Archive for the ‘Poesia’ Category

Junho

10/06/2012

Aqui, em Sampa, o mês de junho começou com muito frio, convidando-nos às bebidas quentes, leituras, cinema, pipoca e muita ‘preguiça’.

Ontem, visitando os meus amigos Marco Haurélio e Pedro Monteiro  no Facebook, encontrei música e poesia vinda do agreste pernambucano; mais precisamente de São Bento do Una, pela voz de Alceu Valença.Compartilho com vocês a poesia e a música:

Junho

Alceu Valença

 

Eu sei que é junho, o doido e gris seteiro
Com seu capuz escuro e bolorento
As setas que passaram com o vento
Zunindo pela noite, no terreiro
Eu sei que é junho!

Eu sei que é junho, esse relógio lento
Esse punhal de lesma, esse ponteiro,
Esse morcego em volta do candeeiro
E o chumbo de um velho pensamento

Eu sei que é junho, o barro dessas horas
O berro desses céus, ai, de anti-auroras
E essas cisternas, sombra, cinza, sul

E esses aquários fundos, cristalinos
Onde vão se afogar mudos meninos
Entre peixinhos de geléia azul
Eu sei que é junho!

Eu sei que é junho, o doido e gris seteiro
Com seu capuz escuro e bolorento
As setas que passaram com o vento
Zunindo pela noite, no terreiro
Eu sei que é junho!

Eu sei que é junho, esse relógio lento
Esse punhal de lesma, esse ponteiro,
Esse morcego em volta do candeeiro
E o chumbo de um velho pensamento

Eu sei que é junho, o barro dessas horas
O berro desses céus, ai, de anti-auroras
E essas cisternas, sombra, cinza, sul

E esses aquários fundos, cristalinos
Onde vão se afogar mudos meninos
Entre peixinhos de geléia azul
Eu sei que é junho!

Agora, convido a todos para a música:

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Para lembrar e sentir

23/05/2012

Desde o início do ano se tem falado, e  lembrado, dos trinta anos da ausência de Elis Regina.

Quando Elis deixou o Planeta Terra, eu tinha apenas 12 anos. Trago na minha memória um pouco desse momento e do impacto que foi a perda. Naquela época eu conhecia pouco suas interpretações. Apenas depois que a estrela se foi, fui me aproximando de seu brilho, sem nunca vê-lo em sua totalidade .

Não tenho muito o que falar. Sinto Elis por meio de suas interpretações. Destaco três, com poéticas distintas e formidáveis interpretações: A primeira é ‘Redescobrir’, de Gonzaguinha.  A segunda é ‘Vento de maio’, de Márcio Borges e Telo Borges; e a  terceira é ‘A dama do apocalipse’, composição de  Nathan Marques e Crispim Del Cistia.

Aqui estão:

Primeiro: ‘Redescobrir’

Agora é vez de: ‘Vento de Maio’

E para finalizar, ‘A dama do apocalipse’

Um super abraço!

Natal: época de poesia

24/12/2011

O Natal chegou e o ano está terminando… Mas antes de 2011 terminar, gostaria de compartilhar algumas coisas com vocês.

Primeiro, compartilho um poema feito em parceria com meu esposo José Ivanilson. Segue o poema:

Gostaria de compartilhar também algumas fotografias que fiz, em dezembro de 2010, quando o Parque Ibirapuera teve uma grande e maravilhosa árvore de Natal.  Este ano ainda não fui visitar a árvore atual. Esse é um passeio que desejo fazer antes de 2011 se despedir de nós.

Segue a montagem com as fotografias que fiz.

árvore de Natal no Parque Ibirapuera em 2010

Para vocês, o meu abraço de Feliz Natal!

Motivos para lembrar e comemorar a infância

12/10/2011

crianças no parque - fotografia com aplicação de textura: Margarete Barbosa

Hoje é o ‘Dia das Crianças’ e  para o comércio é o dia  para alavancar as vendas. Mas para quem tem um filho, todo dia é o Dia das Crianças, dos Pais e das Mães, enfim, todo dia é o Dia da Família.

Muito mais que racionalizar, quero apenas curtir como criança e como mãe. Acredito que para os pais não faltam motivos para lembrar, comemorar e curtir a infância. E uma das maneiras de apreciar esse dia é com poesia e música.

A poesia é do carioca Casimiro de Abreu: Meus oito anos. Um poema rico em imagens saudosas da infância do poeta. Acredito que  muitos de nós  já viveu um pouco  do que Casimiro descreve em seus versos. Segue o poema:

Meus oito anos

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

Como são belos os dias
Do despontar da existência!
— Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é — lago sereno,
O céu — um manto azulado,
O mundo — um sonho dourado,
A vida — um hino d’amor!

Que aurora, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d’estrelas,
A terra de aromas cheia
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!

Oh! dias da minha infância!
Oh! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minhã irmã!

Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Da camisa aberta o peito,
— Pés descalços, braços nus —
Correndo pelas campinas
A roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!

Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo.
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!

—————–

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

Fonte: Para ler e pensar

E agora a música. Convido todos para ouvir e  curtir a canção: Bola de Meia, Bola de Gude, de Milton Nascimento e Fernando Brant.

Um super abraço!

Ulisses: a presença do mito

07/07/2011

Capa do DVD filme: A Odisséia

“Odisseia é a sequência de Ilíada e ambos são poemas épicos da  Grécia Antiga, atribuídos a Homero (…). Seguindo originalmente a tradição oral, os poemas eram contados por um aedo, ou rapsodo e destinados mais a serem cantados do que lidos.

A Odisseia foi escrita num dialeto poético que não pertence a qualquer região definida, sendo composta por 12.110 versos no hexâmetro dactílico e conta as aventuras  do herói grego Odisseu (ou Ulisses, pela mitologia romana), rei de Ítaca (no sul do Mar Adriático) na longa viagem de volta para casa, após a guerra de Troia (…)  A palavra odisseia passou a significar, na maioria das línguas, qualquer viagem longa e difícil, com características épicas.” (Jolanda Gentilezza)

Olá!

Nesta postagem trago dois assuntos: o cultural (que já faz parte das intenções deste blog)  e o pessoal.

 O componente cultural já vem destacado no início da postagem com a citação acima da professora, atriz, teatróloga e diretora, Jolanda Gentilezza, para falar de Ulisses (Odisseu). A professora Jolanda fez um resumo muito rico da obra A Odisseia e, muito gentilmente, está compartilhando conosco o seu texto. É só clicar aqui, na seção Páginas, para ler e se deliciar com o conteúdo.

Como eu havia falado em postagem anterior, Ulisses também é o nome de meu filho, e este é o componente pessoal, pois recebi pedidos de amigos para que eu falasse e o apresentasse, aqui no blog. Como mãe, sou suspeita para falar. Entretanto, posso dizer que a escolha do nome está diretamente relacionada ao mito narrado por Homero, mas também a um garotinho que conheci há uns dois anos, enquanto estava na sala de espera de uma clínica. Eu estava aguardando o atendimento quando chegou o pequeno Ulisses com sua mãe e irmão, e naquela ocasião ele devia ter os seus  quatro ou cinco anos. Foi simpatia à primeira vista. Logo começamos a conversar, e aquele menino praticamente me deu uma aula, pois ao segurar um raio X, ele dizia que ali, no seu pulmão, tinha um estreptococos, e que o médico iria dar um remédio para ele sarar. Claro que a explicação para o seu processo gripal me impressionou, e mais ainda por ele ter me dado um termo científico para o seu problema. Logo fui chamada para minha consulta e nunca mais vi aquele herói mirim, entretanto sua imagem e significados ficaram comigo.

O mitólogo Joseph Campbel, em seu livro O Poder do Mito, no capítulo em que fala sobre os arquétipos e as imagens míticas, diz que  “passam de geração a geração, quase inconscientemente” e que “elas  falam de um profundo mistério de você mesmo”. Segundo  Campbel, os mitos ‘revelam mensagens’ e nos ajudam a “experimentar o mundo nos abrindo para o transcendente”. Bem, para mim a mensagem do mito de Ulisses tem muito a ver com: paciência, persistência, coragem, determinação, inteligência e superação. Para compreender o que tento dizer, convido-os a ler com carinho o artigo da professora Jolanda Gentilleza.

Para finalizar, deixo abaixo algumas imagens fotográficas onde eu, meu esposo Ivanilson e amigos estamos com nosso pequeno/grande Ulisses. Com Ulisses recriamos nossa visão de e do mundo e, principalmente, vivemos a arte de  ser  aprendizes, sempre com muita alegria!

eu e Ulisses saindo da maternidade

eu e Ulisses 1º mês

aos 4 meses no 81º aniversário da vovó Neuza, com mamãe Margarete e papai Ivanilson

aos 6 meses com a amiga Catarina

Deixo duas  sugestões: a primeira é assistir ao filme: A Odisséia, uma produção de Francis Ford Coppola, com excelentes atores, incluindo a belíssima Isabella Rosselini, no papel da Deusa Atena. A imagem no início desta postagem é a capa do DVD do filme. Vocês podem baixar o filme na internet, ver pelo You Tube ou alugar em alguma locadora.  Pelo You Tube há uma versão legendada, porém em dezesseis partes. Coloco abaixo a primeira parte, para quem se interessar, e a partir dela pode-se chegar a ver todo o filme. Esse é um bom exercício de persistência e paciência.

A segunda sugestão é a leitura do clássico de Homero. Há também uma versão infanto juvenil para a Odisséia, da Coleção Grandes Aventuras – Editora Abril.

Um grande abraço!

A leitura nos humaniza

18/06/2011

Olá!

Chegou o final de semana e podemos nos perguntar: o que vou fazer de bom? Se vocês me permitem, tenho algumas sugestões:

Para aqueles que apreciam a Literatura de Cordel, aqui vão algumas dicas: no dia 19/06, no SESC Belenzinho e dia 23/06, no SESC Ipiranga, acontecerá a apresentação do escritor, cordelista e educador César Obeid. César apresentará a riqueza dos mitos do nosso folclore, nas diversas modalidades da literatura de cordel.  Para ver a apresentação de César Obeid no SESC Belenzinho, clique aqui; e para ver no SESC Ipiranga, basta clicar aqui.

O escritor e cordelista César Obeid é um grande amigo,  tive a oportunidade  de acompanhar sua trajetória profissional com o Cordel, desde quando ele me apresentou o Teatro de Cordel. Clique aqui para acessar seu site.

Já para os que preferem intercambiar leituras e livros, a boa opção é a Feira de Troca de Livros e Gibis que vai acontecer  dia 19/06 no Parque Ecológico Lydia Natalízio Diogo, na Vila Prudente. Clique aqui para ver o endereço e horário.

A Feira de Troca de Livros e Gibis começou em 2007, inicialmente aconteceu em três parques municipais. Durante o ano de 2011, aproximadamente dez parques  receberão a Feira de Troca de Livros e Gibis, pois a procura e a necessidade de trocar leituras é muito grande. Isso demonstra que as pessoas desejam a leitura, tanto quanto outras necessidades vitais para o desenvolvimento do ser humano.

Segue o cartaz da programação deste ano:

Em novembro de 2007, estive presente no Parque da Luz e naquela ocasião aconteceu a Feira de Troca de Livros e Gibis, que registrei em fotos. Nas fotografias vocês verão a maravilha que foi e é esse evento.

Acredito que a leitura nos humaniza, sempre.

Um super abraço!

O tempo: cronológico e kairológico

24/04/2010

Chronos

No mês de janeiro, fiz uma postagem no dia do Aniversário da Cidade de São Paulo. Todos nós sabemos que a cidade  se desenvolve numa velocidade muito acelerada, e acabamos  por incorporar esse ritmo em nossas vidas. É com velocidade e urgência  que vivemos e fazemos as coisas, estudamos e trabalhamos, e muitas vezes nos falta tempo. Um tempo para o aprofundamento das atividades; um tempo para o lazer, para os encontros com amigos, para a criatividade, e, finalmente, um tempo para nós mesmos, para a nossa qualidade de vida.

Na última postagem falei de minha participação em uma oficina de Mitologia Grega, na Biblioteca Alceu Amoroso Lima. Foi uma vivência muito significativa e inspiradora que recomendo a todos. Tenho certeza de que a experiência permitirá o encontro com outros sentidos e percepções àqueles que participarem das oficinas.

Foi refletindo sobre a questão da velocidade e falta de tempo em São Paulo, e também permitindo ser ‘atravessada’ pelos mitos e metáforas, que escrevi um singelo poema falando sobre os tempos.  Compartilho com vocês o poema: Chronos e Kairós

Chronos e Kairós


Chronos devora seus filhos
com frieza e voracidade,
provocando  ausências,
solidão, distanciamento.
Chronos é o relógio,
o tempo que não volta.
Kairós é o tempo qualificado
da amizade,
do companheirismo,
o tempo da criação,
recriação,
do riso.
O nosso tempo é agora
sempre que nos buscamos,
sempre que nos renovamos
em cada encontro,
e nos prometemos um
novo reencontro
para manter o fogo
que Prometeu
nos presenteou.

Em contato com colegas blogueiros, mostrei o poema acima à equipe do  Blog Sem Limites , que gostou e me solicitou permissão para publicar o poema.  Convido vocês a visitar o espaço de reflexão de nossos colegas. Vale a pena conhecer!

Um abraço!

Entre zarzuela e poesia

26/03/2010

Olá, Amigo@s  blogueir@s!

Eu não sumi, apenas dei de uma breve pausa e já estou de volta à blogosfera.

Em fevereiro tirei alguns dias de férias, e fui visitar a Paraíba. Em breve compartilharei com vocês um pouco desse passeio.

Eu posso até tirar férias, mas São Paulo não para e, como sempre, muita coisa anda acontecendo na cidade.  Entre os eventos que acontecem em Sampa trago a indicação da colega Roseane Soares, que conheci recentemente.  Roseane me indicou o espetáculo “El niño Judio”, que acontecerá nos dias 27 e 28 de março no Teatro São Pedro.

Segundo o site do teatro, o espetáculo “El Niño Judio” é uma zarzuela em dois atos com ação ambientada em diferentes lugares exóticos, como a cidade de Madrid (Espanha), Aleppo (Síria) e Hindustão (Índia). Esta obra de Pablo Luna faz uma combinação de elementos que proporcionam a fruição de um espetáculo deslumbrante e ao mesmo tempo divertido. O espetáculo ainda é composto por solistas, a Orquestra Jovem Municipal de Guarulhos, que será regida pelo maestro Emiliano Patarra, além de um Coro de 12 vozes e 6 bailarinos.

No próximo domingo, dia 28 acontecerá no Espaço Cultural da Casa das Rosas, o Sarau dos Poetas, das 15h às 17h, com entrada Franca

Vale a pena conferir!

Um super abraço!

Um encontro com Ferreira Gullar

18/01/2010

Amig@s blogueir@s!

Quando eu nasci, José Ribamar Ferreira havia sido preso pelo AI-5. Eu não tinha a menor ideia do que era isso. Somente tomei conhecimento desse tal AI-5 na escola, por volta dos 13/14 anos, nas aulas de História.

Conheci Ferreira Gullar no início de minha adolescência. Tal qual a maioria dos meus amigos adolescentes, eu estava ‘buscando’ um lugar no mundo, sem ter sequer a noção do que realmente queria… Naquela fase, Gullar me falou sobre “Traduzir-se”, no poema que transcrevo abaixo:

(fonte:Luso Poemas)

Nesse último domingo, reencontrei Ferreira Gullar. Ele estava lá, no Bosque da Leitura, no Parque Cidade de Toronto .

A sua cor, amarelo, me atraiu. Peguei-o suave e ternamente. Busquei-o nas páginas do Círculo do Livro. Minhas dúvidas de adolescente ressurgiram na memória. Achei graça nelas… Não as vejo mais como dúvidas, e, então, elas se dispersaram…

Continuei a folheá-lo. Meu Deus, como Gullar é maravilhoso…

Nesse reencontro, Gullar me falou o seguinte:

Naquele domingo nublado, o Sol veio também ao nosso encontro e afastou as nuvens escuras, seu brilho aqueceu o carinho e a sensibilidade entre mim e Gullar. Reconheci muitas mudanças  neste reencontro e senti minha semana começar com expressividade poética.

Valeu Gullar!

Um abraço em tod@s!