Archive for the ‘Literatura de Cordel’ Category

A literatura de cordel está ‘arrepiando’ mais uma vez

27/10/2017

 

Cordéis de arrepiar é uma coleção da editora IMEPH, de Fortaleza, criada por Arlene Holanda e coordenada por ela e pelo poeta Rouxinol do Rinaré. Reúne contos populares da tradição oral de vários povos. Os primeiros volumes, África América, foram escritos por Rouxinol do Rinaré e seu irmão, Evaristo Geraldo, e ilustrados por Edu Sá. O terceiro volume, com contos disseminados pelo continente europeu, numa vasta área que vai da Irlanda à Rússia, conta com três textos do poeta e pesquisador da literatura popular, Marco Haurélio.

Esta inusitada coletânea está entre as dez obras finalistas ao Prêmio Jabuti 2017 na categoria Adaptação.

O lançamento do livro  será no dia 28 de outubro, às 16h, na Editora Nova Alexandria, Rua Engenheiro Sampaio Coelho, 111.

Neste dia haverá a Feira de Mal-Assombro, com muitas histórias de arrepiar. Vejam os destaques:

Vamos lá! Será um sábado de muitas histórias!

Um super abraço!

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13 de junho: dia de Santo Antônio

13/06/2016
Santo-Antônio-de-Pádua-com-o-Menino-Jesus

Santo Antônio de Pádua com o Menino Jesus

 

Junho é um mês de festa. E hoje, 13 de junho é o dia de Santo Antônio.

Aqui, compartilho e republico uma postagem do Blog Cordel Atemporal, de meu amigo Marco Haurélio:

Bendito em louvor de Santo 

Santo Antonio

 

Socorre, Antônio, socorre,
Depressa, incontinenti,
Vai livrar seu pai da forca,
Que vai morrer inocente.

— Você fica aqui em Pádua,
Que eu vou lá em Portugal.
Vou livrar meu pai da forca,
Que sem culpa vai pagar.

Tenha, moço, a justiça,
Daí não consiga mais
E olhe que não é esse
O homem que vós pensais.

Veja que não sou Justino
Nem também falando torto.
Vim aqui justificar
Pela boca de um morto.

Te alevanta, corpo morto,
Vem aqui justificar
Se esse homem te matou
Ou sem culpa vai pagar.

— Esse homem não me matou
Nem por mim ele pecou.
Na hora da minha morte,
Mas ante’ ele me ajudou.

— Ô meu padre Santo Antônio,
Vossa glória é de reis.
Sei que é o padre santo Antônio,
Vencedor de todas leis.

Ô meu padre santo Antônio,
Me diga onde foi morar.
Embora eu não lhe conheça,
Mas mando lhe visitar.

— Oh meu pai, eu sinto muito
De você desconhecido.
Eu sendo seu filho Antônio,
Que de vós eu fui nascido.

Eu me chamava Fernando,
Mudei meu nome pra Antônio
Pra livrar as criaturas
Da tentação do demônio.

Eu de vós não quero nada,
Só quero a vossa benção.
Que eu vou para a Itália
Terminar o meu sermão.

 

Nota: Santo Antônio, segundo o relato tradicional, estava em Pádua, e teve de se deslocar até Lisboa para livrar seu pai, acusado de homicídio, da forca. A lenda descreve dois milagres: a bilocação, capacidade de estar em dois lugares ao mesmo tempo; e a ressurreição do jovem assassinado, que inocentou o pai de Santo Antônio.

A lenda está presente nesta quadra popular:

Santo Antônio é tão santo
Que livrou seu pai da morte
Bem podia Santo Antônio
dar-me uma bonita sorte

(Fernando de Castro Pires de Lima. Um milagre de Santo Antônio. Em LIRA, Marisa. Estudos de folclore luso-brasileiro).

Fonte: Seu Heliodoro (Dorão), já falecido.

Serra do Ramalho, Bahia.

E viva Santo Antônio!

Literatura de Cordel: memória, afetividade e contação de histórias

21/03/2016

Faz muito tempo que aprecio e divulgo, sempre que há oportunidade, a Literatura de Cordel, a poesia e contação de histórias. Nestes últimos dias, percebi que as artes literárias tiveram algumas comemorações: o dia Internacional do Contador de Histórias, no dia 20 de março, e o dia 21 de março é o dia mundial da poesia.

O dia Internacional do Contador de Histórias, 20 de março, foi criado em 1991, na Suécia, e tem como principal objetivo reunir os contadores e promover a prática em todo mundo. Já o dia Mundial da poesia foi  criado em 1999 pela UNESCO,  com o objetivo de estimular a produção e celebrar a poesia como forma de arte em todo o mundo.

No último sábado, dia 19 de março, tive a honra de ser convidada pelo amigo, pesquisador, cordelista e escritor Marco Haurélio para assistir sua palestra: Literatura de Cordel: memória e afetividade. A palestra integrou o I Colóquio  A Contação de Histórias como contribuição à Neuroeducação, que aconteceu no Colégio Passionista, na Zona Norte de São Paulo.

Palestra Marco Haurelio

Palestra Marco Haurélio no Colégio Passionista

Durante sua apresentação, que foi permeada de histórias contadas por meio do cordel, tive vários flashes de memória de quando conheci o Marco Haurélio e do período vivido como estudante de Pedagogia. Naquele período, principalmente no ano de 2008, eu estava pesquisando  para elaborar meu Trabalho de Conclusão de Curso, que teve o tema: Literatura de Cordel – percorrendo os caminhos da poesia.

Como servidora municipal tive a oportunidade de trabalhar nos espaços do Bosque da Leitura e assistir a diversas apresentações de  contadores de histórias, poetas, músicos, cordelistas e  repentistas.

Vanessa Castro - Out/ 2007-Bosque da Leitura Pq.Jd.da Luz

   Vanessa Castro – Out/ 2007-Bosque da Leitura Pq.Jd.da Luz

 

Débora kikuti-maio/ 2009- Bosque da Leitura Parque Jardim da Luz

   Débora Kikuti-maio 2009- Bosque da Leitura Pq Jd. da Luz

 

Elaine Gomes-OUT/2010- no Bosque da Leitura Pq Cidade Toronto

Elaine Gomes-OUT/2010- no Bosque da Leitura Pq Cidade Toronto

 

Repentista Sebastião Marinho no Bosque da Leitura do Parque do Trote -Julho/2012

Repentista Sebastião Marinho no Bosque da Leitura do Parque do Trote -Julho/2012

 

Cordelista João Gomes de Sá-SET 2012-Bosque da Leitura Parque Toronto

Cordelista João Gomes de Sá -SET/2012-Bosque da Leitura Parque Cidade de  Toronto

Tive a oportunidade de ouvir a incrível contadora de histórias Andrea Sousa, contando e encantando  histórias para crianças crescidas, na Semana do Servidor Público, em outubro de 2014, na Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo.

Andrea Sousa - out/2014 Semana do Servidor

       Andrea Sousa – out/2014-Semana do Servidor-SMDHC

Atualmente algumas livrarias promovem contação de histórias, como é o caso da Livraria Cortez, no bairro de Perdizes, e a  Livraria Nove Sete, na Vila Mariana.

A Livraria Cortez, dentre outras atividades, abre suas portas para encontros com poetas, escritores, contadores de histórias, além de periodicamente promover no mês de agosto o evento Cordel na Cortez. Aqui, um pequeno registro por ocasião do lançamento do livro infanto juvenil, de Marco Hauélio: Os doze trabalhos de Hércules, com belíssimas ilustrações de Luciano Tasso. Neste dia, 12 de abril de 2012, também aconteceu uma bonita contação de histórias com o TEATRO DE GAIA .

Os 12 trabalhos de Hércules por Marco Haurélio e ilustrado por Luciano Tasso

Os 12 trabalhos de Hércules por Marco Haurélio e ilustrado por Luciano Tasso

Contação de história na livraria cortez 04-2014

            Contação de história na Livraria Cortez 12/04/2014

No ano passado, em abril de 2015, estive na Livraria Nove Sete no lançamento  do livro infantil: Nem borboleta, nem cobra, de autoria de Marco Haurélio. Naquela ocasião, a contadora de história Lucélia Borges prendeu a atenção de crianças de todas as idades ao contar a história que dá nome ao livro.

Lucélia Borges - contadora de histórias -abril/2015

Lucélia Borges – contadora de histórias -abril/2015

Percebi que ao narrar poeticamente a história, cria-se um laço  mágico entre o contador e os ouvintes, de modo a mantê-los unidos na palavra. Me atrevo a dizer que é a palavra a gênese da transformação em quem fala e, também naquele que ouve, ou seja: na comunicação de coração a coração por meio da história, da poesia que necessita da memória e do afeto para fazer e manter as conexões harmônicas entre as pessoas.

Observando cada um em seu estilo, se percebe que todos têm histórias para contar: quer sejam em forma de narrativas, canções, cantorias ou poesia. Cada um de nós é um contador de histórias e cada um traz uma carga de memória e afetividade na arte da comunicação humana.

Para finalizar e comemorar o DIA INTERNACIONAL DA POESIA recorro à página do Facebook do amigo Pedro Monteiro e tomo emprestado os versos  que ele fez para celebrar nesta data, e sua imagem entre os livros e os cordéis.

Em cada curva da estrada
Um balaio de alegria,
Ou abordo de um veleiro
No mar da sabedoria,
Pelo remanso da calma
Faz-lhe um afago na alma,
Erudição e poesia.

Pedro Monteiro -Poeta e Cordelista

Pedro Monteiro -Poeta e Cordelista

 

Acredito que é muito importante desenvolver o espírito poético e mantê-lo vivo frente às condições históricas atuais.  A Arte é o que nos mantém vivos e humanos.

Um super abraço!

Saci Pererê: uma lenda do folclore, várias leituras e seu reconhecimento

31/10/2015

A Lenda do Saci - Capa

A lenda do Saci Pererê é contada e recontada há anos e com muitas versões.

O nome: Saci – Pererê  era originalmente: Yaci-Yaterê de origem Tupi Guarani.  Algumas versões falam que os Sacis vivem setenta e sete anos e se originam do bambu. Após sete anos de “gestação” dentro do gomo do bambu ele sai para uma longa vida de travessuras e quando morre se metamorfoseia em cogumelos venenosos ou em “orelhas de pau”. Quem é do interior ou já foi ao campo a passeio deve ter visto alguma vez, uma espécie de cogumelo que se forma nos troncos das árvores e que se parece com uma orelha.

Há ainda a versão de que o Saci  originou-se entre as tribos indígenas do sul do Brasil e recebeu influência da mitologia africana, o saci se transformou em um negrinho que perdeu a perna lutando capoeira, além disso, herdou o pito, uma espécie de cachimbo, e ganhou da mitologia europeia um gorrinho vermelho. Sua principal característica do saci é a travessura e diverte-se com os animais e com as pessoas. Por ser  muito moleque ele acaba causando transtornos, como: fazer o feijão queimar, esconder objetos, jogar os dedais das costureiras em buracos. Segundo algumas versões a carapuça do Saci lhe dá poderes mágicos, como:invisibilidade, faz desaparecer objetos, prende as pessoas, derruba água, faz uma chama de fogão se acender sozinha, etc. Quando alguém consegue tirá-la de sua cabeça, o Saci fica sob o domínio dessa pessoa. Mas dada sua esperteza, ele acaba roubando o gorro de volta.

Monteiro Lobato, em 1921, lança o livro: O Saci. Atualmente este livro tem como Editora Globo e ilustrações de Paulo Borges. No livro, enquanto Pedrinho passa férias no Sítio do Picapau amarelo, o tio Barnabé lhe conta as suas histórias do Saci para a criançada e, então, Pedrinho se vê desafiado a pegar o Saci e então a fantasia ganha muitas formas.

saci

Em 2009, nasce o livro: A lenda do Saci Pererê em cordel, do escritor e cordelista Marco Haurélio e ilustrações de Elma. É uma viagem rimada e ritmada, onde o autor bebeu das fontes do folclore capixaba para compor sua releitura. Aqui, um pequeno trecho:

Passou o tempo e o Saci
Voltou àquela fazenda.
Parece que o danadinho
Vinha mesmo de encomenda,
Causando aborrecimentos,
Numa algazarra tremenda.

Ele amassava as panelas,
Sujava a casa todinha,
Misturava nas vasilhas
O açúcar com a farinha,
E ia embora sorrindo,
Pulando numa perninha.

A mãe aflita rezava
As orações que sabia,
Mas o moleque danado
Cada oração repetia,
Arremedando a mulher,
Que muito se aborrecia.

O Saci ganhou o dia 31 de outubro. Fruto de reivindicações e projetos de lei que foi sancionado em 2003 (projeto de lei federal nº 2.762, de 2003 -apensado ao projeto de lei federal nº 2.479, de 2003), com o objetivo de resgatar figuras do folclore brasileiro, em contraposição ao “Dia das Bruxas”, ou Halloween, de tradição cultural celta.

Para finalizar, compartilho este pequeno filme sobre o SACI PERERÊ, que considero uma produção muito sensível e bela.

Um super abraço!

Começando 2014 com poesia e música

01/01/2014

pomba_branca

Quando chega o último dia do ano  temos por tradição desejar a paz, prosperidade, saúde e sucesso aos amigos e familiares. Dessa forma, deixamos que finalize o ano anterior e saudamos  o novo que se anuncia. O primeiro dia do ano, o  1º  de Janeiro, é conhecido internacionalmente como o Dia  Mundial da Paz, ou ainda o  Dia da Confraternização Universal.

Hoje encontrei entre vários posts no Facebook, alguns traziam e traduziam por meio da  expressão poética o desejo de PAZ, saúde, felicidade, enfim, tudo o que caracteriza este Dia da Confraternização Universal.

Compartilho com vocês um pouco da arte poética de dois amigos cordelistas, que são: Pedro Monteiro e Varneci Nascimento:

De Pedro Monteiro:

Em sete versos poéticos
Eu quero te desejar
Duas mil e quatorze estrelas
Que não cessem de brilhar,
Com muita esperança acesa,
Paz e alimento na mesa,
Saúde e brilho no olhar. (Pedro Monteiro)

De Varneci Nascimento:

Que se vá dois mil e treze,
Dois mil e catorze venha
Trazendo muito saúde
E o segredo da senha
Para que a felicidade
Entre a gente se mantenha.

A força que toda a terra
Precisa nos seja dada,
A paz esteja preãomorada
E a nossa humanidade
Pra sempre pacificada.

Eu desejo a cada um,
Saúde, paz, alegria.
Sucesso na sua vida
E um mundo de harmonia
Bastante prosperidade
Visite o seu dia a dia. (Varneci Nascimento)

Para finalizar compartilho a canção A PAZ (de  Gilberto Gil e João Donato) na interpretação de  Zizi Possi.

Desejo a todos um 2014 de Paz e Realizações!

Um super abraço!

Uma viagem pela Literatura de Cordel

21/08/2012

A Literatura de Cordel tem sempre espaço neste blog, uma vez que faz parte da minha história de vida. E percebo que a minha história de vida  também se entrelaça com a de outras pessoas e, também, com outros espaços que mantêm e preservam a cultura popular.

No último sábado, dia 18, estive na Livraria Cortez em mais um encontro com o Cordel; desta vez, em um sarau lítero musical que reuniu músicos, poetas, cordelistas, enfim os amantes do Cordel.  Aquele dia  marcou o início da Semana do VIII Cordel da Cortez , e se encerra no próximo sábado, dia 25 de agosto. É um evento comemorativo, pois há 10 anos a Livraria Cortez promove esse encontro com a cultura popular, e neste ano também se comemora os 100 anos do Rei do Baião: Luiz Gonzaga.  Durante toda a semana haverá uma série de atividades com o público e para o público de todas as idades. Vale muitíssimo a pena ver e curtir. O endereço da Livraria Cortez é Rua Bartira, 317 – ao lado da PUC.

Compartilho com vocês algumas fotos que fiz da abertura, no dia 18 de agosto:

Abertura do VIII Cordel da Cortez

Na fotografia acima, temos a presença do Senhor Cortez, fundador da Livraria, o poeta Moreira de Acopiara, músico, poeta e escritor Costa Senna, que na ocasião lançou o livro  “Cordéis que educam e transformam”.

Abaixo temos uma apresentação do escritor  e cordelista Marco Haurélio, curador do VIII Cordel da Cortez.

Na foto que segue, temos a presença de Aldy Carvalho, cantor, compositor, poeta e violonista pernambucano. Foi uma apresentação que  muito me encantou, pois a música de Aldy possui sublimes melodias e poética sertaneja.

Também reencontrei o músico, cantor e compositor alagoano Ibys Maceioh, que, com suas canções, homenageou o Rei do Baião, Luiz Gonzaga.

Na foto abaixo, o  apresentador Moreira de Acopiara convida o artista  pernambucano Valdeck de Garanhuns, que com muito humor conta seus ‘causos’.

Em seguida,  temos o momento poético de Costa Senna:

E Costa Senna também deixa para todos o som e o sabor do cordel musicado:

O VII Cordel da Cortez foi um momento de muita poesia, música e entrosamento de todos, inclusive das crianças, que aproveitaram cada uma a seu modo:

Por alguns instantes,  deixei a máquina fotográfica e fui curtir com meu filho, Ulisses, que com seus 1 ano e oito meses já se diverte e aprende com os livros e com o Cordel:

Um super abraço!

Toronto: livros, crianças e poesia

03/07/2012
 
 
Um dia frio
Um bom lugar prá ler um livro
E o pensamento lá em você…  (música: ‘Nem um dia’ – Djavan)
 
 
 

O primeiro domingo do Inverno amanheceu bem frio.

Aos poucos, o Astro Rei deixou-se sair, e, timidamente seus primeiros raios foram ganhando  em força e calor.  Às  10 horas a temperatura já estava muito mais agradável.

As crianças já estavam acordadas e ansiosas. Esperavam que seus pais deixassem a preguiça na cama e levantassem para levá-las ao Parque.

E esperaram muito…

Então, depois de muito  esperar e ver quase todos os canais da televisão, finalmente bateram à porta, até um deles  abrir e se render à intimação: Queremos ir ao parque! Vamos, papai! Ande!

O quê fazer?  Levantar, tomar café e atendê-los. Sem mais demora!

Chegaram ao Parque Cidade de Toronto.

Às 11h o playground do parque estava abarrotado de crianças.

Do outro lado, o Bosque da Leitura esperava um momento em que alguma criança se cansasse de brincar e fosse reciclar suas energias com os gibis, mangás e os livros novos que haviam  chegado e estavam sendo preparados para o acesso do público.

Francie e Margarida estavam empolgadas com as novas aquisições do Bosque da Leitura. Atentamente, Francie verificava a listagem e, um a um etiquetava os números de tombo, enquanto Margarida procurava o melhor espaço para carimbar a identificação do Bosque da Leitura Parque Cidade de Toronto .  Francie não se aguentava e folheava cada um deles, sem se dar conta dos minutos voando…   Margarida carimbava e se entretinha com alguns livros; curtia cheirá-los, sentir as palavras em relevo e a textura do papel. Cada livro trazia um cheiro diferente, uma história fantástica e poesias que eram música para a alma…

Vejamos alguns dos livros que elas curtiram: 

“A girafa tem torcicolo?” é um livro infanto juvenil muito empolgante, com muitas curiosidades ‘animais’. Seu autor, o biólogo Guilherme Augusto Domenichelli, soube muito bem encaixar as informações sobre o reino animal com ditos e frases populares, tais como:   “ Memória de elefante”, “Lágrimas de crocodilo”,  “Dormir com as galinhas”, “Abraço de Tamanduá”, “Abrira a calda de pavão”, “Estômago de avestruz”, entre outras curiosidades.

“Era uma vez… Era uma vez: eu. Mas aposto que você não sabe quem eu sou. Prepare-se para uma surpresa que você nem adivinha. Sabe quem eu sou?” E assim começa o livro de Clarice Lispector “ Quase de verdade”. No livro Clarice dá vez e voz a um cachorro  que fica “latindo para Clarice e ela — que entende o significado de meus latidos — escreve o que eu lhe conto”

O clássico  “Viagem ao centro da Terra”, de Julio Verne, ganha em poesia e arte com a adaptação de Costa Senna e belas ilustrações de Cristina Carnelós. Costa Senna com muita sensibilidade e competência transforma a prosa em poesia de cordel, e olhem como a aventura começa:

“Final de mil e oitocentos
do ano sessenta e três,
começava essa história,
Maio era este o mês
E esta vai acorrentar
A atenção de vocês.”

Mais adiante, no meio da aventura o poeta :

“Reiniciamos a descida
Na galeria de lava.
Ia tudo muito calmo
Por onde a gente passava
E, até o meio dia,
A paz nos acompanhava.
 
Depois dali nós chegamos
Perto duma encruzilhada,
Marchamos pro lado leste,
A rota mais indicada
Além de ser muito escura
Vez por outra era apertada.”
 

Desde o Ceará até o Rio de Janeiro e espalhado pelo mundo, a literatura de cordel  está presente em todas as  suas formas, desde  folhetos tradicionais e até o mundo virtual, sempre aguçando a sensibilidade e curiosidade dos leitores. “A Peleja do Violeiro Magrilim com a formosa Princesa Jezebel” é um exemplo de sensibilidade e pesquisa. Seu autor Fábio Sombra nos estimula e provoca risos nesta peleja entre a princesa  Jezebeu e o plebeu Magrilim, que desafia o destino traçado pelo cruel Percival, pai da princesa.

Por que Vossa Majestade
Nosso rei não anuncia
Que a mão de vossa filha
Será dada em cortesia
Ao violeiro que vence-la
Num torneio de poesia?  (…)
 
Muito humilde e respeitoso
O magrelo disse então:
Não é luxo, nem riqueza
Que me tocam o coração.
Quero o amor de sua filha
Essa sim é minha ambição…(…)

O livro é muito divertido e traz belíssimas ilustrações feitas pelo autor, pois  além de ser poeta e pesquisador do folclore brasileiro, Fábio Sombra é também o ilustrador  e um dos nomes mais respeitados em Arte Naif  contemporânea brasileira.

Francie ficou encantada com o livro: “Os comedores de palavras”, dos autores Edimilson de Almeida Pereira e Rosa Margarida de Carvalho Rocha. O livro narra um conto sobre a prática de contar histórias do povo africano. O livro traz também sugestões de atividades  para o leitor.

Enquanto esperam que as crianças brinquem bastante, até à exaustão, os pais aproveitam o espaço de leitura  com o seu acervo, jornais do dia e as revistas semanais. Ai, ai…”quem lê tanta notícia”…?

Enquanto isso, no grande lago de Toronto, os peixes aproveitam os pedacinhos de pão que lhes são oferecidos…

E para finalizar, eu, Margarete Barbosa escrevi e compartilho com vocês:

Domingo de Inverno
 
Um sol
sem ser ardido
brilha sobre o gramado
aquece a criança
o lago
os marrecos
as papoulas.
 
O domingo de inverno
estando bem aquecido
convida ao
lúdico
das crianças
e seus pais.
 
O adulto traz a criança
pelas mãos
no coração
Brinca
Ri
Chora
Não quer ir embora.