Inverno: tempo de recolhimento

Pintura de Sandra Nunes

Pintura de Sandra Nunes

Hoje, 21 de junho, começa a estação do inverno, para nós do Hemisfério Sul. É o chamado solstício de inverno. Sabemos que o que caracteriza o inverno é o tempo frio, os dias são curtos e as noites longas. O sol ‘nasce’ mais tarde e ‘vai embora’ mais cedo, quase que nos obrigando a ir descansar.  Essas são as características que todos conhecemos, mas eu gostaria de pensar sobre o inverno por outro ponto de vista.

Para isso, fui buscar referências em outras tradições, no caso, na filosofia chinesa, mais precisamente no livro: I CHING – O Livro das Mutações, pois além de ser obra das mais antigas do mundo, é também a base da sabedoria chinesa. O livro é uma compilação de estudos que analisa o mundo e o homem, tomando por base a astronomia e a matemática, entre  outros saberes. É um livro que vale a pena ser estudado com desvelo, uma vez que está repleto de imagens e de profunda simbologia.

Segundo o I CHING, o trigrama que representa a estação do inverno é K’an, cujo símbolo é a água, porém este trigrama simboliza “o esforço a que todos os seres estão sujeitos” e também que é o período de “guardar a colheita no celeiro”, pois o inverno “representa o momento de  concentração”.

Trazendo esses símbolos para nossa vida, podemos perceber que durante o período do inverno tentamos nos ‘poupar’ mais, isto é, procuramos descansar (“guardar a colheita no celeiro”), pois para cumprir a jornada do dia-a-dia, investimos muita energia (“o esforço a que todos os seres estão sujeitos”). Se pararmos para pensar um pouco, é no inverno que normalmente voltamos mais cedo para casa, para o aconchego, “representa o momento de concentração”.  E é aqui nos ‘momentos de concentração’, que entramos em um recolhimento interior, onde podemos refletir e reformular uma série de coisas em nossa vida.

Eu usei três palavras com a letra R:  recolhimento, refletir e reformular. Diria até mesmo que no reformular podemos recriar e recriarmo-nos. É no período do inverno que a Natureza conduz todos os seres a voltarem-se para si, para recriarem-se e ressurgirem na estação seguinte: a primavera.

Trazendo essa ideia para as questões criativas, quer sejam artísticas ou outras áreas de atividade, podemos perceber que para criar, para elaborar, para construir algo é importante: recolher-se, refletir, criar e recriar. Todas as criações, descobertas e invenções passam por esse percurso. Nas Artes, esse percurso é condição sine qua non para as realizações.

Comecei a postagem com uma imagem.  É o quadro: “Urca- Luz de inverno”, da pintora carioca Sandra Nunes. Para se chegar a uma obra como essa, tenho certeza que a pintora precisou passar pelo percurso de interiorização, de que falei há pouco. Pois no recolhimento é possível entrar em contato com percepções e sentimentos que, no caso, foram traduzidos pela técnica da pintura na realização do quadro. Particularmente, gostei tanto  do quadro de Sandra Nunes, que com ele comecei esta postagem, pois penso que tem a ver com a reflexão feita. Recomendo a quem  estiver no Rio de Janeiro a conhecer o trabalho de Sandra Nunes e, também, acessar o site e o seu blog.

Para terminar este momento de reflexão  em forma de postagem, convido  vocês a apreciarem  duas expressões artísticas: a  música e a pintura.  A música é de Vivaldi, é o primeiro movimento (Allegro ma non troppo) do tema: O Inverno, que compõe sua obra “As quatro estações” e a pintura é de Van Gogh. São várias pinturas de Van Gogh  projetadas em slides ao som do tema de Vivaldi.  Para ver e ouvir, basta clicar no vídeo abaixo:


Um super abraço!


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3 Respostas to “Inverno: tempo de recolhimento”

  1. José Eduardo Says:

    Margarete

    Parabéns pela postagem, muito interessante.
    Linda a paisagem de abertura.

    José Eduardo

  2. iris fyrigos Says:

    Margarete, mais uma vez te parabenizo por sua iniciativa de transmitir cultura de conteúdo! Adorei o prazer que me proporcionou com este vídeo com Van Gogh e Vivaldi.
    Espero que vc esteja muito bem e seu bebê melhor ainda (bem, acho que ele deve estar mesmo muito bem neste inverno!).
    Abraço,
    iris

  3. Rodrigo Says:

    Genialidade e sensibilidade na imagem e na música. E, claro, a sua sensibilidade em compor o dueto dos dois gênios. Gostei muito.

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