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Literatura de Cordel: memória, afetividade e contação de histórias

21/03/2016

Faz muito tempo que aprecio e divulgo, sempre que há oportunidade, a Literatura de Cordel, a poesia e contação de histórias. Nestes últimos dias, percebi que as artes literárias tiveram algumas comemorações: o dia Internacional do Contador de Histórias, no dia 20 de março, e o dia 21 de março é o dia mundial da poesia.

O dia Internacional do Contador de Histórias, 20 de março, foi criado em 1991, na Suécia, e tem como principal objetivo reunir os contadores e promover a prática em todo mundo. Já o dia Mundial da poesia foi  criado em 1999 pela UNESCO,  com o objetivo de estimular a produção e celebrar a poesia como forma de arte em todo o mundo.

No último sábado, dia 19 de março, tive a honra de ser convidada pelo amigo, pesquisador, cordelista e escritor Marco Haurélio para assistir sua palestra: Literatura de Cordel: memória e afetividade. A palestra integrou o I Colóquio  A Contação de Histórias como contribuição à Neuroeducação, que aconteceu no Colégio Passionista, na Zona Norte de São Paulo.

Palestra Marco Haurelio

Palestra Marco Haurélio no Colégio Passionista

Durante sua apresentação, que foi permeada de histórias contadas por meio do cordel, tive vários flashes de memória de quando conheci o Marco Haurélio e do período vivido como estudante de Pedagogia. Naquele período, principalmente no ano de 2008, eu estava pesquisando  para elaborar meu Trabalho de Conclusão de Curso, que teve o tema: Literatura de Cordel – percorrendo os caminhos da poesia.

Como servidora municipal tive a oportunidade de trabalhar nos espaços do Bosque da Leitura e assistir a diversas apresentações de  contadores de histórias, poetas, músicos, cordelistas e  repentistas.

Vanessa Castro - Out/ 2007-Bosque da Leitura Pq.Jd.da Luz

   Vanessa Castro – Out/ 2007-Bosque da Leitura Pq.Jd.da Luz

 

Débora kikuti-maio/ 2009- Bosque da Leitura Parque Jardim da Luz

   Débora Kikuti-maio 2009- Bosque da Leitura Pq Jd. da Luz

 

Elaine Gomes-OUT/2010- no Bosque da Leitura Pq Cidade Toronto

Elaine Gomes-OUT/2010- no Bosque da Leitura Pq Cidade Toronto

 

Repentista Sebastião Marinho no Bosque da Leitura do Parque do Trote -Julho/2012

Repentista Sebastião Marinho no Bosque da Leitura do Parque do Trote -Julho/2012

 

Cordelista João Gomes de Sá-SET 2012-Bosque da Leitura Parque Toronto

Cordelista João Gomes de Sá -SET/2012-Bosque da Leitura Parque Cidade de  Toronto

Tive a oportunidade de ouvir a incrível contadora de histórias Andrea Sousa, contando e encantando  histórias para crianças crescidas, na Semana do Servidor Público, em outubro de 2014, na Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo.

Andrea Sousa - out/2014 Semana do Servidor

       Andrea Sousa – out/2014-Semana do Servidor-SMDHC

Atualmente algumas livrarias promovem contação de histórias, como é o caso da Livraria Cortez, no bairro de Perdizes, e a  Livraria Nove Sete, na Vila Mariana.

A Livraria Cortez, dentre outras atividades, abre suas portas para encontros com poetas, escritores, contadores de histórias, além de periodicamente promover no mês de agosto o evento Cordel na Cortez. Aqui, um pequeno registro por ocasião do lançamento do livro infanto juvenil, de Marco Hauélio: Os doze trabalhos de Hércules, com belíssimas ilustrações de Luciano Tasso. Neste dia, 12 de abril de 2012, também aconteceu uma bonita contação de histórias com o TEATRO DE GAIA .

Os 12 trabalhos de Hércules por Marco Haurélio e ilustrado por Luciano Tasso

Os 12 trabalhos de Hércules por Marco Haurélio e ilustrado por Luciano Tasso

Contação de história na livraria cortez 04-2014

            Contação de história na Livraria Cortez 12/04/2014

No ano passado, em abril de 2015, estive na Livraria Nove Sete no lançamento  do livro infantil: Nem borboleta, nem cobra, de autoria de Marco Haurélio. Naquela ocasião, a contadora de história Lucélia Borges prendeu a atenção de crianças de todas as idades ao contar a história que dá nome ao livro.

Lucélia Borges - contadora de histórias -abril/2015

Lucélia Borges – contadora de histórias -abril/2015

Percebi que ao narrar poeticamente a história, cria-se um laço  mágico entre o contador e os ouvintes, de modo a mantê-los unidos na palavra. Me atrevo a dizer que é a palavra a gênese da transformação em quem fala e, também naquele que ouve, ou seja: na comunicação de coração a coração por meio da história, da poesia que necessita da memória e do afeto para fazer e manter as conexões harmônicas entre as pessoas.

Observando cada um em seu estilo, se percebe que todos têm histórias para contar: quer sejam em forma de narrativas, canções, cantorias ou poesia. Cada um de nós é um contador de histórias e cada um traz uma carga de memória e afetividade na arte da comunicação humana.

Para finalizar e comemorar o DIA INTERNACIONAL DA POESIA recorro à página do Facebook do amigo Pedro Monteiro e tomo emprestado os versos  que ele fez para celebrar nesta data, e sua imagem entre os livros e os cordéis.

Em cada curva da estrada
Um balaio de alegria,
Ou abordo de um veleiro
No mar da sabedoria,
Pelo remanso da calma
Faz-lhe um afago na alma,
Erudição e poesia.

Pedro Monteiro -Poeta e Cordelista

Pedro Monteiro -Poeta e Cordelista

 

Acredito que é muito importante desenvolver o espírito poético e mantê-lo vivo frente às condições históricas atuais.  A Arte é o que nos mantém vivos e humanos.

Um super abraço!

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Mulheres que (en)cantam

09/03/2016

cantantes

 

Estamos na semana de comemorações ao 8 de março,  Dia Internacional da Mulher. Esta data traz uma lembrança histórica muito trágica, uma vez que neste dia em 1857, morreram cerca de 130 mulheres carbonizadas, que foram trancadas numa fábrica de tecelagem, em Nova York, onde trabalhavam. Elas morreram lutando por reivindicar seus direitos. Como elas, muitas outras, em diferentes épocas, lugares e situações continuam dando (e doando) suas vidas para garantir o direito à Vida.

Há muito tempo nós, mulheres, lutamos  para conquistar e garantir direitos e seremos reconhecidas não apenas pelo esforço, mas principalmente pelo talento, criatividade e ousadia.

Hoje quero destacar algumas mulheres talentosas, criativas e ousadas que tive/tenho o prazer de conhecer. São artistas brilhantes e merecem ser (re)conhecidas e ouvidas.  São três mulheres de lugares diferentes, personalidades bem marcantes, trajetórias distintas e com uma qualidade em comum: o Amor à Arte e à Música.

Inicialmente, quero apresentar compositora e cantora pernambucana Maria Olívia, radicada no Rio de Janeiro, que com muita luta e criatividade encontrou na musa Música popular  seu ofício e sua razão de ser e de estar. Aqui destaco o frevo A dança da Onça, uma parceria com Dinho Athayde. Primeiro, destaco a composição:

 

A DANÇA DA ONÇA

Você precisa conhecer

O Mamulengo,Cavalo-Marinho

Cavalo de pau e o Boi-Bumbá.

Maracatu, Caboclinho,chame os seus amiguinhos pra gente brincar.

Menino da tarde nesse carnaval

Vamos fazer um passeio por Pernambuco

Ver Saci Pererê e a Cuca sair com o Bumba Meu Boi

Conhecer a turma do Rei Leão

Varrendo o chão pra Onça passarA dança da Onça, a trança da moça.

Enchendo a pança, a graça do palhaço.

Que enche a Praça pra nossa alegria

A banda passando cheia de folia

Chame as crianças pra gente dançar

A Ciranda de Lia, a nossa Lia de Itamaracá.
A Ciranda de Lia, a nossa Lia de Itamaracá.

 

Agora, convido a todos para ouvir  a canção:

O  segundo destaque é a piauiense, também radicada no Rio de Janeiro: Patrícia Mellodi, que compõe, canta e movimenta-nos com sua energia.   Aqui trago sua composição Faxina Geral.  Aqui, a composição:

Faxina Geral.

Vou fazer uma faxina
Botar a casa em ordem
Dar um geral
No meu coração
Vou dar um fim na poeira
Lavar com mangueira
A recordação
Descongelo a geladeira
Dou tudo o que é teu
Mudo a roupa de cama
Troco a cor das paredes
Eu armo uma rede
Acendo um incenso
Incendeio o colchão
Abro todas as janelas
Acendo uma vela
Faço uma oração
Pra santo antonio
E num babydoll de cetim
Pronta pra só dizer sim
Com a casa da alma lavada
Escancaro o portão

Que é pra ver se vem
Um novo amor
Que é pra ver se sou
Feliz outra vez

 

Agora, a música:

 

A terceira grande mulher  é a paulista Mônica Marianno, atriz, cantora e intérprete cuja caminhada é marcada pelo estudo, dedicação e também, como as demais, muita ousadia.  Ousadia é o ingrediente que tempera e qualifica a trajetória dessas mulheres maravilhosas.

Para encerrar esta postagem, destaco um clipe onde Mônica Marianno e a  HOT JAZZ CLUB nos encantam com uma bela performance da canção I Love Paris:

Um super abraço!