!

Festejando o dia do Blog

31/08/2011

dia do blog

Hoje é um dia de festa na blogosfera: é o Dia do Blog.

Este blog entrou na blogosfera em 2009, desde então temos conhecido muitos outros blogs. Cada blog tem uma particularidade e todos são igualmente interessantes.

Aprendi com o  Mestre Novelino, no seu  Boteco Escola, que o Blog “é um espaço de encontro e de conversas”. E é para continuar com a conversação que venho comemorar e indicar outros espaços de muitas conversas e muito aprendizado.

Aqui vão minhas sugestões, é só clicar no nome do blog para visitar o espaço.

Um Blog muito sensível traz o registro das  superações  de Maria Dolores Fortes Alves  como professora, palestrante, escritora, pesquisadora, mulher e cadeirante. Maria Dolores é um exemplo de mulher forte que não para frente aos obstáculos, quaisquer  que sejam.

 Um blog rico em imagens e experiências pelo Brasil e pelo Mundo, com registro fotográfico do casal Ricardo e Divina. Eles procuram mostrar um pouco da diversidade dos locais por onde estiveram. Divina é pesquisadora no GEPI (Grupo de Estudos e Pesquisas em Interdisciplinaridade) da PUC-SP.

O Blog Vila do Artesão é  compartilhado pela  dupla de curitibanos (Cris Turek e Marcelo Pereto) que  foram morar  na Paraíba, em João Pessoa. No blog vamos desfrutar de um espaço criativo, onde encontraremos muitos trabalhos artesanais, com dicas passo-a-passo de artesanato e sugestões de decoração a baixo custo.

O Blog Sabor e Saber é uma delícia. Ele traz muitas dicas, curiosidades e receitas espetaculares de Ana Maria Tomazoni. Com formação em Pedagogia e especialista em Gastronomia com cursos feitos no exterior Ana Maria Ruiz Tomazoni é também uma pesquisadora, atualmente é doutoranda em Educação e Currículo pela  PUC-SP.

No Blog da paulistana, Mari Busani, encontramos suas  pesquisas, experiências e pensamentos sobre a vida na cidade de São Paulo. Com muitas imagens da cidade, Mari revela nas fotografias e nas suas histórias, muito sentimento  e seu amor por São Paulo com sua diversidade.

Michelle Niedja é uma apaixonada pela leitura,  e o seu  Blog Maníacos por Leitura traz  várias dicas para os apaixonados por livros. No blog encontramos muitas  dicas das sagas literárias mais recentes, além dos livros que Michelle já leu ou está lendo.

Marina Misiara é fisioterapeuta e tem retomado o gosto pela escrita. Em seu blog  encontramos suas crônicas e reflexões, que vem em fornadas e num estilo muito pessoal.

Um bom Dia do Blog e boas visitas!

O retorno, após um período de hibernação

13/06/2011

Olá pessoal!

 Já faz algum tempo que não tenho colocado postagens. Estou de volta, porém devo uma justificativa a vocês.

Como disse no título acima, passei por um período de hibernação. Na verdade, quando escrevi minha última postagem (dia 31.08), eu já estava no sexto mês de gestação.  Em dezembro de 2010 nasceu o meu filho Ulisses.  Após o parto, veio o período de cuidados com o bebê, onde toda a atenção ficou direcionada para o novo integrante da família,  principalmente por ser  o primeiro filho.

Durante esse período, em que estive ausente, eu sempre me fazia a cobrança: “Preciso retomar o blog!”. Mas confesso para vocês que minha cabeça não conseguia se concentrar, todos os meus pensamentos, sentimentos e ações se dirigiam ao meu filho.

No início deste mês percebi que haviam passado quase dez meses sem que eu tivesse feito uma única postagem.  Logo depois, encontro um comentário de Lili muito preocupada com a minha ausência. Foi então que me dei conta de que outras pessoas pudessem estar igualmente preocupadas, e que eu precisava retomar esse canal de comunicação.

Então,  resolvi que estava na hora de terminar a hibernação e ‘sacudir’ os neurônios para voltar a blogar e a escrever.

 Gostaria de agradecer a todos que se preocuparam e estiveram sempre me incentivando a continuar blogando, em especial à Lili do Blog Muçarela.

Então, vamos em frente e ao objetivo deste blog que é conversar sobre Arte, Cultura, Lazer e assuntos afins.

Até a próxima!

Inverno: tempo de recolhimento

21/06/2010

Pintura de Sandra Nunes

Pintura de Sandra Nunes

Hoje, 21 de junho, começa a estação do inverno, para nós do Hemisfério Sul. É o chamado solstício de inverno. Sabemos que o que caracteriza o inverno é o tempo frio, os dias são curtos e as noites longas. O sol ‘nasce’ mais tarde e ‘vai embora’ mais cedo, quase que nos obrigando a ir descansar.  Essas são as características que todos conhecemos, mas eu gostaria de pensar sobre o inverno por outro ponto de vista.

Para isso, fui buscar referências em outras tradições, no caso, na filosofia chinesa, mais precisamente no livro: I CHING – O Livro das Mutações, pois além de ser obra das mais antigas do mundo, é também a base da sabedoria chinesa. O livro é uma compilação de estudos que analisa o mundo e o homem, tomando por base a astronomia e a matemática, entre  outros saberes. É um livro que vale a pena ser estudado com desvelo, uma vez que está repleto de imagens e de profunda simbologia.

Segundo o I CHING, o trigrama que representa a estação do inverno é K’an, cujo símbolo é a água, porém este trigrama simboliza “o esforço a que todos os seres estão sujeitos” e também que é o período de “guardar a colheita no celeiro”, pois o inverno “representa o momento de  concentração”.

Trazendo esses símbolos para nossa vida, podemos perceber que durante o período do inverno tentamos nos ‘poupar’ mais, isto é, procuramos descansar (“guardar a colheita no celeiro”), pois para cumprir a jornada do dia-a-dia, investimos muita energia (“o esforço a que todos os seres estão sujeitos”). Se pararmos para pensar um pouco, é no inverno que normalmente voltamos mais cedo para casa, para o aconchego, “representa o momento de concentração”.  E é aqui nos ‘momentos de concentração’, que entramos em um recolhimento interior, onde podemos refletir e reformular uma série de coisas em nossa vida.

Eu usei três palavras com a letra R:  recolhimento, refletir e reformular. Diria até mesmo que no reformular podemos recriar e recriarmo-nos. É no período do inverno que a Natureza conduz todos os seres a voltarem-se para si, para recriarem-se e ressurgirem na estação seguinte: a primavera.

Trazendo essa ideia para as questões criativas, quer sejam artísticas ou outras áreas de atividade, podemos perceber que para criar, para elaborar, para construir algo é importante: recolher-se, refletir, criar e recriar. Todas as criações, descobertas e invenções passam por esse percurso. Nas Artes, esse percurso é condição sine qua non para as realizações.

Comecei a postagem com uma imagem.  É o quadro: “Urca- Luz de inverno”, da pintora carioca Sandra Nunes. Para se chegar a uma obra como essa, tenho certeza que a pintora precisou passar pelo percurso de interiorização, de que falei há pouco. Pois no recolhimento é possível entrar em contato com percepções e sentimentos que, no caso, foram traduzidos pela técnica da pintura na realização do quadro. Particularmente, gostei tanto  do quadro de Sandra Nunes, que com ele comecei esta postagem, pois penso que tem a ver com a reflexão feita. Recomendo a quem  estiver no Rio de Janeiro a conhecer o trabalho de Sandra Nunes e, também, acessar o site e o seu blog.

Para terminar este momento de reflexão  em forma de postagem, convido  vocês a apreciarem  duas expressões artísticas: a  música e a pintura.  A música é de Vivaldi, é o primeiro movimento (Allegro ma non troppo) do tema: O Inverno, que compõe sua obra “As quatro estações” e a pintura é de Van Gogh. São várias pinturas de Van Gogh  projetadas em slides ao som do tema de Vivaldi.  Para ver e ouvir, basta clicar no vídeo abaixo:


Um super abraço!


O tempo: cronológico e kairológico

24/04/2010

Chronos

No mês de janeiro, fiz uma postagem no dia do Aniversário da Cidade de São Paulo. Todos nós sabemos que a cidade  se desenvolve numa velocidade muito acelerada, e acabamos  por incorporar esse ritmo em nossas vidas. É com velocidade e urgência  que vivemos e fazemos as coisas, estudamos e trabalhamos, e muitas vezes nos falta tempo. Um tempo para o aprofundamento das atividades; um tempo para o lazer, para os encontros com amigos, para a criatividade, e, finalmente, um tempo para nós mesmos, para a nossa qualidade de vida.

Na última postagem falei de minha participação em uma oficina de Mitologia Grega, na Biblioteca Alceu Amoroso Lima. Foi uma vivência muito significativa e inspiradora que recomendo a todos. Tenho certeza de que a experiência permitirá o encontro com outros sentidos e percepções àqueles que participarem das oficinas.

Foi refletindo sobre a questão da velocidade e falta de tempo em São Paulo, e também permitindo ser ‘atravessada’ pelos mitos e metáforas, que escrevi um singelo poema falando sobre os tempos.  Compartilho com vocês o poema: Chronos e Kairós

Chronos e Kairós


Chronos devora seus filhos
com frieza e voracidade,
provocando  ausências,
solidão, distanciamento.
Chronos é o relógio,
o tempo que não volta.
Kairós é o tempo qualificado
da amizade,
do companheirismo,
o tempo da criação,
recriação,
do riso.
O nosso tempo é agora
sempre que nos buscamos,
sempre que nos renovamos
em cada encontro,
e nos prometemos um
novo reencontro
para manter o fogo
que Prometeu
nos presenteou.

Em contato com colegas blogueiros, mostrei o poema acima à equipe do  Blog Sem Limites , que gostou e me solicitou permissão para publicar o poema.  Convido vocês a visitar o espaço de reflexão de nossos colegas. Vale a pena conhecer!

Um abraço!

Leitura para ser e existir

14/01/2010

Olá amig@s blogueir@s!

Estamos no primeiro mês, no último ano da primeira década do século XXI: Janeiro.

Janeiro é o mês dedicado a Janus. Na mitologia romana, o deus Janus possui duas faces, uma que olha o passado e outra que olha para o futuro. É uma imagem que pode nos sugerir algumas leituras e interpretações. Observem na imagem abaixo:

Busto de Jano ( fonte: Wikipédia)

E por falar em leitura, é importante atualizarmos nosso repertório com bons livros, sempre será de grande valia nos diversos momentos de nossa vida.

O educador Paulo Freire disse que “a leitura do mundo precede a leitura da palavra”, e o poeta português Fernando Pessoa escreveu que “quem não vê bem uma palavra não pode ver bem uma alma”. Pensando no que estes dois grandes personagens disseram, percebo que nossas leituras precisam ser não apenas diversificadas, mas com consistência e significado, para que nossa visão de mundo (e do mundo) seja ampliada e sensível. Assim poderemos “ver bem uma alma”, ou seja: a essência das coisas e dos seres. Penso que essa sensibilidade é o que nos permitirá agir e contribuir com as transformações em nossa volta. Para compreender melhor o que tento dizer, faço a indicação de um artigo que li e que recomendo, cujo título é ” Por uma pedagogia do equilíbrio”, é só acessar aqui.

Existem muitos lugares onde podemos desfrutar da leitura, que vão desde os espaços virtuais, os blogs (alguns estão recomendados nesta página) até as bibliotecas. Na cidade de São Paulo também existem os Pontos de Leitura, os Bosques da Leitura, o Ônibus-Biblioteca, além é claro, das Bibliotecas Públicas.

Para finalizar, compartilho com vocês as sugestões de leitura elaboradas pela equipe da Biblioteca Anne Frank. Basta acessar aqui .

Boa leitura!

Um tempo para o tempo

18/12/2009

Amig@s blogueir@s!

E 2009 está terminando…

Quando iniciou o mês de Dezembro ouvi de muitas pessoas o lamento: “Acabou o ano e eu não fiz o que planejei!”, ou ainda: “Puxa! O tempo acabou e eu nem comecei…”

Sempre quando o ano está próximo de seu final, pensamos sobre o tempo: o tempo que passou, o tempo que não deu tempo de fazer as coisas planejadas. Percebo que esse é um período em que  nossa memória faz uma retrospectiva e reavalia renovando os projetos e traçando sonhos.

Na semana passada li um artigo no Caderno Equilíbrio da Folha de São Paulo, muito interessante intitulado: Passagens, de Dulce Critelli, em que faz sua análise sobre a questão do tempo.

Trago o artigo na íntegra e compartilho com vocês desse momento de reflexão:

PASSAGENS

Dulce Critelli

As flores costumam durar poucos dias, um espetáculo dura umas duas horas. Duramos entre um dia e outro, entre um mês e outro, entre os nossos afazeres e compromissos. Duramos entre nosso nascimento e nossa morte.

O tempo é nossa condição de vida. Diz o filósofo alemão Martin Heidegger: o homem não tem tempo, ele é um tempo que se esgota, se emprega, se consome. Por isso, contabilizamos a vida entre antes, agora e depois, entre passado, presente e futuro, entre o logo mais, o há pouco, o neste instante. O interessante é que o tempo é tão presente e imediato que nem o percebemos. E, em épocas de passagens tão convencionais, como o fim de ano, essa consciência parece vir à tona.

Reclamamos por não conseguirmos terminar a tempo nossos afazeres. Lamentamos ter que levar para o próximo ano coisas indesejáveis, como dores, dívidas, desavenças… E não nos conformamos com coisas que não poderemos levar.

Momentos especiais de passagem nos põem de cara com o tempo, especialmente com o futuro. Nossa tradição nunca o privilegiou, embora viva para ele. Privilegiou o passado.

Acredita-se que o passado determina nossa identidade, que ser quem somos, hoje, depende exclusivamente do que já fizemos e dissemos. Mas não é verdade. É o futuro que assegura nossa identidade, pois, se não pudermos continuar agindo como antes, o que fomos não poderá se sustentar.

Não basta ter sido justa minha vida inteira se no próximo gesto eu cometer uma injustiça. É sempre o próximo gesto, o próximo passo, a próxima palavra, aqueles que importam para manter a pessoa que tenho sido. E só eles podem desmanchar no ar uma identidade firmada por toda a vida.

O passado é frágil, porque depende da memória. Perdida a memória, perdido o passado. E o futuro é incerto, porque depende das promessas que fazemos. Se não nos obrigarmos a cumpri-las, pagamos o preço de ficarmos à deriva no mundo, à mercê de contradições e de atender a chamados que não têm a ver com nosso destino.

Embora prioritário na movimentação da vida, o futuro é sempre obscuro. Não porque nos falte o dom de adivinhá-lo, mas porque ele não existe ainda. É feito de sonhos e promessas. Se nossos sonhos se realizarão e nossas promessas serão cumpridas, depende do empenho que vamos dedicar a eles. Mas não é só essa dedicação que garante a realização de sonhos e promessas. Cada gesto que fazemos nessa direção é recebido pelos outros com quem convivemos, que completam nosso gesto e podem dar outro rumo para o que iniciamos.

Nossos atos apenas começam um acontecimento. Provocam reações em cadeia, e seus resultados são sempre imprevisíveis. E serão impossíveis se não contarmos com a colaboração dos outros. Só o sonho que se sonha junto é realidade, cantava Raul Seixas.

Épocas de passagens nos fazem tomar contato com tudo isso. E o que mais exigem de nós é renovação: capacidade de prometer, disponibilidade para conquistar colaboradores e se comprometer com eles, coragem para iniciar e dedicação para empreender.


Para descontrair um pouco, convido a tod@s a ver e ouvir o poema canção: O relógio, de Vinícius de Moraes, com interpretação de Walter Franco. Esta composição integra o Musical: A arca de Noé, também de Vinícius de Moraes.

Um super abraço!