Archive for abril \24\UTC 2010

O tempo: cronológico e kairológico

24/04/2010

Chronos

No mês de janeiro, fiz uma postagem no dia do Aniversário da Cidade de São Paulo. Todos nós sabemos que a cidade  se desenvolve numa velocidade muito acelerada, e acabamos  por incorporar esse ritmo em nossas vidas. É com velocidade e urgência  que vivemos e fazemos as coisas, estudamos e trabalhamos, e muitas vezes nos falta tempo. Um tempo para o aprofundamento das atividades; um tempo para o lazer, para os encontros com amigos, para a criatividade, e, finalmente, um tempo para nós mesmos, para a nossa qualidade de vida.

Na última postagem falei de minha participação em uma oficina de Mitologia Grega, na Biblioteca Alceu Amoroso Lima. Foi uma vivência muito significativa e inspiradora que recomendo a todos. Tenho certeza de que a experiência permitirá o encontro com outros sentidos e percepções àqueles que participarem das oficinas.

Foi refletindo sobre a questão da velocidade e falta de tempo em São Paulo, e também permitindo ser ‘atravessada’ pelos mitos e metáforas, que escrevi um singelo poema falando sobre os tempos.  Compartilho com vocês o poema: Chronos e Kairós

Chronos e Kairós


Chronos devora seus filhos
com frieza e voracidade,
provocando  ausências,
solidão, distanciamento.
Chronos é o relógio,
o tempo que não volta.
Kairós é o tempo qualificado
da amizade,
do companheirismo,
o tempo da criação,
recriação,
do riso.
O nosso tempo é agora
sempre que nos buscamos,
sempre que nos renovamos
em cada encontro,
e nos prometemos um
novo reencontro
para manter o fogo
que Prometeu
nos presenteou.

Em contato com colegas blogueiros, mostrei o poema acima à equipe do  Blog Sem Limites , que gostou e me solicitou permissão para publicar o poema.  Convido vocês a visitar o espaço de reflexão de nossos colegas. Vale a pena conhecer!

Um abraço!

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Um encontro mito-poético e metafórico

15/04/2010

Os Deuses do Olimpo


Na semana passada participei de uma oficina de Mitologia Grega, na Biblioteca Alceu Amoroso Lima. O encontro/oficina teve inicio com leitura de um mito grego seguido de rico diálogo entre a coordenação da oficina e os participantes.

A oficina tem a coordenação de Ajax Perez Salvador e Wladia Beatriz Correia e a ideia principal dos encontros é: “a partir da leitura de textos mitológicos, procura-se traçar um paralelo entre a mitologia e a vida real”.

Pela participação que tive no encontro/oficina, eu diria que é isso e muito mais, pois o estudo dos mitos nos permite, não apenas outros conhecimentos culturais, mas também uma ampliação de horizontes, ou seja, por meio das histórias podemos vislumbrar outros sentidos que podem ser trazidos para nossa vida. O mito possui uma linguagem metafórica que possibilita outras compreensões daquilo que se apresenta, e também do que provoca em nossa imaginação e em nossos processos emocionais, cognitivos e também espirituais/ transcendentes (Por que não?).

Essa ideia já foi apresentada por estudiosos da Mitologia, como por exemplo, Joseph Campbell. No seu livro O Poder do Mito, Campbell tem um diálogo, uma entrevista com o jornalista norte-americano Bill Moyers. Em um determinado momento, Moyers diz que “ mitos são histórias de nossa busca da verdade, de sentido, de significação…”, porém Campbell complementa: Dizem que o que todos procuramos é um sentido para a vida. Não penso que seja assim. Penso que o que estamos procurando é uma experiência de estar vivos, de modo que nossas experiências de vida, no plano puramente físico, tenham ressonância no interior de nosso ser e de nossa realidade mais íntimos, de modo que realmente sintamos o enlevo de estar vivos. É disso que se trata, afinal, e é o que essas pistas nos ajudam a procurar, dentro de nós mesmos.”

Mas, como? Essa pode ser a pergunta que surge em nós de imediato. Para respondê-la, precisamos compreender o mito como metáfora, não apenas como figura de linguagem, mas, principalmente uma possibilidade de ampliação de sentidos que cada imagem mitológica traz potencialmente. Para esclarecer isso, Campbell nos diz ainda que: “Os mitos são metáforas da potencialidade espiritual do ser humano, e os mesmos poderes que animam nossa vida animam a vida do mundo”. Dessa maneira percebemos que a mitologia grega (e de outras civilizações) está repleta de símbolos e representações que muito nos dizem.

Outro grande estudioso do assunto, o psicólogo suiço Carl Jung, nos diz em seu livro O Homem e seus símbolos : “o que chamamos de símbolo é um termo ou mesmo uma imagem que nos pode ser familiar na vida diária” e que “uma imagem é simbólica quando implica alguma coisa além do seu significado manifesto e imediato”.

Estes dois estudiosos dos mitos e símbolos nos dão uma pequena ideia do que representa o estudo das civilizações com suas respectivas mitologias. E nós, por meio da metáfora, podemos compreender as relações que estas imagens míticas têm a ver conosco.

É uma aventura muito interessante para a qual todos estão convidados. Os encontros acontecem às quintas-feiras, às 15h, na Biblioteca Alceu Amoroso Lima, na Rua Henrique Schaumann, 777 – Pinheiros, com entrada franca.

Para terminar, convido vocês a apreciarem a canção/poema: Metáfora, de Gilberto Gil, porém com o efeito visual do Ballet Capoeira com a coreografia de Maurício Ribeiro.

Então, sem mais, vamos curtir as imagens da dança e da canção: Metáfora

Um super abraço!


Vamos beber do samba?

11/04/2010

Amig@s!

Hoje saí para ‘beber do samba’, em um nobre Boteco, e me embriaguei… Conheci também o Boteco Cultural e recomendo sua visitação. Lá poderemos nos embriagar, não somente de samba, mas também  de muita cultura.

Dentro desse clima, compartilho com vocês de dois momentos históricos do Samba: o primeiro é com Paulinho da Viola e Clara Nunes, em um poético diálogo musical; e o segundo, é o momento que o Japão conhece a “Portela na Avenida”, na voz  vibrante de Clara Nunes.

Vamos aos vídeos:

Paulinho da Viola e Clara Nunes


E agora, Clara Nunes


Um super abraço!

Bossa Nova sem fronteiras

03/04/2010

No último dia 30 de março, conheci um espaço cultural diferente: o Espaço Cultural Fundação Japão. Cheguei a esse espaço por  indicação do meu amigo Jarbas, no seu Blog.

Naquele dia aconteceu a exibição do DVD BOSSA NOVA IN JAPAN. É isso mesmo: Bossa Nova no Japão. Nesse documentário, vários cantores e compositores brasileiros, além de músicos japoneses que residem no Brasil, demonstram ser a Bossa Nova um elo de ligação entre as duas culturas, que se uniram por meio do ritmo, da melodia e da harmonia musical.

É de domínio público o fato da Bossa Nova ser ouvida e difundida em muitos lugares do mundo, mas eu desconhecia o quanto os japoneses apreciam a música brasileira. E não é só apreciação, eles gostam tanto que, em um dos depoimentos de um músico japonês, ele afirmou ouvir Bossa Nova do momento que acorda, até a hora de ir dormir.

O vídeo trouxe depoimentos de brasileiros, como  do jornalista  e  pesquisador Sérgio Cabral, o escritor Ruy Castro. Os músicos Fernanda Takay, Paulo Jobim, Roberto Menescal, Leila Pinheiro, Joyce e Wanda Sá estão sempre na ponte Brasil/Japão, realizando diversas apresentações. Há ainda alguns músicos que residem mais tempo no Japão do que no Brasil, como é o caso de Roberto Menescal. Segundo uma declaração de Leila Pinheiro “ o Menescal tem alma japonesa…”.

No documentário fica bem demonstrado que é tanta a paixão dos japoneses pela Bossa Nova que, além deles ouvirem muita música, ainda estudam muito e com determinação a ponto de tocarem no estilo ‘bem brasileiro’. Durante o vídeo há uma declaração do músico Marcel Powell (um dos filhos de Baden Powell) onde ele relata que numa das viagens feitas ao Japão, ele e o pai conheceram um violonista, grande admirador do Baden Powell. O músico ficou fascinado com o violão que Baden Powell trazia. Diante disso, Baden emprestou-lhe o instrumento. Para surpresa de pai e filho, o músico tocava ao estilo de Baden Powell. Segundo Marcel Powell, o músico havia estudado durante muitos anos a música e o estilo de seu pai tocar e conseguia imitar e reproduzir a ponto de expressar, inclusive, as pausas da respiração de Baden  na gravação. Isso causou mais que espanto, causou o fascínio de quem o escutava.

No final do documentário, Roberto Menescal faz uma declaração bem interessante: “os japoneses estão perigosamente aprendendo Bossa Nova. Daqui a pouco não precisarão mais da gente…”.

Os depoimentos contidos no documentário são verdadeiras contribuições para compreendermos o amor dos japoneses pela música brasileira e em especial a Bossa Nova que, segundo algumas declarações, foi e é bem aceita na cultura japonesa por ser uma música “harmoniosa e calma”, fazendo um contraponto entre a agitação que é o Japão e a necessidade que eles têm de tranqüilidade e equilíbrio.  Acredito que essas necessidades não são apenas dos japoneses, mas de todas as pessoas, principalmente  as que vivem na correria e agitação das grandes cidades.

Após a exibição do documentário, ouvimos uma palestra com o  maestro Hidenori Sakao, que vive no Brasil desde os anos de 1950, período em que conheceu Tom Jobim, no Rio de Janeiro.

Durante a sua palestra, o maestro Hidenori nos falou da existência  de gravações de músicos brasileiros, exclusivas do mercado fonográfico japonês. Ele citou que dentre as cantoras brasileiras, as que mais discos vendem são: em 1º lugar: Astrud Gilberto; em 2º lugar: Nara Leão; em 3º lugar: Lisa Ono, e em 4º lugar: Rosa Passos. O maestro também citou  os cantores/compositores mais vendidos: Laurindo Almeida, Garoto e Luiz Bonfá.

Em 1977, no Japão, o maestro Hidenori contou que tocara com a cantora Elizeth Cardoso. Ela ficou encantada com os músicos japoneses, com os quais fez diversas apresentações. Segundo o maestro, quando Elizeth Cardoso voltou ao Rio de Janeiro e falou com entusiasmo aos músicos e jornalistas brasileiros sobre sua experiência com os japoneses, os cariocas não a levaram em consideração por acharem que estava exagerando.

O maestro ainda mostrou alguns trechos de canções da Bossa Nova tocadas e cantadas por músicos e instrumentistas japoneses. Sua intenção era de que a platéia sentisse a musicalidade e a qualidade dos trabalhos produzidos pelos músicos japoneses.

Amig@s blogueir@s, eu saí do auditório da Fundação Japão muito sensibilizada, tanto com o documentário, quanto pela palestra do Maestro Hidenori Sakao.  Compartilho com vocês algumas fotos que tirei do evento:

Palestra maestro Hidenori Sakao

Maestro Hidenori Sakao

Fiquei tão entusiasmada que ao chegar em casa busquei mais informações sobre a cultura japonesa e  o intercâmbio cultural Brasil/Japão. Encontrei na rede alguns vídeos, que considero muito importantes.

O primeiro vídeo é com o nosso Maestro Tom Jobim tocando no Japão em  1987.

O segundo vídeo mostra uma parceria rara entre Tom Jobim e Frank Sinatra, em 1967, com a música ‘Garota de Ipanema’. Vamos ao vídeo:

Segundo o escritor Ruy Castro, em seu livro Chega de Saudade-A História e as histórias da Bossa Nova, em dezembro de 1966, Tom Jobim  estava no Bar Veloso  “numa roda vespertina de chopes e amigos. Seu Armênio, dono do boteco, foi chamá-lo ao telefone – ‘ligação dos Estados Unidos’. Tom atendeu, era Gilbert, Frank Sinatra ia falar. (…) Ray Gilbert passou o telefone para Sinatra e este disse: ‘ Quero fazer um disco com você  e saber se você gosta da ideia’.” Sem dúvida que a ideia foi aceita e logo Tom embarcou para os Estados Unidos. Abaixo coloco uma fotografia onde Tom Jobim dá instruções  a  Frank Sinatra, segundo Ruy Castro “Tom dá a medida da voz a The Voice”, observem:

Sinatra e Tom Jobim

Para finalizar compartilho com vocês  um vídeo de um show ‘Tributo a Antonio Carlos Jobim’ gravado no Japão em 2007.  A música é Águas de Março, com a interpretação da nipo-brasileira Lisa Ono e Miúcha.

Um abraço em tod@s!