Archive for the ‘Encontro de culturas’ Category

6 de janeiro: Dia de Reis

06/01/2017
Estátua dos Reis Magos em Natal - RN

Estátua dos Reis Magos em Natal – RN

 

 Hoje, dia 06 de janeiro, é lembrado e comemorado  O Dia de Reis. Uma data que encerra o ciclo natalino e abre os preparativos para o Carnaval. Segundo a tradição católica o Dia de Reis, celebra o dia em que os três reis magos levaram presentes ao menino Jesus

De acordo com essas tradições,  a comemoração do Dia de Reis vem desde  o século 8 quando  os reis  magos Melchior, Baltazar e Gaspar, três reis magos que depois de guiados  por uma estrela até o estábulo para presentear o menino Jesus . Esse episódio passou a ter uma representação na história da humanidade, além de diversas comemorações.

Particularmente, lembro e referencio este dia. E quero comemorar  e compartilhar com imagens colhidas na rede, além das manifestações que acontecem em todo o Brasil.

Inicialmente, trago a imagem da Arte Naif do artista pernanbucano Militão dos Santos: Folia de Reis

Folia de Reis - Militão dos Santos

                                       Folia de Reis por Militão dos Santos

Muitas comunidades no interior do Brasil, promovem os chamados Reisados ou Folias de Reis, que são festas folclóricas que receberam a influência das origens européias da celebração mas que adotaram formas, cores e significados locais bastantes próprios de nosso povo na expressão que virou parte de nossa cultura.

Os Reisados brasileiros envolvem música, dança, celebração religiosa, orações, com elementos específicos mais marcantes dependendo da região do país, e acrescenta a tradição de que aqueles que recebem a visita do Reisado em suas casas (na realidade, o simbolismo representa a visita dos Reis Magos a Jesus) devem oferecer graciosamente comida a seus integrantes, que realizam toda sua preformance de tradição folclórica-religiosa local, enaltecem o hóspede, que agradecem pela comida e seguem para o próximo destino.

Navegando na Rede, encontrei um belo documentário Expedições da TV Brasil: Reisados do Ceará. Vale a pena assistir, curtir  e compreender um pouco do sentido dessa tradição:

Na Rede Social do Facebook, meu amigo Marco Haurélio compartilhou a canção: Reisado (Santos Reis) com a interpretação da dupla Pena Branca e Xavantinho. Vamos ouvir?

 

Segue aqui o poema/canção que foi  recolhido pela folclorista goiana Ely Camargo, que em 2014, com seus 84 anos deixou um legado cultural e musical para os apreciadores da Cultura Popular:

O galo cantou no Oriente
Surgiu a estrela da guia
Anunciando à humanidade
Que o menino, Deus nascia
Em uma estrebaria

Vinte e cinco de Dezembro
Não se dorme num colchão
Deus menino teve a cama
E folha seca do chão
Pra nossa salvação

Senhora dona da casa
Óia a chuva no telhado
Venha ver o Deus Menino
Como está todo molhado
Os três reis a seu lado

Deus lhe pague a bela oferta
E vós deu com alegria
O Divino Santo Reis
São José Santa Maria

 

Essa tradição também é vivida em outros lugares do Brasil, como por exemplo em Alagoas.  Aqui relembro uma personalidade do reisado alagoano: Mestra Virginia de Moraes.

 

mestra Virginia de Moraes

Mestra Virginia de Moraes

Mestra Virgínia de Moraes nasceu em 1916  em  Rio Novo, Maceió, faleceu em 2003. Mestra de reisado, cantadora, rezadeira, benzedeira, parteira de profissão, autora e intérprete de belas poesias e da música popular tradicional alagoana. Aqui trago o sua Marcha do Reisado. Vale muito a pena ouvir.

Aqui deixo registrado minha homenagem ao dia de Santos Reis!

Viva!

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Dança nos parques: um religar do homem com a natureza

20/05/2016
Núcleo Pé de Zamba - "A cruz que me carrega"

             Núcleo Pé de Zamba – “A cruz que me carrega”

No último dia 14 de maio, tive a grata oportunidade de unir  “o útil ao agradável” e estar presente em uma  belíssima apresentação no Bosque de Leitura do Parque Ibirapuera. Sob céu que nos protege e o parque que acolhe diversas pessoas oriundas de todos os cantos da cidade, tivemos uma tarde de resgate da cultura afrobrasileira.

Esse resgate foi materializado por meio de cantos e dança do Núcleo Pé de Zamba, que apresentou o espetáculo: “A cruz que me carrega”.

Este espetáculo foi pensado para espaços não convencionais e se inspira na trajetória da população afro-banto, vinda ao Brasil na condição de escravizada. Ao investigar aspectos desta migração através das manifestações culturais encontradas na Irmandade de N. Sra. do Rosário de Justinópolis, o grupo identificou reverberações culturais surgidas a partir da chegada destes africanos. “A Irmandade é uma comunidade centenária sediada em Ribeirão das Neves, Minas Gerais, e funciona como um lugar que acolhe e une a comunidade afrodescendente da região, a exemplo do que acontecia desde a escravidão com tantas outras irmandades dos homens pretos em todo o país”, aponta Andrea Soares, cuja pesquisa de mestrado investiga a interface entre a contemporaneidade e as culturas populares tradicionais brasileiras, passando especialmente por questões ligadas à afrobrasilidade, em seu cunho artístico e político-social.

Vejamos alguns momentos do espetáculo ao lado do Bosque da Leitura do Parque Ibirapuera, em um pequeno registro fotográfico que fiz na ocasião:

Núcleo Pé de Zamba - A cruz que me carrega4

Núcleo Pé de Zamba - A cruz que me carrega

Núcleo Pé de Zamba - A cruz que me carrega2

Núcleo Pé de Zamba - A cruz que me carrega6

Núcleo Pé de Zamba - A cruz que me carrega5

A concepção e criação do espetáculo é de Andrea Soares, que integra o seleto elenco ao lado de Joana Egypto, Jô Pereira, Leandro Medina, Cristiano Cunha e  Palomaris Mathias.

Segundo Andrea Soares:  “a contribuição africana na cultura brasileira é indiscutível. Dança, música, gastronomia religiosidade e uma forma de estar no mundo que permeia nossas ações cotidianas, trazendo criatividade e alegria, gana e resistência.

No intuito de ressaltar esta herança, reconhecendo-se nela, o Núcleo Pé de Zamba debruçou-se sobre a Irmandade de Nossa Sra. do Rosário de Justinópolis/MG, por encontrar ali a presença afro-banto delineada em muitos aspectos. Entre eles, marcou-nos especialmente a forma de se viver em arte e do entendimento da existência em prol do coletivo.

A força do comunitário, unida à presença ritual da religiosidade afro-cristã, inundou nossos corpos de dança e de um impulso transformador, falando-nos de uma fé que extrapola dogmas e amarras para ser um fio condutor de uma vida contemplada pela leveza. Ali não se carregam cruzes… O peso da vida é fardo partilhado.”

Para conhecer um pouco sobre a  Irmandade do Rosário de Justinópolis, Ribeirão das Neves, Minas Gerais compartilho a primeira parte de documentário  produzido pelo grupo A Barca e Olhar Imaginário:

 

O Núcleo Pé de Zamba irá se apresentar  no próximo sábado, 21 de maio, às 15h, no Bosque da Leitura Parque Raposo Tavares – Rua Telmo Coelho Filho, 200-Vila Albano.

Vale muito a pena ver e curtir este espetáculo.

Um super abraço!

Índia! em São Paulo

12/04/2012

Trabalhar na região central de São Paulo é muito bom, principalmente quando temos vários eventos culturais em locais próximos. Sabemos que várias culturas se encontram em Sampa, e agora é a hora e a vez da Cultura Indiana.

Durante alguns dias, aproveitei o horário de almoço para dar uma esticadinha até o Centro Cultural Banco do Brasil, onde pude conhecer e entrar no  clima  da tradição hindu.

A exposição India! acontece até o final deste mês e, sem dúvida, merece nossa apreciação. Todo o  espaço do CCBB (subsolo, térreo, mezanino e os 3 andares) está dedicado a esta mega exposição, mostrando a arte antiga e popular.

A cada dia que eu visitava a exposição, encontrava em cada detalhe uma realidade diferente da minha, mas também familiar e aconchegante. Cada dia que eu ia àquele espaço, sentia reciclar minha energia, e assim podia voltar mais animada para meu trabalho.

Durante as visitas fiz registro fotográfico com minha pequena máquina. Devo confessar que não sou uma fotógrafa profissional, mas gosto muito de fotografia e procuro registrar as minhas impressões,  o meu jeito de olhar por meio das fotos. Nem sempre consigo, pois, como disse a máquina é simples e a pretensa fotógrafa mais simples ainda.  Voltando a imagem que abre a postagem, a de Ganesha, cuja fotografia  foi tirada no térro, na porta de entrada.  Em seguida,  fui ao 3º andar. Lá de cima, olhando para baixo, vejam o que vi:

Esta também é a imagem do deus Ganesha, que está colocado sobre uma base na forma de mandala. É um outro ângulo da mesma imagem que, vista de cima, mostra  uma outra realidade, e uma sensação diferente também. Segundo a tradição hindu, Ganesha é o deus do conhecimento e protetor dos templos e das casas. No panteão hindu, é uma divindade muito cultuada, pois, segundo a tradição, é aquele que remove os obstáculos.  Convido a todos a  clicar aqui e conhecer mais sobre esta divindade.

Descendo os andares, continuei registrando onde era possível e permitido fotografar:

Terracotas de Tamil Nadu

Imagem vista do 3º andar da Exposição India!

India! – instrumentos musicais

Um serviço muito bom, necessário e importante é o Programa Educativo do CCBB, com profissionais que orientam e desenvolvem um trabalho educativo e criativo com o público e as escolas. Nos dias em que estive por lá pude presenciar o trabalho e a curiosidade dos alunos.  Olhem só:

Programa Educativo do CCBB

No subsolo, encontramos a parte histórica e o processo de Independência da Índia. Nesse andar, não foi possível fotografar, bem como nas salas fechadas do 3º e 2º andares.

Esta exposição vai além do Centro Cultural Banco do Brasil e se estende no Sesc Belenzinho. No Sesc a Exposição India Lado a Lado  reúne a arte contemporânea com fotografias, esculturas, pinturas e instalações. Deem só uma olhadinha:

Escultura da Exposição India Lado a Lado

Instalação- India Lado a Lado

Esculturas- Exposição India Lado a Lado

As duas exposições são muito ricas em arte, poesia e estética e há muito o que ver e experienciar, pois o que registrei aqui é apenas uma pequenina parte.

O encontro entre o Brasil-São Paulo e a Índia tem acontecido com uma certa frequência. No ano passado, aconteceu na USP o  Simpósio e Workshop Brasil-Índia, na busca de construção de conhecimentos e estreitamento das relações acadêmicas. Em Janeiro, minha amiga Neuza Guerreiro de  Carvalho participou e registrou em seu Blog da Vovó Neuza uma apresentação de música indiana, que aconteceu na Estação Ciência da USP.

Para finalizar, compartilho um vídeo que considero uma raridade: uma aula de cítara, tendo como professor o famoso músico indiano Ravi Shankar e o beatle George Harrison. Vejamos o vídeo:

Particularmente, já vi alguns músicos brasileiros tocando com maestria a cítara,  como  o músico e filósofo Alberto Marsicano e Marcus Santurys. Destaco abaixo o vídeo com apresentação de Marcus Santurys tocando o clássico Asa Branca, de Luiz Gonzaga e Raga Brasileira.

Um super abraço!

Canções brasileiras e japonesas

08/12/2011

Canções brasileiras e canções japonesas

Recentemente, recebi  indicação do amigo Jarbas Novelino sobre um evento que acontecerá no  Museu de Arte de São Paulo – MASP.  A Fundação Japão, em parceria com o MASP, realizará um encontro na forma de concerto.  É o concerto: Canções Brasileiras e Canções Japonesas – Ensemble Mentemanuque.   A apresentação será gratuita,  no dia 11 de dezembro de 2011, às 15h, com o grupo musical Ensemble Mentemanuque. Este grupo vai nos presentear com 14 peças brasileiras e japonesas para voz, violão, viola caipira, piano, marimba e vibrafone. Pelo que se pode perceber, será um espetáculo!

Eu não conhecia o grupo, por isso busquei informações no site da Fundação Japão, e verifiquei que se trata de um grupo belíssimo, composto por músicos da mais alta competência, formação musical e acadêmica, pois são, inclusive, pesquisadores comprometidos com a qualidade artística.

O Ensemble Mentemanuque é um grupo de música de câmara que se dedica à divulgação da música brasileira contemporânea e a resgates histórico-musicológicos – numa relação indissociável entre composição, interpretação e pesquisa musical.   A formação que irá se apresentar no MASP será com a cantora lírica Yuka de Almeida Prado, Gustavo Costa,  no violão, viola caipira e arranjos, Rubens Ricciardi ao piano e Eliana Sulpício na percussão.

Minha curiosidade me levou a encontrar o site de Yuka de Almeida Prado. Percebi que esta bela soprano é quem faz a ponte Brasil-Japão, pois como ela  afirma:  “a diversidade cultural, o mosaico de povos e raças que compõem a nação brasileira é um forte elemento que promove a fusão de horizontes enriquecendo desta forma, a canção brasileira”. No site de Yuka podemos encontrar sua tese de doutoramento, cujo título é: A poética japonesa na canção brasileira.   É com sensibilidade, estética e rigor científico que Yuka promove uma ‘fusão de horizontes’ nessa tese que merece ser lida pelos amantes da Arte.

Peço licença a Yuka de Almeida Prado para reproduzir aqui um trecho do Prefácio, onde ela destaca a proposta de sua pesquisa:

Esta tese é um ensaio que tem como proposta o redimensionamento da fusão de horizontes das culturas ocidental e oriental através da canção de compositores brasileiros com a poética japonesa. Ela se constitui numa tentativa de abranger a arte do pensar, a arte do selecionar, a arte do elaborar, a arte do ser, a arte do deixar ser, a arte do ser outra coisa, a arte do desejar, a arte do querer, a arte do sentir, a arte do morrer e a arte do viver de forma coerente e integrada.

Já na Introdução da pesquisa, Yuka destaca a importância da poesia e da música:

A poesia vem em primeiro lugar na sequência, pois se trata do meio de expressão no qual se inspira o compositor. Sua música já é uma releitura da poesia. Talvez o compositor procurasse expressar aquilo que se encontra oculto na poesia, ampliando as reverberações poéticas da escrita. Muitas vezes, essa releitura eleva uma poesia, engrandecendo-a em suas dimensões.

Bem, mais que citações acadêmicas, convido a todos para conhecer um pouco da arte de Yuka de Almeida Prado por meio do vídeo abaixo, onde ela interpreta uma composição de Villa Lobos:

Então não vamos esquecer:

Data: 11 de dezembro de 2011 (domingo), às 15h

Local: Museu de Arte de São Paulo Assis
Chateaubriand (MASP) – Grande Auditório

Entrada gratuita

Um abraço!