Bossa Nova sem fronteiras

No último dia 30 de março, conheci um espaço cultural diferente: o Espaço Cultural Fundação Japão. Cheguei a esse espaço por  indicação do meu amigo Jarbas, no seu Blog.

Naquele dia aconteceu a exibição do DVD BOSSA NOVA IN JAPAN. É isso mesmo: Bossa Nova no Japão. Nesse documentário, vários cantores e compositores brasileiros, além de músicos japoneses que residem no Brasil, demonstram ser a Bossa Nova um elo de ligação entre as duas culturas, que se uniram por meio do ritmo, da melodia e da harmonia musical.

É de domínio público o fato da Bossa Nova ser ouvida e difundida em muitos lugares do mundo, mas eu desconhecia o quanto os japoneses apreciam a música brasileira. E não é só apreciação, eles gostam tanto que, em um dos depoimentos de um músico japonês, ele afirmou ouvir Bossa Nova do momento que acorda, até a hora de ir dormir.

O vídeo trouxe depoimentos de brasileiros, como  do jornalista  e  pesquisador Sérgio Cabral, o escritor Ruy Castro. Os músicos Fernanda Takay, Paulo Jobim, Roberto Menescal, Leila Pinheiro, Joyce e Wanda Sá estão sempre na ponte Brasil/Japão, realizando diversas apresentações. Há ainda alguns músicos que residem mais tempo no Japão do que no Brasil, como é o caso de Roberto Menescal. Segundo uma declaração de Leila Pinheiro “ o Menescal tem alma japonesa…”.

No documentário fica bem demonstrado que é tanta a paixão dos japoneses pela Bossa Nova que, além deles ouvirem muita música, ainda estudam muito e com determinação a ponto de tocarem no estilo ‘bem brasileiro’. Durante o vídeo há uma declaração do músico Marcel Powell (um dos filhos de Baden Powell) onde ele relata que numa das viagens feitas ao Japão, ele e o pai conheceram um violonista, grande admirador do Baden Powell. O músico ficou fascinado com o violão que Baden Powell trazia. Diante disso, Baden emprestou-lhe o instrumento. Para surpresa de pai e filho, o músico tocava ao estilo de Baden Powell. Segundo Marcel Powell, o músico havia estudado durante muitos anos a música e o estilo de seu pai tocar e conseguia imitar e reproduzir a ponto de expressar, inclusive, as pausas da respiração de Baden  na gravação. Isso causou mais que espanto, causou o fascínio de quem o escutava.

No final do documentário, Roberto Menescal faz uma declaração bem interessante: “os japoneses estão perigosamente aprendendo Bossa Nova. Daqui a pouco não precisarão mais da gente…”.

Os depoimentos contidos no documentário são verdadeiras contribuições para compreendermos o amor dos japoneses pela música brasileira e em especial a Bossa Nova que, segundo algumas declarações, foi e é bem aceita na cultura japonesa por ser uma música “harmoniosa e calma”, fazendo um contraponto entre a agitação que é o Japão e a necessidade que eles têm de tranqüilidade e equilíbrio.  Acredito que essas necessidades não são apenas dos japoneses, mas de todas as pessoas, principalmente  as que vivem na correria e agitação das grandes cidades.

Após a exibição do documentário, ouvimos uma palestra com o  maestro Hidenori Sakao, que vive no Brasil desde os anos de 1950, período em que conheceu Tom Jobim, no Rio de Janeiro.

Durante a sua palestra, o maestro Hidenori nos falou da existência  de gravações de músicos brasileiros, exclusivas do mercado fonográfico japonês. Ele citou que dentre as cantoras brasileiras, as que mais discos vendem são: em 1º lugar: Astrud Gilberto; em 2º lugar: Nara Leão; em 3º lugar: Lisa Ono, e em 4º lugar: Rosa Passos. O maestro também citou  os cantores/compositores mais vendidos: Laurindo Almeida, Garoto e Luiz Bonfá.

Em 1977, no Japão, o maestro Hidenori contou que tocara com a cantora Elizeth Cardoso. Ela ficou encantada com os músicos japoneses, com os quais fez diversas apresentações. Segundo o maestro, quando Elizeth Cardoso voltou ao Rio de Janeiro e falou com entusiasmo aos músicos e jornalistas brasileiros sobre sua experiência com os japoneses, os cariocas não a levaram em consideração por acharem que estava exagerando.

O maestro ainda mostrou alguns trechos de canções da Bossa Nova tocadas e cantadas por músicos e instrumentistas japoneses. Sua intenção era de que a platéia sentisse a musicalidade e a qualidade dos trabalhos produzidos pelos músicos japoneses.

Amig@s blogueir@s, eu saí do auditório da Fundação Japão muito sensibilizada, tanto com o documentário, quanto pela palestra do Maestro Hidenori Sakao.  Compartilho com vocês algumas fotos que tirei do evento:

Palestra maestro Hidenori Sakao

Maestro Hidenori Sakao

Fiquei tão entusiasmada que ao chegar em casa busquei mais informações sobre a cultura japonesa e  o intercâmbio cultural Brasil/Japão. Encontrei na rede alguns vídeos, que considero muito importantes.

O primeiro vídeo é com o nosso Maestro Tom Jobim tocando no Japão em  1987.

O segundo vídeo mostra uma parceria rara entre Tom Jobim e Frank Sinatra, em 1967, com a música ‘Garota de Ipanema’. Vamos ao vídeo:

Segundo o escritor Ruy Castro, em seu livro Chega de Saudade-A História e as histórias da Bossa Nova, em dezembro de 1966, Tom Jobim  estava no Bar Veloso  “numa roda vespertina de chopes e amigos. Seu Armênio, dono do boteco, foi chamá-lo ao telefone – ‘ligação dos Estados Unidos’. Tom atendeu, era Gilbert, Frank Sinatra ia falar. (…) Ray Gilbert passou o telefone para Sinatra e este disse: ‘ Quero fazer um disco com você  e saber se você gosta da ideia’.” Sem dúvida que a ideia foi aceita e logo Tom embarcou para os Estados Unidos. Abaixo coloco uma fotografia onde Tom Jobim dá instruções  a  Frank Sinatra, segundo Ruy Castro “Tom dá a medida da voz a The Voice”, observem:

Sinatra e Tom Jobim

Para finalizar compartilho com vocês  um vídeo de um show ‘Tributo a Antonio Carlos Jobim’ gravado no Japão em 2007.  A música é Águas de Março, com a interpretação da nipo-brasileira Lisa Ono e Miúcha.

Um abraço em tod@s!

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15 Respostas to “Bossa Nova sem fronteiras”

  1. Pedro Monteiro Says:

    Margarete, quero armar minha rede por aqui, se você permitir… é claro!

    Eu confesso que estou
    Feliz por ser seu amigo!
    As mentes vitoriosas
    Separam o joio, do trigo,
    Num afeto grandioso,
    Neste coração ditoso
    Já reservei um abrigo.

    Beijo

    • Margarete Barbosa Says:

      Olá, meu amigo poeta Pedro Monteiro!
      Que alegria!
      Obrigada pela força e Presença.

      Abraços poéticos!

      Margarete Barbosa

  2. Diego Miguel Says:

    Margareth,

    Ótimo blog. ADOREI! Também adoro o ferreira gullar, muito boa esta postagem!

    Conheça o meu blog: http://www.diegomiguelartes.blogspot.com

    Beijos e Sucesso nessa caminhada!

    • Margarete Barbosa Says:

      Olá, Diego!
      Quanto tempo…
      Bom vê-lo por aqui! Venha sempre.
      Vou linkar o seu blog.
      Um super abraço!

      Margarete Barbosa

  3. jarbas Says:

    Oi Margarete,

    Acabo de ler a matéria. Excelente. Parece que hoje os japoneses entendem e curtem bossa nova mais que nós. Shows de mpb no Japão, sobretudo com gentes do time de bn, costumam ser eventos de sucesso (de crítica e de público). Parece que um dia vamos aprender com os nipônicos obras primas de nossa música. Enquanto isso, o consumo de lixo musical come solto nas ondas do rádio brasileiro.

    Fiquei contente com essa sua ida à Fundação Japão. É um centro cultural com o qual vale a pena manter contato. Por lá sempre há promoções que valem a pena.

    Abraço grande,

    Jarbas

    • Margarete Barbosa Says:

      Oi Jarbas!

      Sua dica foi ‘show de bola’.
      Adorei ter ido à Fundação Japão!
      Sem dúvida, temos muito o que trocar com os nipônicos.
      Um abração!

      Margarete Barbosa

  4. Cesar Camargo Mariano & Michael Brecker -Pt1 – 1997 – Brazil | Music Favorite - The Best Videos in Every Style of Modern Music Says:

    […] Bossa Nova sem fronteiras « Blog da Margarete Barbosa […]

    • jarbas Says:

      Oi Margarete,

      Reparou que sua postagem sobre bossa nova foi referenciada neste blog americano de música? Chic, não? Abraço, Jarbas

      • Margarete Barbosa Says:

        Oi Jarbas,

        Reparei sim!
        Imagina como fiquei…

        Um super abraço!

        Margarete

  5. Neuza Guerreiro de Carvalho Says:

    Sem comentários. Margarete é sempre margarete. O resto é silencio. Neuza

  6. DINEIA HYPOLITTO Says:

    Cara Margarete a sua postagem está DEZ! Muito bom o trabalho de pesquisa e os comentários. O seu Blog está um arraso. Abraços Dinéia

  7. Margarete Barbosa Says:

    Olá, Neuza e Dinéia!

    Obrigada pelo incentivo de sempre!

    Um super abraço nas duas!

    Margarete

  8. César Obeid Says:

    Parabéns querida!
    Belo trabalho de difusão e valorização da cultura universal!
    Sol e luz!
    César

  9. Jarbas Saraiva Says:

    Margarete,

    Muito boa matéria sobre bossa nova; é um dos meus pratos preferidos.

    Beijos,

    Jarbas

  10. Thierry Says:

    Um postagem muito interessante, obrigado !

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