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Comemorando o dia nacional da poesia

14/03/2017

Hoje, 14 de março, é comemorado o dia do livreiro e, por ser a data em que nasceu ANTÔNIO FREDERICO DE CASTRO ALVES, é celebrado o DIA NACIONAL DA POESIA.

Apesar de uma vida breve, pois viveu apenas 24 anos, o poeta Castro Alves teve uma intensa produção literária. Aos 17 anos fez suas primeiras poesias, linguagem na qual se tornou mestre com seus poemas líricos e heroicos. Foi consagrado aos 21 anos com a apresentação pública de Tragédia no Mar, que mais tarde ganhou o nome de Navio Negreiro. Seu trabalho literário defendia as causas morais, sociais, a abolição da escravatura e a república. 

Para comemorar e lembrar este dia, convido a todos para ouvir Caetano Veloso e uma parte do longo poema NAVIO NEGREIRO:

Mas…o que é poesia?

Segundo o Wikipédia “é uma das sete artes tradicionais, pela qual a linguagem humana é utilizada com fins estéticos ou críticos”.

Para mim é um modo de sentir a vida, com suas alegrias e seus pesares. A poesia está em todos os lugares, quer seja de forma luminosa ou lúgubre. Desde  minha adolescência,  vivo e sinto estas duas formas de poesia com  intensidade, que podem ser representadas no poema de Carlos Drummond: O amor bate na aorta

Cantiga de amor sem eira nem beira,
Vira o mundo de cabeça para baixo,
Suspende a saia das mulheres,
Tira os óculos dos homens,
O amor, seja como for, é o amor.
Meu bem, não chores, hoje tem filme de Carlito.
O amor bate na porta, amor bate na aorta,
Fui abrir e me constipei.
Cardíaco e melancólico, o amor ronca na horta entre pés de laranjeira
Entre uvas meio verdes e desejos já maduros.
Entre uvas meio verdes,  meu amor, não te atormentes.
Certos ácidos adoçam a boca murcha dos velhos
E quando os dentes não mordem e quando os braços não prendem
O amor faz uma cócega, o amor desenha uma curva e propõe uma geometria.
Amor é bicho instruído.
Olha: o amor pulou o muro,o amor subiu na árvore em tempo de se estrepar.
Pronto, o amor se estrepou.
Daqui estou vendo o sangue que corre do corpo andrógeno.
Essa ferida, meu bem às vezes não sara nunca, às vezes sara amanhã.
Daqui estou vendo o amor irritado, desapontado, mas também vejo outras coisas:
Vejo beijos que se beijam, ouço mãos que se conversam e que viajam sem mapa.
Vejo muitas outras coisas que não ouso compreender…

Carlos Drummond de Andrade

Destaco aqui dois poetas contemporâneos: José Ivanilson e Marco Haurélio.

De José Ivanilson:  Alma da palavra

 

Palavra

Noiva do vento

Vai aonde almeja ir

 

Fio da palavra

Perseguir

Labirinto

Rumo certo

Descobrir

 

Mistério da criação

Do coração

 

O mistério do amor

E da paixão

 

Se a dor de viver

É de matar

Monstro do labirinto

Vencerá

 

Conquistar o amor

Reaver bem-querer

 

A quimera

Que era outrora

Imaginária

 

Ora é fera

Que devora

Toda a era

 

Nova Era

Vem da Era

Que evapora

 

Toda espera

Gera o coração

Do agora

 

Ao verão

A primavera

Chora

 

Ao outono

Entrega o céu

E vai embora

 

Ao inverno

A primavera

Espera

 

Ao outono

O inverno é

abandono

 

A palavra salva alma

Quando a aura é clara

 

A palavra clara salva a aura d’alma

Aura clara salva alma da palavra

 

Salva alma clara aura da palavra

A palavra alma salva aura clara

 

A palavra salva alma clara aura

Aura da palavra salva alma clara

 

Alma da palavra clara salva aura


José Ivanilson

 

Do poeta Marco Haurélio: Alegoria

 

Por uma estrada comprida

Vão a Verdade e a Mentira.

Uma afirma e a outra nega,

Uma põe e a outra tira.

 

Ao lado de ambas caminha

Uma intrusa, a Falsidade.

Esta, apontando a Mentira

Diz se tratar da Verdade.

 

A Justiça ainda tenta

A Verdade defender,

Mas, com os olhos vendados,

Bem pouco pode fazer.

 

A Razão também procura

Algum esclarecimento,

Porém Razão sem Justiça

É mesa sem alimento.

 

A Verdade, atordoada,

Segue o estranho comboio.

Assim joio vira trigo,

E trigo torna-se joio.

 

Só mesmo o Tempo responde

Algumas velhas questões,

Porém o tempo do Tempo

Não cede às vãs ilusões.

 

Quem, sem Razão, não dissipa

As névoas da Falsidade

Vê na Verdade a Mentira

E na mentira a Verdade.

 

E assim, na Estrada da Vida,

Seguem, sem achar o chão,

A Falsidade, a Mentira,

A Justiça e a Razão.

 

Para terminar, me atrevo a compartilhar o meu acróstico:

 

Meu dia começa

Assim com

Risos, cores

Gotas de alegria

Acontecendo pela poesia

Rondando minha vida

Encantando

Tudo o que vivemos

Elevando nossa alma.

 

Hoje a festa é para São João

24/06/2016

estandarte-sao-joao-batista-menino

São João é tempo de festa
Alegria, animação
Onde o povo faz fogueira
E já é uma tradição
Comer muito milho verde,
Ver quadrilha no salão.

(Francisco Diniz no cordel: “A grande festa do Nordeste”)

 

Hoje é dia de São João e em todos os lugares desse nosso Brasil se rememora e celebra com festas.

Me recordo que na cidade em que nasci, Anadia, em Alagoas, comcemorei muito com fogueira, milho verde assado na brasa, fogos e muita música ao som do forró de Luiz Gonzaga e diversas marchinhas juninas. A marchinha: São João na Roça, de Zé Dantas e Luiz Gonzaga, é uma das minhas preferidas:

A fogueira ta queimando
Em homenagem a São João
O forró já começou
Vamos gente, rapa-pé nesse salão

 

Nas cidades do interior, se comemora na noite do dia 23 para o 24 de junho com muita fogueira e fogos. A fogueira era montada na frente das casas com a imagem de São João muitas vezes ao fundo da casa.

fogueira-de-são-joão-

imagem do Google

 

Poetas, artistas plásticos, músicos, cordelistas e admiradores reverenciam a São João neste dia.

Aqui uma homenagem do artista plástico pernambucano Militão dos Santos para a festa de  São João:

obra de Militão dos Santos

Militão dos Santos-Festa de São João

Finalizo minha homenagen com a canção de Caetano Veloso: São João Xangô Menino, na voz de Maria Bethânia:

VIVA SÃO JOÃO!

Literatura de Cordel: memória, afetividade e contação de histórias

21/03/2016

Faz muito tempo que aprecio e divulgo, sempre que há oportunidade, a Literatura de Cordel, a poesia e contação de histórias. Nestes últimos dias, percebi que as artes literárias tiveram algumas comemorações: o dia Internacional do Contador de Histórias, no dia 20 de março, e o dia 21 de março é o dia mundial da poesia.

O dia Internacional do Contador de Histórias, 20 de março, foi criado em 1991, na Suécia, e tem como principal objetivo reunir os contadores e promover a prática em todo mundo. Já o dia Mundial da poesia foi  criado em 1999 pela UNESCO,  com o objetivo de estimular a produção e celebrar a poesia como forma de arte em todo o mundo.

No último sábado, dia 19 de março, tive a honra de ser convidada pelo amigo, pesquisador, cordelista e escritor Marco Haurélio para assistir sua palestra: Literatura de Cordel: memória e afetividade. A palestra integrou o I Colóquio  A Contação de Histórias como contribuição à Neuroeducação, que aconteceu no Colégio Passionista, na Zona Norte de São Paulo.

Palestra Marco Haurelio

Palestra Marco Haurélio no Colégio Passionista

Durante sua apresentação, que foi permeada de histórias contadas por meio do cordel, tive vários flashes de memória de quando conheci o Marco Haurélio e do período vivido como estudante de Pedagogia. Naquele período, principalmente no ano de 2008, eu estava pesquisando  para elaborar meu Trabalho de Conclusão de Curso, que teve o tema: Literatura de Cordel – percorrendo os caminhos da poesia.

Como servidora municipal tive a oportunidade de trabalhar nos espaços do Bosque da Leitura e assistir a diversas apresentações de  contadores de histórias, poetas, músicos, cordelistas e  repentistas.

Vanessa Castro - Out/ 2007-Bosque da Leitura Pq.Jd.da Luz

   Vanessa Castro – Out/ 2007-Bosque da Leitura Pq.Jd.da Luz

 

Débora kikuti-maio/ 2009- Bosque da Leitura Parque Jardim da Luz

   Débora Kikuti-maio 2009- Bosque da Leitura Pq Jd. da Luz

 

Elaine Gomes-OUT/2010- no Bosque da Leitura Pq Cidade Toronto

Elaine Gomes-OUT/2010- no Bosque da Leitura Pq Cidade Toronto

 

Repentista Sebastião Marinho no Bosque da Leitura do Parque do Trote -Julho/2012

Repentista Sebastião Marinho no Bosque da Leitura do Parque do Trote -Julho/2012

 

Cordelista João Gomes de Sá-SET 2012-Bosque da Leitura Parque Toronto

Cordelista João Gomes de Sá -SET/2012-Bosque da Leitura Parque Cidade de  Toronto

Tive a oportunidade de ouvir a incrível contadora de histórias Andrea Sousa, contando e encantando  histórias para crianças crescidas, na Semana do Servidor Público, em outubro de 2014, na Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo.

Andrea Sousa - out/2014 Semana do Servidor

       Andrea Sousa – out/2014-Semana do Servidor-SMDHC

Atualmente algumas livrarias promovem contação de histórias, como é o caso da Livraria Cortez, no bairro de Perdizes, e a  Livraria Nove Sete, na Vila Mariana.

A Livraria Cortez, dentre outras atividades, abre suas portas para encontros com poetas, escritores, contadores de histórias, além de periodicamente promover no mês de agosto o evento Cordel na Cortez. Aqui, um pequeno registro por ocasião do lançamento do livro infanto juvenil, de Marco Hauélio: Os doze trabalhos de Hércules, com belíssimas ilustrações de Luciano Tasso. Neste dia, 12 de abril de 2012, também aconteceu uma bonita contação de histórias com o TEATRO DE GAIA .

Os 12 trabalhos de Hércules por Marco Haurélio e ilustrado por Luciano Tasso

Os 12 trabalhos de Hércules por Marco Haurélio e ilustrado por Luciano Tasso

Contação de história na livraria cortez 04-2014

            Contação de história na Livraria Cortez 12/04/2014

No ano passado, em abril de 2015, estive na Livraria Nove Sete no lançamento  do livro infantil: Nem borboleta, nem cobra, de autoria de Marco Haurélio. Naquela ocasião, a contadora de história Lucélia Borges prendeu a atenção de crianças de todas as idades ao contar a história que dá nome ao livro.

Lucélia Borges - contadora de histórias -abril/2015

Lucélia Borges – contadora de histórias -abril/2015

Percebi que ao narrar poeticamente a história, cria-se um laço  mágico entre o contador e os ouvintes, de modo a mantê-los unidos na palavra. Me atrevo a dizer que é a palavra a gênese da transformação em quem fala e, também naquele que ouve, ou seja: na comunicação de coração a coração por meio da história, da poesia que necessita da memória e do afeto para fazer e manter as conexões harmônicas entre as pessoas.

Observando cada um em seu estilo, se percebe que todos têm histórias para contar: quer sejam em forma de narrativas, canções, cantorias ou poesia. Cada um de nós é um contador de histórias e cada um traz uma carga de memória e afetividade na arte da comunicação humana.

Para finalizar e comemorar o DIA INTERNACIONAL DA POESIA recorro à página do Facebook do amigo Pedro Monteiro e tomo emprestado os versos  que ele fez para celebrar nesta data, e sua imagem entre os livros e os cordéis.

Em cada curva da estrada
Um balaio de alegria,
Ou abordo de um veleiro
No mar da sabedoria,
Pelo remanso da calma
Faz-lhe um afago na alma,
Erudição e poesia.

Pedro Monteiro -Poeta e Cordelista

Pedro Monteiro -Poeta e Cordelista

 

Acredito que é muito importante desenvolver o espírito poético e mantê-lo vivo frente às condições históricas atuais.  A Arte é o que nos mantém vivos e humanos.

Um super abraço!

A Primavera Urbana

04/12/2015

Estamos na reta final da estação das flores, e o verão está próximo de seu início. Em minhas andanças em Sampa  vi e registrei muitas flores e árvores, cenas da primavera urbana.  Pude acompanhar o desabrochar de algumas rosas e ver muitas folhas nascerem nas árvores, crescerem  e caírem, para que novas pudessem nascer. Hoje, faço uma seleção de meus registros fotográficos que começou um pouco antes do Equinócio da Primavera.

Abrindo a janela do meu quarto, vejo algumas árvores e conforme o tempo passa, consigo acompanhar as transformações que a natureza apresenta diariamente.  No  dia 22 de julho, quando estávamos em pleno  inverno, vejo este ‘quadro’ :

JULHO 22-07-2015-Margarete Barbosa

 

Em  meados de agosto, no dia 17 , o quadro já apresentava algumas mudanças e árvores vi muitas folhas sendo levadas pelo vento:

AGOSTO 17-08-2015-Margarete Barbosa

 

No início de setembro já podemos ver uma transformação mais intensa. Vejam só o quadro no dia 03 de setembro:

03-09-15-Margarete Barbosa

 

A Primavera começou no dia 23 de setembro, e alguns dias depois vejo que ela começa a se expressa com todo seu esplendor, com as copas das árvores recheadas de folhas e algumas flores:

 

27-09-15-Sibipirunas por Margarete Batrbosa

 

No dia 06 de outubro, o ‘quadro’ estava mais florido:

Sibipirunas em 06-10-2015 foto :Margarete Barbosa

Estas árvores são chamadas de Sibipirunas e Tipuanas. São árvores muito comuns nas cidades. Podemos encontrar em muitas ruas de São Paulo, e suas flores quando caem deixam um belo tapete amarelo nas ruas e nas calçadas. Não sei dizer qual é qual, mas se fizermos uma visita curiosa ao Blog da minha amiga Neuza Guerreiro de Carvalho, poderemos conhecer um pouco das semelhanças e diferenças dessas espécies.  Neuza pesquisou sobre o assunto com muita competência e compartilhou conosco no seu Blog da Vovó Neuza. Vale muito a pena fazer uma visita ao Blog, lá tem muitas, muitas histórias e memórias.

E foi numa das visitas que fiz à Neuza que fotografei, do 10° andar de seu apartamento, as copas das Sibipirunas e Tipuanas. Vejam este registro que fiz no último dia 10 de outubro:

rua cerro corá-sibipirunas e tipuanas- Margarete Barbosa

rua cerro corá-sibipirunas e tipuanas- Margarete Barbosa

 

A Primavera da cidade de São Paulo mostrou também outras cores. E caminhando para meu local de trabalho na região da Lapa, pude encontrar alguns ‘quadros’ com imagens primaveris, como por exemplo esta árvore, que eu desconheço o nome mas que me deu a impressão de querer sair do quintal da casa e invadir a rua:

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Nesta mesma rua e calçada percebi outras flores, como as que encontrei em frente a um salão de beleza, após  uma chuvada:

foto:Margarete Barbosa

rosas por Margarete Barbosa

 

É interessante caminhar e observar nos quintais das casas que muitas plantas são bem cuidadas. É o caso dessa planta ornamental chamada de Heliconia, conhecida também como Caeté ou, ainda: Bananeira do Mato. Vejam só:

helicônia ou bananeira do mato- caete por Margarete Barbosa

 

Caminhando  com meu filho, ele chamou minha atenção ao jardim de um prédio, pois ele viu um tipo diferente de azaléia:

Azaleia por Margarete Barbosa

 

Um dos momentos prazerosos dessa Primavera foi poder  acompanhar o desabrochar de uma rosa:

Rosa rosa por Margarete Barbosa

 

E o que me chamou a atenção foi ver que romãs são cultivadas em alguns jardins de prédios em São Paulo e também nas esquinas de calçadas na cidade, vejam só:

romã por Margarete Barbosa

 

romã no Bom Retiro por Margarete Barbosa

 

Andando pela Vila Romana, podemos ver outras cores da Primavera:

Vila Romana - Margarete Barbosa

 

Na calçada as árvores e suas flores desenharam um belo tapete amarelo:

árvores e flores amarelas-Margarete Barbosa

Destaco a fotografia abaixo que traz em primeiro plano um manacá da serra bem florido. Destaco em segundo plano, o verde vivo que brota do concreto. É a vida pulsante que saí do fundo do concreto da selva de pedra. Como diria Gonzaguinha: “É a vida, é bonita e é bonita…”

Vila Romana-Margarete Barbosa

Para finalizar, destaco o registro feito por meu esposo, José Ivanilson,  de uma borboleta que ele viu no jardim do condomínio. Ele conseguiu fotografar a mesma borboleta com as asas fechadas e abertas.

borboletas blog da Margarete Barbosa

 

E com imagem desta borboleta, que representa a Transformação a que todos os seres passam em sua existência, que finalizo esta postagem da Primavera Urbana 2015.

Um super abraço!

 

 

 

O Trenzinho do Caipira e do Nicolau

15/10/2015

Ainda na temática infantil, no dia das crianças me lembrei de um episódio que aconteceu  em maio de 2014, quando o Ulisses trouxe um livro do CCI (Centro de Convivência Infantil) 13 de Maio, no Projeto de Leitura.

No Projeto de Leitura, que tinha a orientação e condução da professora Ana Flávia, as crianças  escolhiam um livro, que era lido em sala para elas. Depois o livro escolhido é levado para casa pela criança para que aconteça uma interação com a família, ou seja: a criança ‘conta’, à sua maneira,  a história para seus pais/responsáveis e ou irmãos,  ou ainda os pais podem ler com e para a criança.

Em maio o Ulisses escolheu o livro: O Trenzinho do Nicolau, de Ruth Rocha. Ulisses estava tão empolgado que começou a ler no caminho da escola para casa.  Chegando em casa o pequeno Ulisses pediu para que eu  lesse/contasse a história.

Livro: O trenzinho do Nicolau, de Ruth Rocha

Livro: O trenzinho do Nicolau, de Ruth Rocha

Enquanto eu lia, muitas imagens e lembranças passavam na minha cabeça. Lembrei da música: O trenzinho do Caipira,nas suas versões orquestrada, pois é a Bachiana nº 2 de Villa Lobos; depois,  a versão cantada que tem como letra o poema de Ferreira Gullar. Na versão cantada, existem várias interpretações com grandes e bons intérpretes da MPB.

Depois da leitura, foi a vez apresentar a letra, o som e o vídeo ao pequeno  heroi.  Inicialmente, declamei o poema de Ferreira Gullar , escrito em 1976:

Lá vai o trem com o menino
Lá vai a vida a rodar
Lá vai ciranda e destino
Cidade e noite a girar
Lá vai o trem sem destino
Pro dia novo encontrar
Correndo vai pela terra
Vai pela serra, vai pelo mar
Cantando pela serra do luar
Correndo entre as estrelas a voar
No ar, no ar

Depois da poesia do Ferreira Gullar, chegou o momento de apresentar a música. Procurei no You Tube e achei um vídeo muito simples e artesanal, com a música orquestrada:

Em seguida, mostrei  um vídeo em preto e branco, bem singelo, com a versão cantada por Adriana Calcanhoto:

Depois  de ver o vídeo algumas várias vezes, Ulisses resgatou um pequeno trenzinho que estava ‘escondido’ no fundo do seu  baú de brinquedos, e por algum tempo, ficou curtindo seu brinquedo, esquecendo um pouco os ‘tradicionais’ carrinhos.
Ulisses e o trenzinho

Ulisses e seu trenzinho

Vocês não conhecem  “O Trenzinho do Nicolau” ?
Então escutem uma criança contar a história:

Ainda nesta viagem de trem, lembrei da interpretação de Maria Bethania do Trenzinho Caipira, onde ela faz uma inserção de poesia ” Trem de Alagoas”, do pernanbucano Ascenso Ferreira.
Convido a todos a conhecer esta poesia por meio da bela declamação do grande Paulo Autran:

 O mais interessante nessa viagem  é poder perceber que a escolha de um livro pela criança, pode nos possibilitar outros voos:  na música, na poesia e na história.É interessante notar que tudo isso acontece no universo da educação infantil, que conta com o  profissionalismo e planejamento de bons professores.
Aqui fica o agradecimento de uma mãe no dia dos Professores, ao profissionais que conseguem,  a partir de um livro, de uma leitura,  inserir  e oferecer outros contextos e linguagens às crianças.

No Centro de Convivência Infantil que o pequeno Ulisses frequentou, no bairro da Bela Vista, desde o primeiro ano de vida até os 3 anos e meio, contou com professores atenciosos e dedicados. Profissionais de primeira grandeza, que merecem respeito e reconhecimento de todos e, principalmente, das autoridades/gestores municipais que têm uma grande dívida para com os Professores.

A todos os Professores fica nosso carinho e nossos agradecimentos neste e em todos os dias!

Um super abraço!

Começando 2014 com poesia e música

01/01/2014

pomba_branca

Quando chega o último dia do ano  temos por tradição desejar a paz, prosperidade, saúde e sucesso aos amigos e familiares. Dessa forma, deixamos que finalize o ano anterior e saudamos  o novo que se anuncia. O primeiro dia do ano, o  1º  de Janeiro, é conhecido internacionalmente como o Dia  Mundial da Paz, ou ainda o  Dia da Confraternização Universal.

Hoje encontrei entre vários posts no Facebook, alguns traziam e traduziam por meio da  expressão poética o desejo de PAZ, saúde, felicidade, enfim, tudo o que caracteriza este Dia da Confraternização Universal.

Compartilho com vocês um pouco da arte poética de dois amigos cordelistas, que são: Pedro Monteiro e Varneci Nascimento:

De Pedro Monteiro:

Em sete versos poéticos
Eu quero te desejar
Duas mil e quatorze estrelas
Que não cessem de brilhar,
Com muita esperança acesa,
Paz e alimento na mesa,
Saúde e brilho no olhar. (Pedro Monteiro)

De Varneci Nascimento:

Que se vá dois mil e treze,
Dois mil e catorze venha
Trazendo muito saúde
E o segredo da senha
Para que a felicidade
Entre a gente se mantenha.

A força que toda a terra
Precisa nos seja dada,
A paz esteja preãomorada
E a nossa humanidade
Pra sempre pacificada.

Eu desejo a cada um,
Saúde, paz, alegria.
Sucesso na sua vida
E um mundo de harmonia
Bastante prosperidade
Visite o seu dia a dia. (Varneci Nascimento)

Para finalizar compartilho a canção A PAZ (de  Gilberto Gil e João Donato) na interpretação de  Zizi Possi.

Desejo a todos um 2014 de Paz e Realizações!

Um super abraço!

Coisas boas da vida

31/12/2012
coisas boas da vida

Imagens sobrepostas do Clip “Não custa nada” (Música em Família)

O ano de 2012 já está no fim. Muitas coisas aconteceram e não registrei, aqui no blog, por diversos  motivos: alguns justificáveis, outros nem tanto. Mas, como manda a tradição de final de ano: renovamos nossas promessas, renovamos nossos sonhos, planejamos novos acontecimentos e projetamos mudanças  de vida, e na vida.

Neste ano me ocupei bastante com o Facebook, onde reencontrei pessoas e amigos que há muito tempo não via; mantive contato com amigos que moram em outros países,  conversei e ‘palpitei’ nos posts de ex-professores (que se tornaram bons amigos),  reforcei os laços com os amigos que já tinha, enfim, a minha rede aumentou bastante.

Também viajei, fui visitar familiares na Paraíba, em Campina Grande, João Pessoa e Umbuzeiro, em outubro. Isso é uma coisa muito boa: rever amigos e parentes, visitar outros lugares e apreciar a beleza da vida e das relações.

Este 2012 foi o ano de alguns centenários, como Nelson Rodrigues, Jorge Amado e Luiz Gonzaga. A região Nordeste em peso, lembrou e comemorou  o centenário de Luiz Gonzaga. Aqui no Sudeste também, principalmente em comemoração às festas juninas. Muitas escolas e organizações sociais (vi em algumas que visitei) desenvolveram projetos com  essa temática. Em Campina Grande visitei um bonito monumento em homenagem a Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro. Vejam nas fotos:

homenagem a Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro

Monumento em homenagem a Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro-  Açude Velho – Campina Grande

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O meu encontro com Luiz Gonzaga

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O encontro de  Ivanilson e Ulisses com o pandeiro do Jackson

Ainda na Paraíba, visitamos a cidade de Umbuzeiro, onde nasceu meu marido. Lá, outra coisa boa da vida foi uma visita a amigos, em seu pequeno sítio, onde meu filho Ulisses teve contato pela primeira vez com alguns animais, como cavalos, porcos, vacas, cabras… olhem só:

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Neste passeio em Umbuzeiro uma coisa muito boa foi acordar ao som dos galos! O pequeno Ulisses nasceu na metrópole São Paulo. Um paulistano da gema, até aquele momento nunca ouvira o canto dos galos. Numa madrugada, acordou com muitos galos cantando no quintal de casa e dos quintais vizinhos. Ele ficou ouvindo com  muita curiosidade e atenção, e só após um certo tempo, voltou a dormir. Creio que foi o momento mais marcante daquela viagem para o pequeno nascido na ‘cidade grande’.  Na foto abaixo um dos galos cantantes que, de manhã, estava passeando pelo quintal da Vovó Lala.

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Entre as coisas boas da vida estão os encontros, e neles podemos desfrutar da Presença e da companhia daqueles que amamos e nos amam. Abaixo o registro do encontro de gerações:

Abaixo, o neto e a vovó Lala, em Umbuzeiro-Pb. Ainda ao fundo podemos ver umas das serras do Planalto da Borborema.

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Na foto abaixo, minha mãe, Isaurina, eu e meu filho Ulisses:

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Ainda no encontro de gerações, dois momentos com a minha querida amiga Neuza Guerreiro de Carvalho, a vovó Neuza. Neuza vem me acompanhando há algum tempo e tem participado de minha história de vida com muito carinho e atenção; acompanhou minha gestação, e fez questão de fazer o primeiro bolo de aniversário do Ulisses, e também o segundo; nas fotos abaixo, um registro do 1º ano do Ulisses, na companhia da amiga Jolanda Gentilezza, e, na foto em seguida,  o amigo Hélio nos brinda com sua presença:

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Antes desse encontro com Neuza, fizemos, em casa mesmo, um bolo de aniversário para o Ulisses com a presença de primos e afilhados.  Foi uma deliciosa celebração de dois anos do pequeno Ulisses:

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Ainda nos encontros festivos, lembro da querida Catarina Angeli, filha de minha amiga e astróloga Marilena Angeli. Neste 2012, estivemos  presentes em seu aniversário, um encontro muito  significativo e afetivo, pois vi Catarina nascer e crescer, e hoje, ela acompanha o crescimento do pequeno Ulisses:

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Entre os encontros significativos:  destaco a beleza infanto juvenil do encontro de meus dois afilhados: Yuri e Clara:

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Da última postagem até esta, passamos pela Primavera. Que maravilha de estação! Pude fazer pequenos registros de momentos lindos da Natureza, que nos oferece todos os dias coisas boas e que não custam nada. Precisamos contemplar e preservar apenas. Passando pelo Centro de São Paulo, entre as Ruas: São Bento, Líbero Badaró e Av. São João, pude contemplar a Natureza enfeitando e presenteando a  ‘Selva de Pedra’.  Olhem só as seguintes imagens:

primavera no centro

primavera no centro1

Ainda nesta Primavera, presencio a Vida alimentando a vida. Passando pela região central, na  passarela da Praça das Bandeiras, vejo, no meio do tronco de uma árvore, uns filhotinhos de passarinhos esperando que sua mãe lhes traga um pouco de alimento.  Olhem só a sequência de fotos:

Foto 1:pássaro01

Foto 2:pássaro02

Foto 3: pássaro03

A vida nos oferece muitas coisas boas, cabe a nós ver, apreciar e cuidar, deixando cada um  ser o que é, e promover o crescimento. Dentro dessa ideia, coloco novamente o pequeno Ulisses. Dessa vez ele foi flagrado fazendo arte, na sala de casa. Vejam a reação do pequeno:

ulisses fazendo arte

ulisses fazendo arte 02

Essa atividade ‘arteira’ para a criança é muito importante, quanto à parede….somente uma nova pintura que pode ser feita e refeita várias vezes, entretanto, esse momento não vai se repetir. É importante ter a noção de que eles, os filhos, crescem e ficam as saudades. Sempre lembro de um amigo que dizia: “Viva e deixe viver”… e creio que assim podemos curtir as coisas boas da vida.

Também tive muitos outros momentos bons e bonitos que não estão aqui, mas  todos muito significativos.

Dentre tantas postagens de amigos no Facebook, uma me chamou a atenção pela simplicidade e beleza: é a canção “Não custa nada”, letra e música de Paula Santisteban e Eduardo Bologna. Ela começa com os seguintes versos:

Eu descobri que as coisas boas da vida
são de graça,
não custam nada.
Eu descobri que o mundo inteiro
pode ser o meu jardim,
a minha casa.
O teu abraço
não custa nada.
Um beijo seu
não custa nada.
A boa ideia
não custa nada.
Missão cumprida
não custa nada.
E quando tudo parecer que está perdido
Dê uma boa gargalhada.

Compartilhei a postagem dessa canção e vi que tocou também a outras pessoas. O clipe é bonito e sensível. Vale a pena ver. Por isso, compartilho aqui também e convido  vocês a assistirem:

Desejo a todos um Ano Novo de muitas e muitas oportunidades e realizações!

Toronto: livros, crianças e poesia

03/07/2012
 
 
Um dia frio
Um bom lugar prá ler um livro
E o pensamento lá em você…  (música: ‘Nem um dia’ – Djavan)
 
 
 

O primeiro domingo do Inverno amanheceu bem frio.

Aos poucos, o Astro Rei deixou-se sair, e, timidamente seus primeiros raios foram ganhando  em força e calor.  Às  10 horas a temperatura já estava muito mais agradável.

As crianças já estavam acordadas e ansiosas. Esperavam que seus pais deixassem a preguiça na cama e levantassem para levá-las ao Parque.

E esperaram muito…

Então, depois de muito  esperar e ver quase todos os canais da televisão, finalmente bateram à porta, até um deles  abrir e se render à intimação: Queremos ir ao parque! Vamos, papai! Ande!

O quê fazer?  Levantar, tomar café e atendê-los. Sem mais demora!

Chegaram ao Parque Cidade de Toronto.

Às 11h o playground do parque estava abarrotado de crianças.

Do outro lado, o Bosque da Leitura esperava um momento em que alguma criança se cansasse de brincar e fosse reciclar suas energias com os gibis, mangás e os livros novos que haviam  chegado e estavam sendo preparados para o acesso do público.

Francie e Margarida estavam empolgadas com as novas aquisições do Bosque da Leitura. Atentamente, Francie verificava a listagem e, um a um etiquetava os números de tombo, enquanto Margarida procurava o melhor espaço para carimbar a identificação do Bosque da Leitura Parque Cidade de Toronto .  Francie não se aguentava e folheava cada um deles, sem se dar conta dos minutos voando…   Margarida carimbava e se entretinha com alguns livros; curtia cheirá-los, sentir as palavras em relevo e a textura do papel. Cada livro trazia um cheiro diferente, uma história fantástica e poesias que eram música para a alma…

Vejamos alguns dos livros que elas curtiram: 

“A girafa tem torcicolo?” é um livro infanto juvenil muito empolgante, com muitas curiosidades ‘animais’. Seu autor, o biólogo Guilherme Augusto Domenichelli, soube muito bem encaixar as informações sobre o reino animal com ditos e frases populares, tais como:   “ Memória de elefante”, “Lágrimas de crocodilo”,  “Dormir com as galinhas”, “Abraço de Tamanduá”, “Abrira a calda de pavão”, “Estômago de avestruz”, entre outras curiosidades.

“Era uma vez… Era uma vez: eu. Mas aposto que você não sabe quem eu sou. Prepare-se para uma surpresa que você nem adivinha. Sabe quem eu sou?” E assim começa o livro de Clarice Lispector “ Quase de verdade”. No livro Clarice dá vez e voz a um cachorro  que fica “latindo para Clarice e ela — que entende o significado de meus latidos — escreve o que eu lhe conto”

O clássico  “Viagem ao centro da Terra”, de Julio Verne, ganha em poesia e arte com a adaptação de Costa Senna e belas ilustrações de Cristina Carnelós. Costa Senna com muita sensibilidade e competência transforma a prosa em poesia de cordel, e olhem como a aventura começa:

“Final de mil e oitocentos
do ano sessenta e três,
começava essa história,
Maio era este o mês
E esta vai acorrentar
A atenção de vocês.”

Mais adiante, no meio da aventura o poeta :

“Reiniciamos a descida
Na galeria de lava.
Ia tudo muito calmo
Por onde a gente passava
E, até o meio dia,
A paz nos acompanhava.
 
Depois dali nós chegamos
Perto duma encruzilhada,
Marchamos pro lado leste,
A rota mais indicada
Além de ser muito escura
Vez por outra era apertada.”
 

Desde o Ceará até o Rio de Janeiro e espalhado pelo mundo, a literatura de cordel  está presente em todas as  suas formas, desde  folhetos tradicionais e até o mundo virtual, sempre aguçando a sensibilidade e curiosidade dos leitores. “A Peleja do Violeiro Magrilim com a formosa Princesa Jezebel” é um exemplo de sensibilidade e pesquisa. Seu autor Fábio Sombra nos estimula e provoca risos nesta peleja entre a princesa  Jezebeu e o plebeu Magrilim, que desafia o destino traçado pelo cruel Percival, pai da princesa.

Por que Vossa Majestade
Nosso rei não anuncia
Que a mão de vossa filha
Será dada em cortesia
Ao violeiro que vence-la
Num torneio de poesia?  (…)
 
Muito humilde e respeitoso
O magrelo disse então:
Não é luxo, nem riqueza
Que me tocam o coração.
Quero o amor de sua filha
Essa sim é minha ambição…(…)

O livro é muito divertido e traz belíssimas ilustrações feitas pelo autor, pois  além de ser poeta e pesquisador do folclore brasileiro, Fábio Sombra é também o ilustrador  e um dos nomes mais respeitados em Arte Naif  contemporânea brasileira.

Francie ficou encantada com o livro: “Os comedores de palavras”, dos autores Edimilson de Almeida Pereira e Rosa Margarida de Carvalho Rocha. O livro narra um conto sobre a prática de contar histórias do povo africano. O livro traz também sugestões de atividades  para o leitor.

Enquanto esperam que as crianças brinquem bastante, até à exaustão, os pais aproveitam o espaço de leitura  com o seu acervo, jornais do dia e as revistas semanais. Ai, ai…”quem lê tanta notícia”…?

Enquanto isso, no grande lago de Toronto, os peixes aproveitam os pedacinhos de pão que lhes são oferecidos…

E para finalizar, eu, Margarete Barbosa escrevi e compartilho com vocês:

Domingo de Inverno
 
Um sol
sem ser ardido
brilha sobre o gramado
aquece a criança
o lago
os marrecos
as papoulas.
 
O domingo de inverno
estando bem aquecido
convida ao
lúdico
das crianças
e seus pais.
 
O adulto traz a criança
pelas mãos
no coração
Brinca
Ri
Chora
Não quer ir embora.

Junho

10/06/2012

Aqui, em Sampa, o mês de junho começou com muito frio, convidando-nos às bebidas quentes, leituras, cinema, pipoca e muita ‘preguiça’.

Ontem, visitando os meus amigos Marco Haurélio e Pedro Monteiro  no Facebook, encontrei música e poesia vinda do agreste pernambucano; mais precisamente de São Bento do Una, pela voz de Alceu Valença.Compartilho com vocês a poesia e a música:

Junho

Alceu Valença

 

Eu sei que é junho, o doido e gris seteiro
Com seu capuz escuro e bolorento
As setas que passaram com o vento
Zunindo pela noite, no terreiro
Eu sei que é junho!

Eu sei que é junho, esse relógio lento
Esse punhal de lesma, esse ponteiro,
Esse morcego em volta do candeeiro
E o chumbo de um velho pensamento

Eu sei que é junho, o barro dessas horas
O berro desses céus, ai, de anti-auroras
E essas cisternas, sombra, cinza, sul

E esses aquários fundos, cristalinos
Onde vão se afogar mudos meninos
Entre peixinhos de geléia azul
Eu sei que é junho!

Eu sei que é junho, o doido e gris seteiro
Com seu capuz escuro e bolorento
As setas que passaram com o vento
Zunindo pela noite, no terreiro
Eu sei que é junho!

Eu sei que é junho, esse relógio lento
Esse punhal de lesma, esse ponteiro,
Esse morcego em volta do candeeiro
E o chumbo de um velho pensamento

Eu sei que é junho, o barro dessas horas
O berro desses céus, ai, de anti-auroras
E essas cisternas, sombra, cinza, sul

E esses aquários fundos, cristalinos
Onde vão se afogar mudos meninos
Entre peixinhos de geléia azul
Eu sei que é junho!

Agora, convido a todos para a música:

Para lembrar e sentir

23/05/2012

Desde o início do ano se tem falado, e  lembrado, dos trinta anos da ausência de Elis Regina.

Quando Elis deixou o Planeta Terra, eu tinha apenas 12 anos. Trago na minha memória um pouco desse momento e do impacto que foi a perda. Naquela época eu conhecia pouco suas interpretações. Apenas depois que a estrela se foi, fui me aproximando de seu brilho, sem nunca vê-lo em sua totalidade .

Não tenho muito o que falar. Sinto Elis por meio de suas interpretações. Destaco três, com poéticas distintas e formidáveis interpretações: A primeira é ‘Redescobrir’, de Gonzaguinha.  A segunda é ‘Vento de maio’, de Márcio Borges e Telo Borges; e a  terceira é ‘A dama do apocalipse’, composição de  Nathan Marques e Crispim Del Cistia.

Aqui estão:

Primeiro: ‘Redescobrir’

Agora é vez de: ‘Vento de Maio’

E para finalizar, ‘A dama do apocalipse’

Um super abraço!