Um tempo para o tempo

Amig@s blogueir@s!

E 2009 está terminando…

Quando iniciou o mês de Dezembro ouvi de muitas pessoas o lamento: “Acabou o ano e eu não fiz o que planejei!”, ou ainda: “Puxa! O tempo acabou e eu nem comecei…”

Sempre quando o ano está próximo de seu final, pensamos sobre o tempo: o tempo que passou, o tempo que não deu tempo de fazer as coisas planejadas. Percebo que esse é um período em que  nossa memória faz uma retrospectiva e reavalia renovando os projetos e traçando sonhos.

Na semana passada li um artigo no Caderno Equilíbrio da Folha de São Paulo, muito interessante intitulado: Passagens, de Dulce Critelli, em que faz sua análise sobre a questão do tempo.

Trago o artigo na íntegra e compartilho com vocês desse momento de reflexão:

PASSAGENS

Dulce Critelli

As flores costumam durar poucos dias, um espetáculo dura umas duas horas. Duramos entre um dia e outro, entre um mês e outro, entre os nossos afazeres e compromissos. Duramos entre nosso nascimento e nossa morte.

O tempo é nossa condição de vida. Diz o filósofo alemão Martin Heidegger: o homem não tem tempo, ele é um tempo que se esgota, se emprega, se consome. Por isso, contabilizamos a vida entre antes, agora e depois, entre passado, presente e futuro, entre o logo mais, o há pouco, o neste instante. O interessante é que o tempo é tão presente e imediato que nem o percebemos. E, em épocas de passagens tão convencionais, como o fim de ano, essa consciência parece vir à tona.

Reclamamos por não conseguirmos terminar a tempo nossos afazeres. Lamentamos ter que levar para o próximo ano coisas indesejáveis, como dores, dívidas, desavenças… E não nos conformamos com coisas que não poderemos levar.

Momentos especiais de passagem nos põem de cara com o tempo, especialmente com o futuro. Nossa tradição nunca o privilegiou, embora viva para ele. Privilegiou o passado.

Acredita-se que o passado determina nossa identidade, que ser quem somos, hoje, depende exclusivamente do que já fizemos e dissemos. Mas não é verdade. É o futuro que assegura nossa identidade, pois, se não pudermos continuar agindo como antes, o que fomos não poderá se sustentar.

Não basta ter sido justa minha vida inteira se no próximo gesto eu cometer uma injustiça. É sempre o próximo gesto, o próximo passo, a próxima palavra, aqueles que importam para manter a pessoa que tenho sido. E só eles podem desmanchar no ar uma identidade firmada por toda a vida.

O passado é frágil, porque depende da memória. Perdida a memória, perdido o passado. E o futuro é incerto, porque depende das promessas que fazemos. Se não nos obrigarmos a cumpri-las, pagamos o preço de ficarmos à deriva no mundo, à mercê de contradições e de atender a chamados que não têm a ver com nosso destino.

Embora prioritário na movimentação da vida, o futuro é sempre obscuro. Não porque nos falte o dom de adivinhá-lo, mas porque ele não existe ainda. É feito de sonhos e promessas. Se nossos sonhos se realizarão e nossas promessas serão cumpridas, depende do empenho que vamos dedicar a eles. Mas não é só essa dedicação que garante a realização de sonhos e promessas. Cada gesto que fazemos nessa direção é recebido pelos outros com quem convivemos, que completam nosso gesto e podem dar outro rumo para o que iniciamos.

Nossos atos apenas começam um acontecimento. Provocam reações em cadeia, e seus resultados são sempre imprevisíveis. E serão impossíveis se não contarmos com a colaboração dos outros. Só o sonho que se sonha junto é realidade, cantava Raul Seixas.

Épocas de passagens nos fazem tomar contato com tudo isso. E o que mais exigem de nós é renovação: capacidade de prometer, disponibilidade para conquistar colaboradores e se comprometer com eles, coragem para iniciar e dedicação para empreender.


Para descontrair um pouco, convido a tod@s a ver e ouvir o poema canção: O relógio, de Vinícius de Moraes, com interpretação de Walter Franco. Esta composição integra o Musical: A arca de Noé, também de Vinícius de Moraes.

Um super abraço!

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Uma resposta to “Um tempo para o tempo”

  1. Neuza Guerreiro de Carvalho Says:

    OI Margarete
    Seu Blog é tão bom que dispensa comentários. Ele fala por si. E quando há oportunidade falo de viva voz o que acho. É de muito bom nivel,é divulgador e também explicativo.
    Vou colocar o link no meu blog.

    Neuza

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