Hoje é o ‘Dia das Crianças’ e para o comércio é o dia para alavancar as vendas. Mas para quem tem um filho, todo dia é o Dia das Crianças, dos Pais e das Mães, enfim, todo dia é o Dia da Família.
Muito mais que racionalizar, quero apenas curtir como criança e como mãe. Acredito que para os pais não faltam motivos para lembrar, comemorar e curtir a infância. E uma das maneiras de apreciar esse dia é com poesia e música.
A poesia é do carioca Casimiro de Abreu: Meus oito anos. Um poema rico em imagens saudosas da infância do poeta. Acredito que muitos de nós já viveu um pouco do que Casimiro descreve em seus versos. Segue o poema:
Meus oito anos
Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!Como são belos os dias
Do despontar da existência!
— Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é — lago sereno,
O céu — um manto azulado,
O mundo — um sonho dourado,
A vida — um hino d’amor!Que aurora, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d’estrelas,
A terra de aromas cheia
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!Oh! dias da minha infância!
Oh! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minhã irmã!Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Da camisa aberta o peito,
— Pés descalços, braços nus —
Correndo pelas campinas
A roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo.
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!—————–
Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!Fonte: Para ler e pensar
E agora a música. Convido todos para ouvir e curtir a canção: Bola de Meia, Bola de Gude, de Milton Nascimento e Fernando Brant.
Um super abraço!

15/10/2011 às 15:44 |
Como sempre, divino. Não sei como arranja tempo de trabalhar, amar, cuidar do Ulisses e escrever. Continue sempre.