Archive for the ‘Livros’ Category

A literatura de cordel está ‘arrepiando’ mais uma vez

27/10/2017

 

Cordéis de arrepiar é uma coleção da editora IMEPH, de Fortaleza, criada por Arlene Holanda e coordenada por ela e pelo poeta Rouxinol do Rinaré. Reúne contos populares da tradição oral de vários povos. Os primeiros volumes, África América, foram escritos por Rouxinol do Rinaré e seu irmão, Evaristo Geraldo, e ilustrados por Edu Sá. O terceiro volume, com contos disseminados pelo continente europeu, numa vasta área que vai da Irlanda à Rússia, conta com três textos do poeta e pesquisador da literatura popular, Marco Haurélio.

Esta inusitada coletânea está entre as dez obras finalistas ao Prêmio Jabuti 2017 na categoria Adaptação.

O lançamento do livro  será no dia 28 de outubro, às 16h, na Editora Nova Alexandria, Rua Engenheiro Sampaio Coelho, 111.

Neste dia haverá a Feira de Mal-Assombro, com muitas histórias de arrepiar. Vejam os destaques:

Vamos lá! Será um sábado de muitas histórias!

Um super abraço!

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O Bosque da Leitura do Parque Ibirapuera e seu ambiente cultural

03/11/2015

BOSQUELEITURA PARQUE IBIRAPUERA

No domingo, dia 18 de outubro de 2015, estive presente na reinauguração do espaço que abriga o Bosque da Leitura do Parque Ibirapuera.

Era  um dia nublado, o que não impediu a celebração da reabertura do espaço, que foi marcado por diversos encontros e muitas leituras. Foi um dia marcado  por encontros e reencontros. No circularam muitos amigos, leitores, curiosos e também teve a presença de representantes da sociedade civil e da gestão municipal que reafirmaram seus compromissos e parcerias em prol o Bosque da Leitura.

Desde 1983 existe o espaço do Bosque da Leitura do Parque Ibirapuera, e, claro, chega um momento em que toda construção merece uma reforma estrutural para continuar funcionando e acolhendo quem nela adentra.

Sou servidora municipal, mas antes sou cidadã e aprendiz, que mantém este blog pelo prazer de escrever, de Ser e Estar neste mundo, nesta cidade. Desta forma,  busco destacar o valor cultural que  tem o Bosque da Leitura.

É interessante ver um pouco como foi a mudança externa do local nos últimos anos, como era e como ficou a casa do Bosque. Para ilustrar, recorro a meus registros fotográficos de visitas feitas  desde 2013:

Em outubro de 2013:

bosque da leitura parque Ibirapuera1

Em outubro de 2014:

bosque da leitura parque ibirapuera2

Em outubro de 2015:

bosquedaleitura Parque Ibirapuera

Mas o dia foi marcado com atrações culturais  para comemorar a reabertura do espaço de leitura.

O grupo de Maracatu Cia Porto de Luanda  foi o primeiro a se apresentar, com muita animação e ritmos, envolvendo todos os espectadores. Vejam só:

maracatu cia porto de luanda1

maracatu cia porto de luanda3

O Maracatu é uma dança folclórica de origem afro-brasileira originada  em meados do século XVIII, e traz um forte componente da miscigenação musical das culturas portuguesa, indígena e africana. Esse cortejo musical despertou as atenções  de todos, inclusive das crianças, aguçando sua curiosidade e musicalidade:

maracatu cia porto de luanda2maracatu cia porto de luanda4

Mesmo com todo o agito musical, há ainda aqueles que conseguem concentrar-se em sua leitura e até fazer um crochê:

leitora

leitora1

um croche

A imensa área verde do Parque Ibirapuera é um convite para fazer um gostoso picnic, pois os espaços são muitos.  E foi isso algumas pessoas fizeram nos arredores do Bosque da Leitura. Detalhe: teve até artesanato…

pic nic no parque ibirapuera

Enquanto isso, dentro da casa do Bosque da Leitura a interação entre adultos e crianças acontecia permeada de gostosas leituras:

Slide1

Slide1

Slide2

E a comemoração da reinauguração continuava na área externa.

Logo após o grupo de Maracatu, o público foi muito bem servido com um espetáculo que mesclou o teatro e o circo. O espetáculo: A Jornada do heroi, com o artista Victor Abreu, prendeu a atenção de todos até seu final. Vejam:

circo1

circo2

A última apresentação foi a dança interativa, com o grupo Zumb.Boys. A proposta do grupo é interferir e interagir com o público fazendo com que as pessoas escolham uma carta. A partir disso, se desenvolve a dança. Inicialmente o grupo saiu da área do Bosque da Leitura e percorreu alguns espaços do parque, onde puderam integrar o público. Interessante notar que em cada espaço o grupo aproveitava o que estava disponível para trazer tudo e todos ao universo da dança.  Vejam só:

dançaporcorreio2

dança por correio2

dança por correio1

 E assim foi marcado a reabertura da casa do Bosque da Leitura do Parque Ibirapuera.

Fica aqui o convite à leitura, à curtição do parque e tudo o que nele há disponível.

Vamos??

Um super abraço!

Saci Pererê: uma lenda do folclore, várias leituras e seu reconhecimento

31/10/2015

A Lenda do Saci - Capa

A lenda do Saci Pererê é contada e recontada há anos e com muitas versões.

O nome: Saci – Pererê  era originalmente: Yaci-Yaterê de origem Tupi Guarani.  Algumas versões falam que os Sacis vivem setenta e sete anos e se originam do bambu. Após sete anos de “gestação” dentro do gomo do bambu ele sai para uma longa vida de travessuras e quando morre se metamorfoseia em cogumelos venenosos ou em “orelhas de pau”. Quem é do interior ou já foi ao campo a passeio deve ter visto alguma vez, uma espécie de cogumelo que se forma nos troncos das árvores e que se parece com uma orelha.

Há ainda a versão de que o Saci  originou-se entre as tribos indígenas do sul do Brasil e recebeu influência da mitologia africana, o saci se transformou em um negrinho que perdeu a perna lutando capoeira, além disso, herdou o pito, uma espécie de cachimbo, e ganhou da mitologia europeia um gorrinho vermelho. Sua principal característica do saci é a travessura e diverte-se com os animais e com as pessoas. Por ser  muito moleque ele acaba causando transtornos, como: fazer o feijão queimar, esconder objetos, jogar os dedais das costureiras em buracos. Segundo algumas versões a carapuça do Saci lhe dá poderes mágicos, como:invisibilidade, faz desaparecer objetos, prende as pessoas, derruba água, faz uma chama de fogão se acender sozinha, etc. Quando alguém consegue tirá-la de sua cabeça, o Saci fica sob o domínio dessa pessoa. Mas dada sua esperteza, ele acaba roubando o gorro de volta.

Monteiro Lobato, em 1921, lança o livro: O Saci. Atualmente este livro tem como Editora Globo e ilustrações de Paulo Borges. No livro, enquanto Pedrinho passa férias no Sítio do Picapau amarelo, o tio Barnabé lhe conta as suas histórias do Saci para a criançada e, então, Pedrinho se vê desafiado a pegar o Saci e então a fantasia ganha muitas formas.

saci

Em 2009, nasce o livro: A lenda do Saci Pererê em cordel, do escritor e cordelista Marco Haurélio e ilustrações de Elma. É uma viagem rimada e ritmada, onde o autor bebeu das fontes do folclore capixaba para compor sua releitura. Aqui, um pequeno trecho:

Passou o tempo e o Saci
Voltou àquela fazenda.
Parece que o danadinho
Vinha mesmo de encomenda,
Causando aborrecimentos,
Numa algazarra tremenda.

Ele amassava as panelas,
Sujava a casa todinha,
Misturava nas vasilhas
O açúcar com a farinha,
E ia embora sorrindo,
Pulando numa perninha.

A mãe aflita rezava
As orações que sabia,
Mas o moleque danado
Cada oração repetia,
Arremedando a mulher,
Que muito se aborrecia.

O Saci ganhou o dia 31 de outubro. Fruto de reivindicações e projetos de lei que foi sancionado em 2003 (projeto de lei federal nº 2.762, de 2003 -apensado ao projeto de lei federal nº 2.479, de 2003), com o objetivo de resgatar figuras do folclore brasileiro, em contraposição ao “Dia das Bruxas”, ou Halloween, de tradição cultural celta.

Para finalizar, compartilho este pequeno filme sobre o SACI PERERÊ, que considero uma produção muito sensível e bela.

Um super abraço!

O Trenzinho do Caipira e do Nicolau

15/10/2015

Ainda na temática infantil, no dia das crianças me lembrei de um episódio que aconteceu  em maio de 2014, quando o Ulisses trouxe um livro do CCI (Centro de Convivência Infantil) 13 de Maio, no Projeto de Leitura.

No Projeto de Leitura, que tinha a orientação e condução da professora Ana Flávia, as crianças  escolhiam um livro, que era lido em sala para elas. Depois o livro escolhido é levado para casa pela criança para que aconteça uma interação com a família, ou seja: a criança ‘conta’, à sua maneira,  a história para seus pais/responsáveis e ou irmãos,  ou ainda os pais podem ler com e para a criança.

Em maio o Ulisses escolheu o livro: O Trenzinho do Nicolau, de Ruth Rocha. Ulisses estava tão empolgado que começou a ler no caminho da escola para casa.  Chegando em casa o pequeno Ulisses pediu para que eu  lesse/contasse a história.

Livro: O trenzinho do Nicolau, de Ruth Rocha

Livro: O trenzinho do Nicolau, de Ruth Rocha

Enquanto eu lia, muitas imagens e lembranças passavam na minha cabeça. Lembrei da música: O trenzinho do Caipira,nas suas versões orquestrada, pois é a Bachiana nº 2 de Villa Lobos; depois,  a versão cantada que tem como letra o poema de Ferreira Gullar. Na versão cantada, existem várias interpretações com grandes e bons intérpretes da MPB.

Depois da leitura, foi a vez apresentar a letra, o som e o vídeo ao pequeno  heroi.  Inicialmente, declamei o poema de Ferreira Gullar , escrito em 1976:

Lá vai o trem com o menino
Lá vai a vida a rodar
Lá vai ciranda e destino
Cidade e noite a girar
Lá vai o trem sem destino
Pro dia novo encontrar
Correndo vai pela terra
Vai pela serra, vai pelo mar
Cantando pela serra do luar
Correndo entre as estrelas a voar
No ar, no ar

Depois da poesia do Ferreira Gullar, chegou o momento de apresentar a música. Procurei no You Tube e achei um vídeo muito simples e artesanal, com a música orquestrada:

Em seguida, mostrei  um vídeo em preto e branco, bem singelo, com a versão cantada por Adriana Calcanhoto:

Depois  de ver o vídeo algumas várias vezes, Ulisses resgatou um pequeno trenzinho que estava ‘escondido’ no fundo do seu  baú de brinquedos, e por algum tempo, ficou curtindo seu brinquedo, esquecendo um pouco os ‘tradicionais’ carrinhos.
Ulisses e o trenzinho

Ulisses e seu trenzinho

Vocês não conhecem  “O Trenzinho do Nicolau” ?
Então escutem uma criança contar a história:

Ainda nesta viagem de trem, lembrei da interpretação de Maria Bethania do Trenzinho Caipira, onde ela faz uma inserção de poesia ” Trem de Alagoas”, do pernanbucano Ascenso Ferreira.
Convido a todos a conhecer esta poesia por meio da bela declamação do grande Paulo Autran:

 O mais interessante nessa viagem  é poder perceber que a escolha de um livro pela criança, pode nos possibilitar outros voos:  na música, na poesia e na história.É interessante notar que tudo isso acontece no universo da educação infantil, que conta com o  profissionalismo e planejamento de bons professores.
Aqui fica o agradecimento de uma mãe no dia dos Professores, ao profissionais que conseguem,  a partir de um livro, de uma leitura,  inserir  e oferecer outros contextos e linguagens às crianças.

No Centro de Convivência Infantil que o pequeno Ulisses frequentou, no bairro da Bela Vista, desde o primeiro ano de vida até os 3 anos e meio, contou com professores atenciosos e dedicados. Profissionais de primeira grandeza, que merecem respeito e reconhecimento de todos e, principalmente, das autoridades/gestores municipais que têm uma grande dívida para com os Professores.

A todos os Professores fica nosso carinho e nossos agradecimentos neste e em todos os dias!

Um super abraço!

Uma viagem pela Literatura de Cordel

21/08/2012

A Literatura de Cordel tem sempre espaço neste blog, uma vez que faz parte da minha história de vida. E percebo que a minha história de vida  também se entrelaça com a de outras pessoas e, também, com outros espaços que mantêm e preservam a cultura popular.

No último sábado, dia 18, estive na Livraria Cortez em mais um encontro com o Cordel; desta vez, em um sarau lítero musical que reuniu músicos, poetas, cordelistas, enfim os amantes do Cordel.  Aquele dia  marcou o início da Semana do VIII Cordel da Cortez , e se encerra no próximo sábado, dia 25 de agosto. É um evento comemorativo, pois há 10 anos a Livraria Cortez promove esse encontro com a cultura popular, e neste ano também se comemora os 100 anos do Rei do Baião: Luiz Gonzaga.  Durante toda a semana haverá uma série de atividades com o público e para o público de todas as idades. Vale muitíssimo a pena ver e curtir. O endereço da Livraria Cortez é Rua Bartira, 317 – ao lado da PUC.

Compartilho com vocês algumas fotos que fiz da abertura, no dia 18 de agosto:

Abertura do VIII Cordel da Cortez

Na fotografia acima, temos a presença do Senhor Cortez, fundador da Livraria, o poeta Moreira de Acopiara, músico, poeta e escritor Costa Senna, que na ocasião lançou o livro  “Cordéis que educam e transformam”.

Abaixo temos uma apresentação do escritor  e cordelista Marco Haurélio, curador do VIII Cordel da Cortez.

Na foto que segue, temos a presença de Aldy Carvalho, cantor, compositor, poeta e violonista pernambucano. Foi uma apresentação que  muito me encantou, pois a música de Aldy possui sublimes melodias e poética sertaneja.

Também reencontrei o músico, cantor e compositor alagoano Ibys Maceioh, que, com suas canções, homenageou o Rei do Baião, Luiz Gonzaga.

Na foto abaixo, o  apresentador Moreira de Acopiara convida o artista  pernambucano Valdeck de Garanhuns, que com muito humor conta seus ‘causos’.

Em seguida,  temos o momento poético de Costa Senna:

E Costa Senna também deixa para todos o som e o sabor do cordel musicado:

O VII Cordel da Cortez foi um momento de muita poesia, música e entrosamento de todos, inclusive das crianças, que aproveitaram cada uma a seu modo:

Por alguns instantes,  deixei a máquina fotográfica e fui curtir com meu filho, Ulisses, que com seus 1 ano e oito meses já se diverte e aprende com os livros e com o Cordel:

Um super abraço!

Toronto: livros, crianças e poesia

03/07/2012
 
 
Um dia frio
Um bom lugar prá ler um livro
E o pensamento lá em você…  (música: ‘Nem um dia’ – Djavan)
 
 
 

O primeiro domingo do Inverno amanheceu bem frio.

Aos poucos, o Astro Rei deixou-se sair, e, timidamente seus primeiros raios foram ganhando  em força e calor.  Às  10 horas a temperatura já estava muito mais agradável.

As crianças já estavam acordadas e ansiosas. Esperavam que seus pais deixassem a preguiça na cama e levantassem para levá-las ao Parque.

E esperaram muito…

Então, depois de muito  esperar e ver quase todos os canais da televisão, finalmente bateram à porta, até um deles  abrir e se render à intimação: Queremos ir ao parque! Vamos, papai! Ande!

O quê fazer?  Levantar, tomar café e atendê-los. Sem mais demora!

Chegaram ao Parque Cidade de Toronto.

Às 11h o playground do parque estava abarrotado de crianças.

Do outro lado, o Bosque da Leitura esperava um momento em que alguma criança se cansasse de brincar e fosse reciclar suas energias com os gibis, mangás e os livros novos que haviam  chegado e estavam sendo preparados para o acesso do público.

Francie e Margarida estavam empolgadas com as novas aquisições do Bosque da Leitura. Atentamente, Francie verificava a listagem e, um a um etiquetava os números de tombo, enquanto Margarida procurava o melhor espaço para carimbar a identificação do Bosque da Leitura Parque Cidade de Toronto .  Francie não se aguentava e folheava cada um deles, sem se dar conta dos minutos voando…   Margarida carimbava e se entretinha com alguns livros; curtia cheirá-los, sentir as palavras em relevo e a textura do papel. Cada livro trazia um cheiro diferente, uma história fantástica e poesias que eram música para a alma…

Vejamos alguns dos livros que elas curtiram: 

“A girafa tem torcicolo?” é um livro infanto juvenil muito empolgante, com muitas curiosidades ‘animais’. Seu autor, o biólogo Guilherme Augusto Domenichelli, soube muito bem encaixar as informações sobre o reino animal com ditos e frases populares, tais como:   “ Memória de elefante”, “Lágrimas de crocodilo”,  “Dormir com as galinhas”, “Abraço de Tamanduá”, “Abrira a calda de pavão”, “Estômago de avestruz”, entre outras curiosidades.

“Era uma vez… Era uma vez: eu. Mas aposto que você não sabe quem eu sou. Prepare-se para uma surpresa que você nem adivinha. Sabe quem eu sou?” E assim começa o livro de Clarice Lispector “ Quase de verdade”. No livro Clarice dá vez e voz a um cachorro  que fica “latindo para Clarice e ela — que entende o significado de meus latidos — escreve o que eu lhe conto”

O clássico  “Viagem ao centro da Terra”, de Julio Verne, ganha em poesia e arte com a adaptação de Costa Senna e belas ilustrações de Cristina Carnelós. Costa Senna com muita sensibilidade e competência transforma a prosa em poesia de cordel, e olhem como a aventura começa:

“Final de mil e oitocentos
do ano sessenta e três,
começava essa história,
Maio era este o mês
E esta vai acorrentar
A atenção de vocês.”

Mais adiante, no meio da aventura o poeta :

“Reiniciamos a descida
Na galeria de lava.
Ia tudo muito calmo
Por onde a gente passava
E, até o meio dia,
A paz nos acompanhava.
 
Depois dali nós chegamos
Perto duma encruzilhada,
Marchamos pro lado leste,
A rota mais indicada
Além de ser muito escura
Vez por outra era apertada.”
 

Desde o Ceará até o Rio de Janeiro e espalhado pelo mundo, a literatura de cordel  está presente em todas as  suas formas, desde  folhetos tradicionais e até o mundo virtual, sempre aguçando a sensibilidade e curiosidade dos leitores. “A Peleja do Violeiro Magrilim com a formosa Princesa Jezebel” é um exemplo de sensibilidade e pesquisa. Seu autor Fábio Sombra nos estimula e provoca risos nesta peleja entre a princesa  Jezebeu e o plebeu Magrilim, que desafia o destino traçado pelo cruel Percival, pai da princesa.

Por que Vossa Majestade
Nosso rei não anuncia
Que a mão de vossa filha
Será dada em cortesia
Ao violeiro que vence-la
Num torneio de poesia?  (…)
 
Muito humilde e respeitoso
O magrelo disse então:
Não é luxo, nem riqueza
Que me tocam o coração.
Quero o amor de sua filha
Essa sim é minha ambição…(…)

O livro é muito divertido e traz belíssimas ilustrações feitas pelo autor, pois  além de ser poeta e pesquisador do folclore brasileiro, Fábio Sombra é também o ilustrador  e um dos nomes mais respeitados em Arte Naif  contemporânea brasileira.

Francie ficou encantada com o livro: “Os comedores de palavras”, dos autores Edimilson de Almeida Pereira e Rosa Margarida de Carvalho Rocha. O livro narra um conto sobre a prática de contar histórias do povo africano. O livro traz também sugestões de atividades  para o leitor.

Enquanto esperam que as crianças brinquem bastante, até à exaustão, os pais aproveitam o espaço de leitura  com o seu acervo, jornais do dia e as revistas semanais. Ai, ai…”quem lê tanta notícia”…?

Enquanto isso, no grande lago de Toronto, os peixes aproveitam os pedacinhos de pão que lhes são oferecidos…

E para finalizar, eu, Margarete Barbosa escrevi e compartilho com vocês:

Domingo de Inverno
 
Um sol
sem ser ardido
brilha sobre o gramado
aquece a criança
o lago
os marrecos
as papoulas.
 
O domingo de inverno
estando bem aquecido
convida ao
lúdico
das crianças
e seus pais.
 
O adulto traz a criança
pelas mãos
no coração
Brinca
Ri
Chora
Não quer ir embora.

A arte de contar histórias

14/10/2011
VI Festival A Arte de contar histórias com Elaine Gomes no Bosque da Leitura Parque Cidade de Toronto em Outubro de 2010 —  Fotografia de Margarete Barbosa com aplicação de textura mosaico
 

Contar histórias é uma arte muito antiga, existe desde que o ser humano surgiu no Planeta. Algumas pessoas dizem que nos ‘velhos tempos’ podia-se  sentar ao redor do fogo para se esquentar, alegrar, conversar, contar casos… Certamente muitos de nós já ouvimos nossos pais e avós contarem histórias das mais diversas:  da família, de uma experiência ocorrida “no tempo do vovô e da vovó”‘ e ainda de “um tempo que não volta mais…”.

Contar histórias é um tema que tem sido muito pesquisado nos últimos anos. Desde a Educação Infantil até a Pós-Graduação, além da finalidade terapêutica, pois segundo algumas pesquisas, a palavra tem poder de aliviar as dores e até mesmo curar. Com isso podemos perceber o quanto se tem a explorar e a aprender nas diversas narrativas.

Na cidade de São Paulo temos muitos  órgãos públicos que promovem a Arte de contar histórias por meio de oficinas, debates, workshops e, principalmente, reunindo um contador de histórias e as crianças, de qualquer idade.

Neste ano, no período de  15 a 23 de outubro, acontecerá a sétima edição do Festival “A Arte de Contar Histórias” pela Secretaria Municipal de Cultura por meio do Sistema Municipal de  Bibliotecas. O Festival ocorrerá em  40 bibliotecas públicas, 9 Bosques da Leitura nos parques municipais, 5 Pontos de Leitura e 36 roteiros dos ônibus-biblioteca. E para que ninguém fique de fora desse festival, teremos  intérpretes de Libras nas Bibliotecas: Hans Christian Andersen (Tatuapé), Álvares de Azevedo (Vila Maria), Brito Broca (Pirituba), Raul Bopp (Aclimação) e Pe. José de Anchieta (Perus).  Para saber sobre a Programação completa basta clicar aqui .

Em anos anteriores tive a oportunidade de presenciar  algumas contações de histórias, como a da contadora Elaine Gomes  que aconteceu em outubro de 2010  cujo registro fotográfico abre esta postagem.

Logo abaixo seguem  fotos de algumas contações de história  que aconteceram no Parque da Luz e no Parque Cidade de Toronto, das quais participei ouvindo e registrando.

Parque da Luz -Outubro de 2007

Vanessa Castro


Parque da Luz -Outubro de 2008

Grupo Bolha de Gude

Debora Kikuti

Parque da Luz -Outubro de 2009

Paulo Federal

Simone Nasar

Parque Cidade de Toronto – 2010

Cia. Os Itinerantes

Parque Cidade de Toronto – 2011

Cia Duberro

Cia. Luar no Ar

Contar histórias  representa a vontade de falar do que se sabe e passar adiante aquilo que se aprendeu. Quando a  história é contada com o coração a criança se deleita, se diverte, obtém elementos que estimulam o seu imaginário, desenvolve o gosto pela leitura e pela arte.

Quando participamos de uma contação de histórias, quer seja narrando ou ouvindo, entramos em contato com a magia da palavra. A palavra que prende, que envolve e que transforma as pessoas, de uma maneira simples e mágica, de coração a coração.

Um super abraço!

Festejando o dia do Blog

31/08/2011

dia do blog

Hoje é um dia de festa na blogosfera: é o Dia do Blog.

Este blog entrou na blogosfera em 2009, desde então temos conhecido muitos outros blogs. Cada blog tem uma particularidade e todos são igualmente interessantes.

Aprendi com o  Mestre Novelino, no seu  Boteco Escola, que o Blog “é um espaço de encontro e de conversas”. E é para continuar com a conversação que venho comemorar e indicar outros espaços de muitas conversas e muito aprendizado.

Aqui vão minhas sugestões, é só clicar no nome do blog para visitar o espaço.

Um Blog muito sensível traz o registro das  superações  de Maria Dolores Fortes Alves  como professora, palestrante, escritora, pesquisadora, mulher e cadeirante. Maria Dolores é um exemplo de mulher forte que não para frente aos obstáculos, quaisquer  que sejam.

 Um blog rico em imagens e experiências pelo Brasil e pelo Mundo, com registro fotográfico do casal Ricardo e Divina. Eles procuram mostrar um pouco da diversidade dos locais por onde estiveram. Divina é pesquisadora no GEPI (Grupo de Estudos e Pesquisas em Interdisciplinaridade) da PUC-SP.

O Blog Vila do Artesão é  compartilhado pela  dupla de curitibanos (Cris Turek e Marcelo Pereto) que  foram morar  na Paraíba, em João Pessoa. No blog vamos desfrutar de um espaço criativo, onde encontraremos muitos trabalhos artesanais, com dicas passo-a-passo de artesanato e sugestões de decoração a baixo custo.

O Blog Sabor e Saber é uma delícia. Ele traz muitas dicas, curiosidades e receitas espetaculares de Ana Maria Tomazoni. Com formação em Pedagogia e especialista em Gastronomia com cursos feitos no exterior Ana Maria Ruiz Tomazoni é também uma pesquisadora, atualmente é doutoranda em Educação e Currículo pela  PUC-SP.

No Blog da paulistana, Mari Busani, encontramos suas  pesquisas, experiências e pensamentos sobre a vida na cidade de São Paulo. Com muitas imagens da cidade, Mari revela nas fotografias e nas suas histórias, muito sentimento  e seu amor por São Paulo com sua diversidade.

Michelle Niedja é uma apaixonada pela leitura,  e o seu  Blog Maníacos por Leitura traz  várias dicas para os apaixonados por livros. No blog encontramos muitas  dicas das sagas literárias mais recentes, além dos livros que Michelle já leu ou está lendo.

Marina Misiara é fisioterapeuta e tem retomado o gosto pela escrita. Em seu blog  encontramos suas crônicas e reflexões, que vem em fornadas e num estilo muito pessoal.

Um bom Dia do Blog e boas visitas!

Comemorações no mês do folclore em São Paulo

22/08/2011
"O violeiro" de Almeida Jr-pintura em óleo sobre tela - Pinacoteca do Estado de São Paulo

"O violeiro" de Almeida Jr-pintura em óleo sobre tela - Pinacoteca do Estado de São Paulo

No dia 22 de Agosto é comemorado o ‘dia  do folclore’, e sabemos que o Brasil tem uma riqueza cultural fantástica. Cada região do país e cada estado tem muito a contribuir com a cultura popular.

A cidade de São Paulo comemora o mês do folclore com um programa de eventos, cujo título é  ‘Agosto Caipira’. E sobre o termo caipira, temos a seguinte definição:

O termo caipira (do tupi Ka’apir ou Kaa – pira, que significa “cortador de mato”), é o nome que os indígenas guaianás do interior do estado de São Paulo deram aos colonizadores brancos, caboclos, mulatos e negros.

O termo caipira teve sua origem e é utilizado com mais frequência no Estado de São Paulo. Em Minas Gerais é capiau (palavra que também significa cortador de mato), na região Nordeste, matuto, e no Sul, colono.

Fonte:  site da Prefeitura de São Paulo – Sistema Municipal de Bibliotecas.

Para saber a programação do Agosto Caipira, basta clicar aqui e poderemos encontrar diversas atividades em diversos lugares, como: parques, bibliotecas e pontos de leitura.

Gostaria de destacar algumas atividades desse programa.

Inicialmente gostaria de destacar o evento Viola, fogueira e rastapé com o músico Jackson Ricarte, que trará canções que marcaram a história dos  folguedos.  O violeiro também fará um bate-papo contando causos e falando sobre a cultura caipira. Esta apresentação será na Biblioteca Malba Tahan, no dia 23 às 14h, e também na Biblioteca Anne Frank, no dia 27 às 14h30.

Outra sugestão que faço é sobre  contação de histórias, e no “Agosto Caipira” temos vários contadores. Destaco aqui as Histórias caiçaras, com a contadora Mariza Santos, que fará um mergulho no universo caiçara de Ubatuba com histórias que falam da serra e do mar. A apresentação acontecerá na Biblioteca Infantojuvenil Monteiro Lobato   no dia  26 às 9h e 14h30; na Biblioteca Aureliano Leite,  dia 27 às 14h e na Biblioteca Raul Bopp, dia 28 às 11h. Outro destaque para a contação de histórias Histórias contadas para serem ouvidas, com Thaís Póvoa e Bruna Machado, com destaque para os  contos tradicionais populares do Brasil e do mundo. As contadoras se apresentarão no  dia 28/08 às 11h no Bosque da Leitura Parque Cidade de Toronto.

Iniciei a postagem com a imagem da pintura: “O violeiro” , do artista plástico paulista José Ferraz de Almeida Júnior.  Sabe-se que Almeida Júnior foi o primeiro artista plástico que incluiu em suas obras a vida do homem do povo. Essa e outras  obras podem ser vistas e contempladas na Pinacoteca do Estado de São Paulo e no Museu de Arte de São Paulo (MASP).

Gostaria de lembrar de um artista que muito tem contribuído para o folclore e para a cultura caipira e sertaneja: é o paulista Rolando Boldrin.  Boldrin é ator, compositor, violeiro e contador de ‘causos’.  E é para ouvir um de seus ‘causos’ (inspirado em Rubem Alves) que eu os convido para acessar o vídeo abaixo:

Para finalizar, trago um desenho de Maurício de Souza, com sua releitura do quadro ” O violeiro”, de Almeida Júnior. Dêem só uma olhadinha:


Um abraço!

Chegou o livro: Contos e fábulas do Brasil

15/08/2011

Há pouco tempo fiz uma postagem onde falei que meu amigo, o poeta e escritor Marco Haurélio  iria lançar seu livro em breve. Pois é! O  tempo voou e chegou o dia de seu lançamento.

Marco Haurélio é poeta popular, editor e folclorista. Natural de  Riacho de Santana, Bahia, Marco já nos brindou com vários escritos em folhetos de cordel, além de outros  livros, tais como: A Lenda do Saci-Pererê e Traquinagens de João Grilo (Paulus); O Príncipe que Via defeito em Tudo (Acatu), As Babuchas de Abu Kasem (Conhecimento), A Megera Domada (recriado em cordel a partir do original de William Shakespeare) e O Conde de Monte Cristo (versão poética do romance de Alexandre Dumas), os dois últimos para a coleção Clássicos em Cordel.

No Blog do livro Contos e Fábulas do Brasil, encontramos o seguinte comentário:

” No Brasil, não são muitas as coletâneas de contos populares, apesar da alardeada riqueza da nossa cultura popular e do empenho de estudiosos, como Sílvio Romero, Câmara Cascudo e Lindolfo Gomes. A publicação de Contos e fábulas do Brasil, pela editora Nova Alexandria, se reveste, por isso, de grande importância. Coligidos por Marco Haurélio, estes contos da tradição oral brasileira estão agora imortalizados em um livro que conta, também, com belíssimas ilustrações do artista plástico paraibano Severino Ramos. (…)    Ricamente ilustrada, a obra ganhou um tratamento especial por meio de notas esclarecedoras, assinadas pelo conceituado folclorista português, Paulo Correia, que trazem, além da classificação e do número de versões, informações valiosas sobre o percurso dessas histórias que ajudam a compor o mosaico que os estudiosos denominam cultura popular.”

Podemos perceber na trajetória de Marco Haurélio sua preocupação e o compromisso com a pesquisa da cultura popular, e  agora esta se materializa no lançamento dessa  obra.

Vale lembrar que estamos no mês do folclore e acredito que o lançamento deste livro é um convite e uma oportunidade para conhecermos e explorarmos outras facetas da cultura popular.

O lançamento do livro Contos e Fábulas do Brasil será no dia 20/08/11, às 15h na Livraria da Vila – Rua Fradique Coutinho, 915 – Vila Madalena, conforme segue abaixo no banner :

Um abraço  e até lá!