Archive for junho \18\UTC 2012

Imagens da infância em “Cenas Infantis”

18/06/2012

Cirandinha- escultura em bronze- Sandra Guinle

Fechei os olhos com a intenção de apenas relaxar, e de repente me vejo no meio de um campo com crianças a brincar. Estavam se divertindo à beça, umas soltando pipas;algumas jogando piões; outras jogando bolinhas de gude e outras, ainda, pulando Amarelinha. E ainda tinha algumas que se juntavam em círculo para dançar uma ciranda.

Ah! as pipas… eram muitas, com cores que não acabavam mais! Um carinho para os olhos que as fitavam lá longe, no azul do céu… E a Ciranda? Vamos todos cirandar?

De repente, abro os olhos e vejo que estas cenas foram e estão materializadas, logo à minha frente. Diversas crianças brincam por meio do bronze, nos lembrando do tempo da infância, o tempo da nossa criança. Tempo “em que o único compromisso era ser feliz”, como disse a artista plástica Sandra Guinle.

Em 2005 estive no MAC – Museu de Arte Contemporânea, no Parque do Ibirapuera e pude contemplar a exposição “ Cenas Infantis”, de Sandra Guinle.

Naquela ocasião, fui profundamente tocada e pude também tocar naquelas imagens. Um dos momentos mais significativos da exposição foi quando a autora esteve junto com o público. Nós estivemos por alguns instantes muito próximas, por meio de um profundo e caloroso abraço, onde a criança que havia em mim se entregara à mais singela emoção e à saudade. Sim, saudade de minhas origens…

Hoje, sete anos depois, um reencontro acontece e novamente todo aquele sentimento é resgatado.

Estive no Museu da Educação e do Brinquedo e vi a exposição “Cenas Infantis e Brinquedos da Infância”, que fica para visitação até o dia 29 de junho, na Faculdade de Educação da USP. Pelo que observei, o espaço do Museu da Educação e do Brinquedo abriga as peças menores e alguns desenhos, pois Sandra Guinle doou 50 peças entre esculturas e desenhos. Acredito que a Faculdade de Educação venha a reservar um outro espaço para abrigar e permitir a apreciação do público desse belo acervo doado. Vou esperar para ver.

A exposição no Museu da Educação conta ainda com “brinquedos da infância”, que reúne brinquedos da infância de meninos e meninas que compõem a comunidade de FEUSP: docentes, funcionários e alunos e seus familiares. Vale a pena ver!

Abaixo algumas das ‘crianças’ de Sandra Guinle:

Amarelinha – escultura em bronze – Sandra Guinle

Menino e a pipa – escultura em bronze – Sandra Guinle

Anúncios

Junho

10/06/2012

Aqui, em Sampa, o mês de junho começou com muito frio, convidando-nos às bebidas quentes, leituras, cinema, pipoca e muita ‘preguiça’.

Ontem, visitando os meus amigos Marco Haurélio e Pedro Monteiro  no Facebook, encontrei música e poesia vinda do agreste pernambucano; mais precisamente de São Bento do Una, pela voz de Alceu Valença.Compartilho com vocês a poesia e a música:

Junho

Alceu Valença

 

Eu sei que é junho, o doido e gris seteiro
Com seu capuz escuro e bolorento
As setas que passaram com o vento
Zunindo pela noite, no terreiro
Eu sei que é junho!

Eu sei que é junho, esse relógio lento
Esse punhal de lesma, esse ponteiro,
Esse morcego em volta do candeeiro
E o chumbo de um velho pensamento

Eu sei que é junho, o barro dessas horas
O berro desses céus, ai, de anti-auroras
E essas cisternas, sombra, cinza, sul

E esses aquários fundos, cristalinos
Onde vão se afogar mudos meninos
Entre peixinhos de geléia azul
Eu sei que é junho!

Eu sei que é junho, o doido e gris seteiro
Com seu capuz escuro e bolorento
As setas que passaram com o vento
Zunindo pela noite, no terreiro
Eu sei que é junho!

Eu sei que é junho, esse relógio lento
Esse punhal de lesma, esse ponteiro,
Esse morcego em volta do candeeiro
E o chumbo de um velho pensamento

Eu sei que é junho, o barro dessas horas
O berro desses céus, ai, de anti-auroras
E essas cisternas, sombra, cinza, sul

E esses aquários fundos, cristalinos
Onde vão se afogar mudos meninos
Entre peixinhos de geléia azul
Eu sei que é junho!

Agora, convido a todos para a música: